RAÍZES QUE LUTAM, CORPOS QUE BRILHAM: O DESPERTAR DA MULHER QUILOMBOLA

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
RAÍZES QUE LUTAM, CORPOS QUE BRILHAM: O DESPERTAR DA MULHER QUILOMBOLA
Autores
  • Maria Geane de Lima Ferreira
  • Gislaine Gonçalves da Silva Sousa
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1369883-raizes-que-lutam-corpos-que-brilham--o-despertar-da-mulher-quilombola
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Mulheres quilombolas. Narrativas (auto)biográficas. Saberes da experiência.
Resumo
As comunidades quilombolas representam espaços de resistência histórica, cultural e identitária, onde práticas de solidariedade, ancestralidade e luta por direitos territoriais sustentam a permanência de seus modos de vida. Dentro desses contextos, as mulheres quilombolas exercem papel central na preservação das tradições, na articulação política e na construção de estratégias de sobrevivência, apesar de enfrentarem opressões interseccionais de gênero, raça e classe. Este estudo, desenvolvido no âmbito da disciplina “Memória, Formação e Pesquisa (Auto)Biográfica” do Mestrado em Educação da UERN, tem como objetivo compreender, por meio de narrativas (auto)biográficas, compreender como a trajetória de luta e participação dessas mulheres contribui para a resistência e fortalecimento de suas comunidades. A pergunta que norteia esta investigação é: Quais são os principais desafios e ações adotados pelas mulheres quilombolas para o fortalecimento de sua autonomia e liderança em suas comunidades? A pesquisa justifica-se pela necessidade de reconhecer o protagonismo feminino quilombola como elemento central na construção de estratégias de preservação cultural e de transformação social. Ao evidenciar as vozes dessas mulheres, o estudo busca também tensionar as estruturas patriarcais e racistas que historicamente invisibilizaram suas contribuições no campo acadêmico e social. A metodologia adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na escuta ativa de narrativas orais, rodas de conversa e observação participante, conforme defendido por Minayo (2009), para quem o foco da pesquisa qualitativa está na compreensão dos sentidos atribuídos pelas pessoas às suas experiências. Como método, recorre-se à abordagem (auto)biográfica proposta por Josso (2007), que valoriza a experiência como formadora da identidade e permite refletir sobre as aprendizagens ao longo da vida. O referencial teórico ancora-se nos conceitos de experiência em Larrosa (2002), de memória coletiva e social em Halbwachs (1990), Pollak (1989) e Bosi (1994), além das contribuições de Josso (2007; 2010) sobre a narrativa como ferramenta formadora. As rodas de conversa, realizadas com mulheres quilombolas de dois quilombos localizados nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, marcadas em nossas memórias pela passagem por esses quilombos onde nos referimos a nomes fictícios pra manter o anonimato, sigilo e respeito, aos quilombos denominamos de Quilombo da Areia e Quilombo da Mata, e as participantes das narrativas escolhemos pseudônimos com nomes africanos Zuri, Imani, Lulama, Zola, Abimbola, Abayomi, Chimamanda, Kieza, Lueji, propiciaram o entrelaçamento de memórias individuais e coletivas, fortalecendo os laços comunitários e permitindo o “empréstimo da memória” (Pollak, 1989), que amplia os sentidos da experiência partilhada. A análise das narrativas revela que essas trajetórias são marcadas por práticas de cuidado, fé, solidariedade, educação comunitária e defesa do território, elementos que expressam formas potentes de resistência coletiva. Segundo Maurice Halbwachs (1990), a memória não é um fenômeno puramente individual, mas se forma e se sustenta nos quadros sociais da memória, isto é, nos grupos e contextos coletivos que dão sentido às lembranças e às experiências. Os resultados indicam que as mulheres quilombolas evidenciam que a memória não é apenas um registro do passado, mas um instrumento político e afetivo que orienta as ações do presente. Seja nos gestos cotidianos, nas danças, nos saberes partilhados ou na organização social, essas mulheres constroem e preservam modos de vida que desafiam o silenciamento histórico e reafirmam a identidade quilombola. Conclui-se que partir de suas memórias, práticas e discursos, é possível perceber a potência da experiência feminina como força mobilizadora e transformadora. Dessa forma, compreende-se que a luta e a participação dessas mulheres contribuem ativamente para o fortalecimento das comunidades, sustentando vínculos intergeracionais e reafirmando o protagonismo feminino como fundamento da resistência cultural, política e territorial.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, Maria Geane de Lima; SOUSA, Gislaine Gonçalves da Silva. RAÍZES QUE LUTAM, CORPOS QUE BRILHAM: O DESPERTAR DA MULHER QUILOMBOLA.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1369883-RAIZES-QUE-LUTAM-CORPOS-QUE-BRILHAM--O-DESPERTAR-DA-MULHER-QUILOMBOLA. Acesso em: 30/07/2026

Trabalho

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