VIOLÊNCIA SEXUAL E TRAUMA: UMA LEITURA PSICANALÍTICA DO ESTUPRO EM A LÍNGUA DO P, DE CLARICE LISPECTOR

Publicado em 27/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2246-0

Título do Trabalho
VIOLÊNCIA SEXUAL E TRAUMA: UMA LEITURA PSICANALÍTICA DO ESTUPRO EM A LÍNGUA DO P, DE CLARICE LISPECTOR
Autores
  • Anderson Pereira
Modalidade
Resumo
Área temática
Simpósio 3: Literatura e Psicanálise
Data de Publicação
27/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-milba-624485/1417536-violencia-sexual-e-trauma---uma-leitura-psicanalitica-do-estupro-em-a-lingua-do-p-de-clarice-lispector
ISBN
978-65-272-2246-0
Palavras-Chave
Clarice Lispector; Psicanálise; Trauma; Violência sexual
Resumo
O presente estudo visa discutir a violência sexual no conto A Língua do P, de Clarice Lispector, utilizando-se de uma perspectiva psicanalítica que possibilita uma leitura crítica da cultura do estupro. A narrativa, em terceira pessoa, revela-nos Cidinha que, dentro de um vagão de trem, teme ser violentada sexualmente por dois homens que elaboram um plano para tal empreendimento, uma língua cifrada (“a língua do p”), acreditando que ela não os compreenderia. Ciente do risco, bem como de sua vulnerabilidade, a personagem adota a estratégia de fingir ser uma prostituta, o que culmina em sua arbitrária prisão. O trauma do estupro, contudo, não se limita à mácula física, aspecto geralmente privilegiado pelo olhar médico, mas se desdobra em efeitos subjetivos que atravessam o corpo, reverberam na mente e se estendem à esfera social. A sociedade, nesse sentido, tornar-se-ia o lugar de estigmatização, exclusão e silenciamento. O conto que integra o volume “A via-crucis do corpo” foi publicado em 1974 pela extinta editora Artenova. Neste período, vigorava a atroz ditadura civil-militar brasileira. Assim, as relações de poder e subjetividade eram atravessadas por práticas autoritárias que reforçavam a invisibilidade da violência de gênero. Jurandir Freire Costa (1985) define a violência como coerção física ou ruptura deliberada de um contrato social ou legal, sempre implicando abuso de poder. Essa definição lança luz sobre a condição de Cidinha: vítima de uma desigualdade estrutural de gênero que a transforma em alvo de ameaça e, depois, de punição institucional. Na perspectiva freudiana, o trauma é entendido como um excesso de excitação que o aparelho psíquico não consegue elaborar (1895/2016). Essa abundância retorna em sintomas ou fantasias, alternando entre medo, interdito e desejo. No conto lispectoriano, a experiência traumática se traduz em perturbações psicossomáticas diante da violência iminente: tremores, pavores e compulsão de fumar são exemplos disso. Assim, A Língua do P mostra como corpo, mente, sociedade e linguagem se entrelaçam na experiência traumática.
Título do Evento
IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários"
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários"
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Anderson. VIOLÊNCIA SEXUAL E TRAUMA: UMA LEITURA PSICANALÍTICA DO ESTUPRO EM A LÍNGUA DO P, DE CLARICE LISPECTOR.. In: Anais do IX SEMINÁRIO MILBA: "Vozes contemporâneas femininas: memórias e imaginários". Anais...Recife(PE) UFRPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-milba-624485/1417536-VIOLENCIA-SEXUAL-E-TRAUMA---UMA-LEITURA-PSICANALITICA-DO-ESTUPRO-EM-A-LINGUA-DO-P-DE-CLARICE-LISPECTOR. Acesso em: 26/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes