SENTIDOS E EXPERIÊNCIAS DOCENTE NO COTIDIANO DA ALFABETIZAÇÃO

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
SENTIDOS E EXPERIÊNCIAS DOCENTE NO COTIDIANO DA ALFABETIZAÇÃO
Autores
  • Regineide Martins Barros Cavalcante
  • Mayra Rodrigues Fernandes Ribeiro
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 1 – Formação Humana, Docência e Currículo
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1350752-sentidos-e-experiencias-docente-no-cotidiano-da-alfabetizacao
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Alfaletramentos; Cotidianos escolares; Saberes e fazeres docente.
Resumo
As crianças trazem de seus cotidianos uma diversidade de repertórios que podem ser valorizados nos espaços escolares. Esses repertórios carregam traços de suas vivências com a cultura escrita, estando associados às transformações que a comunicação apresenta na sociedade atual. Nesse sentido, é preciso pensar uma escola que olhe para o ensino- aprendizagem, considerando a relação que a criança já construiu com a escrita e suas diferentes formas de comunicação e interação, incluindo o advento da cultura digital. Se houve ao longo do tempo transformações socioculturais decorrentes do fenômeno da cibercultura, logo a infância não é a mesma, a cultura digital altera as formas de ser, agir, de comunicar e isso impacta nosso modo de pensar e fazer a educação (Figueirôa; Ribeiro, 2024). Desse modo, quando pensamos a alfabetização como um processo que acontece dentro de especificidades, valorizando as experiências, os contextos dos sujeitos, isso nos sugere uma abordagem que atente para a diversidade multicultural. Uma abordagem pedagógica que contemple as diferenças, a diversidade de experiências, uma vez que no contexto da cultura digital, as crianças transitam e desenvolvem habilidades de comunicação que extrapolam as práticas convencionais de leitura e escrita. Em suas vivências cotidianas, imagens, sons, vídeos e áudios são constantemente acionados em dispositivos móveis, mobilizando diferentes processos cognitivos e motores. Essa realidade impõe à escola o desafio de reconhecer tais experiências e integrá-las aos processos formais de ensino e aprendizagem da escrita. A alfabetização, pensada a partir desse cenário, vai além da apropriação de saberes considerados tradicionais nos espaços escolares, ela pode incorporar novos formatos de leitura e de escrita que ultrapassam letras, palavras e textos impressos, articulando o visual, o verbal e o sonoro. Alfabetizar esta nova geração implica uma proposta pedagógica que considere a leitura e a escrita de textos multimodais (Neto et al., 2013), ressignificando no espaço escolar repertórios já presentes na vida social e cultural dos estudantes. Buscamos, neste estudo, diferenciar a compreensão tradicional de alfabetização, ampliando o conceito na perspectiva dos alfaletramentos, entendidos como uma expressão que comunica melhor a alfabetização em contexto da cultura digital e da infinidade de linguagens multissemióticas mobilizadas, cotidianamente, nas formas de comunicação. Perspectiva que amplia a ideia de uma alfabetização como apropriação dos signos linguísticos, e vincula seu ensino e aprendizagem dentro de um contexto que integra tanto os usos sociais quanto culturais da linguagem. Se a linguagem se transforma ao longo do tempo, é inevitável que as formas de ensinar e aprender acompanhem tais mudanças. A escola se configura como campo de circulação, conexão de saberes, podendo, portanto, tentar aproximar essa diversidade de experiências que as crianças vivenciam e promover estratégias que oportunizem um diálogo de conhecimentos, criando momentos nos quais sejam apresentados os signos linguísticos na interação com as práticas comunicacionais presentes na cultura escrita atual. Diante desse panorama, o que empreendemos em nossa pesquisa foi a compreensão dos sentidos atribuídos ao processo de alfabetização dentro dos cotidianos escolares, bem como a identificação das práticas de alfabetização presentes na didática dos professores alfabetizadores. Compreendendo que refletir sobre as práticas de alfabetização pode apresentar caminhos pedagógicos para que estabeleçamos diálogos com a cultura vivenciada pelas crianças, fortalecendo o papel da escola como espaço de construção de aprendizagens significativas. Para essa tessitura, escolhemos trabalhar com uma professora e os estudantes de uma turma de 2º ano do ensino fundamental, de uma escola pública da rede estadual, localizada no município de Angicos/RN. A turma contava com 22 estudantes matriculados na faixa etária dos 6 aos 8 anos de idade, sendo duas crianças com Necessidades Educacionais Específicas – NEE, ambas dentro do Transtorno do Espectro Autista - TEA. Por entender a necessidade de uma aproximação mais significativa durante o percurso da pesquisa, mobilizamos como dispositivos para construção dos dados: a entrevista semiestruturada e a observação de campo, instrumentos que ao