TEORIA DA JUSTIÇA E O DESAFIO DAS DESIGUALDADES GLOBAIS: A ABORDAGEM DE NANCY FRASER

Publicado em 09/10/2025 - ISBN: 978-65-272-1737-4

Título do Trabalho
TEORIA DA JUSTIÇA E O DESAFIO DAS DESIGUALDADES GLOBAIS: A ABORDAGEM DE NANCY FRASER
Autores
  • Danielle Luzie Leite Toledo
  • Vinicius Antunes Reis
Modalidade
Artigo completo - Modelo
Área temática
Grupo de Trabalho (GT) 03 - Teoria política e pensamento político
Data de Publicação
09/10/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-fbcp/1205858-teoria-da-justica-e-o-desafio-das-desigualdades-globais--a-abordagem-de-nancy-fraser
ISBN
978-65-272-1737-4
Palavras-Chave
Justiça Social; Desigualdade; Equidade; Política; Mulheres.
Resumo
Introdução A justiça social tem sido amplamente abordado pela filosofia política contemporânea, com diferentes abordagens buscando compreender as desigualdades estruturais. Durante parte do século XX, o debate esteve amplamente focado na redistribuição econômica como principal mecanismo o alcance da equidade. Duas das principais correntes filosóficas debateram essa questão foram as desenvolvidas por John Rawls e Axel Honneth. Rawls, em sua obra Uma Teoria da Justiça, propõe um modelo de organização social e política liberal baseado na justiça redistributiva. Para ele, uma sociedade ordenada deve contar com mecanismos regulatórios e compensatórios que reduzam as desigualdades econômicas, garantindo condições equitativas de acesso a bens e oportunidades (Rawls, 2008). A partir dos anos 1980, movimentos sociais, especialmente feministas, contestaram a ideia de justiça restrita à economia, destacando a opressão cultural e a sub-representação política. O feminismo revelou como a discriminação de gênero, a violência estrutural e a marginalização limitam a cidadania feminina. Nancy Fraser propõe um modelo bifocal de justiça, unindo redistribuição econômica e reconhecimento cultural. Para ela, a injustiça simbólica surge de hierarquias sociais que subordinam grupos por meio da dominação cultural, do ocultamento e do desrespeito (Fraser, 2006). A solução, segundo Fraser, está no reconhecimento. Axel Honneth, em Luta por Reconhecimento: A Gramática Moral dos Conflitos Sociais, também enfatiza a dimensão simbólica da justiça, mas com um viés psicológico e intersubjetivo. Para ele, a identidade individual e coletiva é constituída pelo reconhecimento social, e a exclusão ou a negação desse reconhecimento gera profundas injustiças e conflitos sociais (Honneth, 2010). Assim, quando determinados grupos não são aceitos e respeitados na sociedade, sua marginalização não pode ser resolvida apenas por meio da redistribuição econômica, mas exige mudanças culturais e normativas que garantam sua inclusão simbólica e social (Castro, 2010). A partir de 2004, Fraser acrescenta a representação como terceiro eixo da justiça, tornando-a tridimensional: redistribuição econômica, reconhecimento cultural e representação política. Para garantir paridade participativa, é preciso superar a exclusão das mulheres dos espaços decisórios, a desvalorização de seu trabalho e a normalização da violência de gênero, que não podem ser resolvidas apenas com políticas redistributivas. A sub-representação feminina no poder reflete normas patriarcais que limitam sua participação. Para Fraser, a falta de representação política limita a incorporação de suas demandas. A justiça exige não só o reconhecimento das identidades de gênero, mas também mecanismos institucionais que ampliem a participação das mulheres na formulação de políticas, liderança e definição de agendas públicas. A exclusão das mulheres não se resume à distribuição desigual de recursos, mas à privação de poder político e simbólico. Fraser defende que um modelo de justiça inclusivo deve considerar equidade econômica, reconhecimento das diferenças e garantir que grupos marginalizados, como as mulheres, influenciem normas e instituições. Objetivos Este estudo tem como objetivo analisar a teoria da justiça de Nancy Fraser, sua relação com os estudos de Honneth e Rawls e sua relevância para a justiça social. Especificamente, busca compreender como a inclusão da dimensão política amplia a teoria e permite analisar desigualdades de gênero e compreender a justiça social como um mecanismo além da redistribuição econômica e do reconhecimento cultural, mas também como uma ferramenta que exija a paridade participativa das mulheres e de grupos marginalizados na esfera pública. Metodologia A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na revisão bibliográfica de obras centrais de Fraser, Honneth e Rawls, bem como de literatura secundária relevante para a compreensão e contextualização de seus conceitos. A análise crítica dos textos teóricos permite examinar como as diferentes dimensões da justiça são articuladas e aplicáveis às dinâmicas sociais contemporâneas. Além disso, a comparação entre as perspectivas desses autores possibilita identificar pontos de convergência e tensão, contribuindo para um debate mais aprofundado sobre as bases normativas da justiça social. Conclusão Ao incorporar a perspectiva de gênero, a análise evidencia que a ausência de mulheres nos espaços de poder não é apenas um reflexo da desigualdade econômica, mas também de barreiras culturais e institucionais que limitam sua atuação política. Dessa forma, a justiça social exige a implementação de políticas que não apenas redistribuam recursos, mas também promovam o reconhecimento da diversidade de identidades e garantam mecanismos institucionais para ampliar a participação ativa das mulheres na formulação de políticas públicas e na ocupação de cargos de liderança. O estudo, assim, reforça a necessidade de integrar as três dimensões da justiça para enfrentar as desigualdades contemporâneas e construir uma sociedade mais inclusiva e equitativa. REFERÊNCIAS CASTRO, Suzana de. Nancy Fraser e a teoria da justiça na contemporaneidade. Revista Redescrições – Revista on line do GT de Pragmatismo e Filosofia Norte-americana Ano 2, Número 2, 2010 FRASER, Nancy. A justiça social na globalização: Redistribuição, reconhecimento e participação. Revista Crítica de Ciências Sociais, 63, p.7-20, 2002. FRASER, Nancy, HONNETH, Axel. ¿Redistribuición o Reconocimento?”. Madri: Ediciones Morata, S. L, 2006. FRASER, Nancy. Mapeando a imaginação feminista: da redistribuição ao reconhecimento e à representação. Tradução de Ramayana Lira. Estudos Feministas, Florianópolis, p. 291-308, 2007. HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento, a gramática moral dos conflitos sociais. Trad. Luiz Repa. São Paulo: Ed. 34, 2009 (2ª. edição). RAWLS, John. Uma teoria da justiça. Trad. Jussara Simões. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
Título do Evento
IX Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais FBCP - Impasses globais, lentes plurais: as tensões democráticas pelo ângulo do Brasil
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TOLEDO, Danielle Luzie Leite; REIS, Vinicius Antunes. TEORIA DA JUSTIÇA E O DESAFIO DAS DESIGUALDADES GLOBAIS: A ABORDAGEM DE NANCY FRASER.. In: Anais FBCP - Impasses globais, lentes plurais: as tensões democráticas pelo ângulo do Brasil. Anais...Sao Paulo(SP) USP, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-fbcp/1205858-TEORIA-DA-JUSTICA-E-O-DESAFIO-DAS-DESIGUALDADES-GLOBAIS--A-ABORDAGEM-DE-NANCY-FRASER. Acesso em: 30/04/2026

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