OB A FOICE DA MEMÓRIA, OS PASSOS DO TEMPO CANTAM A SELVAGERIA DA PERDIÇÃO: O OCASO DOS AMANTES, ÓSCULO DO DESTINO, CONDENA A VIAGEM, DE SOPHIA DE MELLO ANDRESSEN

Publicado em 27/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2246-0

Título do Trabalho
OB A FOICE DA MEMÓRIA, OS PASSOS DO TEMPO CANTAM A SELVAGERIA DA PERDIÇÃO: O OCASO DOS AMANTES, ÓSCULO DO DESTINO, CONDENA A VIAGEM, DE SOPHIA DE MELLO ANDRESSEN
Autores
  • Matheus Pereira
  • Hermano de França Rodrigues
Modalidade
Resumo
Área temática
Simpósio 3: Literatura e Psicanálise
Data de Publicação
27/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-milba-624485/1417666-ob-a-foice-da-memoria-os-passos-do-tempo-cantam-a-selvageria-da-perdicao--o-ocaso-dos-amantes-osculo-do-destin
ISBN
978-65-272-2246-0
Palavras-Chave
Literatura feminina; Literatura Portuguesa; Psicanálise.
Resumo
Perante a travessia do (in)esperado, pélagos d’outrora, o testemunho dos primeiros viajantes deslinda-se pelas brumosas naus que, sequiosas de vida, navegaram os mares tortuosos do incerto, vias do possível encontro ao Si-mesmo, da verdade incauta que prescinde a existência. Deveras, tais foram as águas fontículas domadas por Ulisses que, munido da astúcia divina, conquistara o rumo dos caminhos, mesmo na perdição que se enjeitara nas tormentas de Poseidon, nos caudais do passado para que, enfim, conquistasse seu presente, garantindo-lhe o futuro de Ítaca; alhures, nas águas que banham o berço do mundo, nas quais Vishnu descansa a criação e a destruição, coligem-se a aventura de Rama que, na busca de superar os grilhões de seu exílio, resgatara a prometida Sita, raptada pelo imortal demônio Ravana, asseverando-lhe, pela conquista dos mares em sua condição humana, as honras de seu passado primordial, como o avatar do Mantenedor. Com efeito, mesmo incauto da sua ancestralidade pregressa, a criança forceja a bússola de seus caminhos pela conquista da descoberta do mundo, operada pela pulsão epistemofílica que, segundo os preceitos kleinianos e bioinianos, traduz-se pela peregrinação fantasística do corpo materno, ou seja, oceano primordial cujo desaguar incidirá nas descobertas do (re)conhecimento, cadências sinápticas e organizadoras da capacidade do pensar. Entretanto, o desconhecido vocifera a perdição, sequiosa por viajantes que elidam o passado, ignorando o presente, ao passo de mirar no futuro das ilusões, condicionando à repetição ao vazio abismal de sua potencialidade destrutiva. Eis o dédalo nefasto tracejado pela pena lírica de Sofia de Mello Andresen (1919-2004), insigne poeta portuguesa contemporânea que, em seus Contos exemplares (1962), obra escrita no regime salazarista, convidara seus personagens ao malogro d’A viagem. Nas coordenadas dessa evocação cervantiana, um casal inominado viaja a um oásis sonhado, uma terra de premissas virginais, de lagos cristalinos e relva intocada que o porvir os prometia. Contudo, na brevidade de sua estrada, ambos se perdem do caminho, impossibilitados de verterem os olhares e os seus passos ao já percorrido que, logo, torna-se estranhamente desconhecido. Assim, numa verdadeira edificação verbal, olvidam-se no tempo, retidos no futuro ilusório e no passado possível, sem que pudessem prever a perdição do presente que se desfia, linha de Penélope e roda do Dharma, em suas faces esperançosas do encontro. No espaço da manhã (nascimento), da tarde (maturação), e da noite (morte), os personagens experienciam a potência de seu desejo, da vivência do paraíso perdido, o qual o homem ignora, em nome do futuro, e a mulher pressente, pelas vozes do passado, renegados pela impossibilidade do (re)conhecimento, até que a separação tornar-se-á inevitável. Na criação desta parábola moderna, na qual a voz portuguesa, refém de seu presente nefasto, orienta-se pelo passado exemplar, urde-se uma aparelhagem estética capaz de evocar as coordenadas inconscientes do desamparo, vivenciado pela incapacidade do pensar, norte da perdição de nossos heróis, indolentes de seus acasos.
Título do Evento
IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários"
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários"
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Matheus; RODRIGUES, Hermano de França. OB A FOICE DA MEMÓRIA, OS PASSOS DO TEMPO CANTAM A SELVAGERIA DA PERDIÇÃO: O OCASO DOS AMANTES, ÓSCULO DO DESTINO, CONDENA A VIAGEM, DE SOPHIA DE MELLO ANDRESSEN.. In: Anais do IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários". Anais...Recife(PE) UFRPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-milba-624485/1417666-OB-A-FOICE-DA-MEMORIA-OS-PASSOS-DO-TEMPO-CANTAM-A-SELVAGERIA-DA-PERDICAO--O-OCASO-DOS-AMANTES-OSCULO-DO-DESTIN. Acesso em: 26/05/2026

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