serem refletidos, entretecidos conjuntamente, permitiram trazer uma maior significação aos modos de pensarfazer a alfabetização nos cotidianos escolares. No processo de busca pelas significações a partir das relações estabelecidas entre a pesquisadora, os sujeitos e os contextos, ouvimos a professora da turma e buscamos empreender as práticas de alfabetização presentes na sua didática, através da observação de campo, o que perdurou por um período de aproximadamente três meses, de março a maio de 2025. Nesse percurso, buscamos refletir as falas e escolhas pedagógicas da professora, bem como as tensões e possibilidades curriculares que atravessam o seu cotidiano da sala de aula em relação a alfabetização. E considerando o atual contexto de ampla inserção das crianças na cultura digital, buscamos compreender como a docente se posiciona diante dessas transformações e como mobiliza suas práticas pedagógicas nesse novo cenário. Os dados construídos apontam, a partir da análise das narrativas da docente, para uma compreensão do processo de alfabetização ancorado em práticas tradicionais. Compreensões que foram trazidas durante a entrevista e que não se restringem ao campo de discurso, mas se concretizam na organização e definição dos caminhos por ela percorridos em sala de aula, sendo possível ser observado durante o período que estivemos em campo. A didática da professora privilegia um ensino linear de conteúdos, pautado na fragmentação da língua em suas unidades menores. Nesse percurso, a apresentação de letras e sílabas antecede o trabalho com palavras e textos, que só passam a ser explorados após essa apropriação inicial. Tal encaminhamento é compreendido pela docente como um caminho “mais fácil” para a aprendizagem da escrita pelas crianças, ancorando-se em uma tradição consolidada na cultura escolar e ainda fortemente legitimada nos cotidianos da alfabetização. Uma preferência que pode ser entendida como reflexo de sua trajetória escolar e profissional, marcada pelo contato com esse modelo metodológico tanto em sua formação inicial quanto na convivência com colegas mais experientes, o que evidencia como os saberes docentes se constituem em redes de permanências, influências e ressignificações. O que nos remete a reflexão de que a permanência de práticas tradicionais não se explica, tão somente, a uma resistência dos professores às inovações pedagógicas, mas também pela força de uma cultura escolar já legitimada, que ainda confere sentido e segurança ao trabalho docente. Esse modelo linear, sequencial, mantém-se presente como herança das experiências vivenciadas ao longo da escolarização e da prática profissional, ao mesmo tempo em que revela ser complexo ressignificar fazeres. Alfabetizar na perspectiva dos alfaletramentos implica o acolhimento dos repertórios culturais das crianças, o que demanda uma maior organização curricular e planejamento por parte dos docentes para articular aos conteúdos escolares as experiências trazidas pelas crianças. Trata-se de um deslocamento: sair de uma concepção restrita de alfabetização para um campo mais amplo, que reconhece a pluralidade de linguagens e práticas. Kleiman nos lembra que “a maior barreira para a aprendizagem do alfabeto seria a ausência de um contexto significativo, seja ele linguístico, discursivo ou social, no qual ancorar os novos conhecimentos e práticas” (2002, p. 101). Essa fala nos ajuda a pensar que o processo de alfabetização pode se dar nas relações entre o cotidiano vivido pelas crianças, os textos e as diferentes formas de expressão da linguagem. A aprendizagem da escrita se dá numa construção sociocultural que começa muito antes do ingresso formal da criança na escola. A criança desde muito cedo interage significativamente com a escrita, sendo capaz de se comunicar mobilizando os signos a partir das relações e sentidos que estabelecem entre eles e o seu mundo. Uma trajetória que inicia nas interações familiares e sociais, e nos dias atuais na mobilização desde a primeira infância de dispositivos e suportes nos quais a língua se apresenta. Sendo a escrita uma linguagem, com funções sociais, culturais, o seu aprendizado não pode ser simplificado. Há um caminho já trilhado pela criança, construído a partir de experiências concretas com diferentes práticas sociais de leitura e escrita, um percurso que não se dá de forma mecânica, distanciado de sentidos, mas envolve a mobilização de saberes prévios, mediados por interações significativas, no qual os conhecimentos já existentes são mobilizados, ampliados e ressignificados no espaço escolar.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CAVALCANTE, Regineide Martins Barros; RIBEIRO, Mayra Rodrigues Fernandes. SENTIDOS E EXPERIÊNCIAS DOCENTE NO COTIDIANO DA ALFABETIZAÇÃO.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1350752-SENTIDOS-E-EXPERIENCIAS-DOCENTE-NO-COTIDIANO-DA-ALFABETIZACAO. Acesso em: 29/07/2026

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