FRONTEIRAS ÉTNICAS E POLÍTICAS URBANAS: O FENÔMENO DO SOBRENOME NO BAIRRO DE UMBARÁ EM CURITIBA/PR

Publicado em 14/02/2024 - ISBN: 978-65-272-0268-4

Título do Trabalho
FRONTEIRAS ÉTNICAS E POLÍTICAS URBANAS: O FENÔMENO DO SOBRENOME NO BAIRRO DE UMBARÁ EM CURITIBA/PR
Autores
  • Milena Aparecida Chaves
  • VALQUIRIA ELITA RENK
Modalidade
Resumo/Trabalho completo - Apresentação oral
Área temática
Eixo 8: Geografia Política e Geopolítica Urbanas
Data de Publicação
14/02/2024
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ivcongeo/670039-fronteiras-etnicas-e-politicas-urbanas--o-fenomeno-do-sobrenome-no-bairro-de-umbara-em-curitibapr
ISBN
978-65-272-0268-4
Palavras-Chave
Fronteiras étnicas, urbanização, Curitiba.
Resumo
A partir de uma análise de material historiográfico e teórico, a pesquisa a seguir discute sobre o estabelecimento das famílias de imigrantes pioneiras no local e os desdobramentos das políticas urbanas acerca da transformação na cidade de Curitiba após a década de 1960. O recorte do território selecionado é o bairro de Umbará, fundado por volta de 1880 por italianos e poloneses remigrados das colônias estabelecidas em Curitiba, localizado a mais de 20km do centro da cidade (ZANON, 2002). A característica das propriedades provenientes das famílias de imigrantes pioneiras do bairro se dá pelas chácaras urbanas, antes pequenas propriedades agrícolas de subsistência, abastecimento e comércio de excedentes da produção (ZANON, 2002), o que garante sua característica de demarcação como “Zona Rural” nas primeiras versões do Plano Diretor da cidade de Curitiba. O crescimento populacional do bairro, após os anos 1990, mudou a configuração das novas moradias para terrenos menores, muitas vezes provenientes da dissolução de algumas dessas chácaras (ALBUQUERQUE, 2008), trazendo assim o contraste entre os grupos étnicos presentes no local, principalmente entre os “com sobrenome” e os “sem sobrenome”. Fredrik Barth (1998), ao tratar da noção de grupo étnico estabelece que o que caracteriza um grupo não necessariamente tem a ver com fronteiras geográficas e políticas de um espaço. Elas podem existir, mas são apenas um aspecto em sua composição. Um grupo étnico não necessariamente define-se como uma sociedade, mas sim por seu conjunto de características que os diferem dos demais, as “fronteiras étnicas” estabelecidas. A maioria das análises encontradas sobre o processo de urbanização da cidade de Curitiba, em específico do bairro de Umbará tem um caráter historiográfico e descritivo, porém, foram localizadas poucas análises abordando características acerca das diferenças culturais dentro do bairro. Esta pesquisa visou trazer uma nova perspectiva acerca das relações instituídas no espaço e porquê a cultura dessas famílias está tão ligada à terra de seus antepassados. O objetivo da pesquisa, foi fazer uma análise destas fronteiras culturais e sociais e seus desdobramentos entre as famílias tradicionais já estabelecidas há mais de um século no bairro com os demais grupos étnicos que ocupam o espaço, como os ocupantes das moradias populares que “invadem” o cenário do bairro a partir da década de 90. Para compreender o conceito de espaço urbano, foi usada a definição de Roberto Corrêa, sendo este “um produto social, resultado de ações acumuladas através do tempo, e engendradas por agentes que produzem e consomem espaço” (CORRÊA, 2004, p.11). Neste contexto, ao tratar sobre o papel dos proprietários fundiários na construção do espaço, o autor discorre sobre a influência e a “pressão junto ao Estado” (CORRÊA, 2004. p. 16) para interferir nas leis de uso do solo e nas políticas de desenvolvimento e zoneamento urbano. A identidade local em Umbará é definida por fatores que estão além apenas da posse ou não de um espaço. Essa diferenciação nítida no tamanho das propriedades, relacionadas ao contraste de poder aquisitivo entre os moradores da região, deixa uma fronteira muito bem delimitada e visível: a área no bairro onde residem os “com sobrenome”, onde as chácaras e terrenos maiores são predominantes e a área onde predominam programas de loteamentos da COHAB-CT, onde em sua maioria habitam os “sem sobrenome”. A posse de determinadas parcelas de terra se torna parte importante na manutenção de um status na hierarquia local, além de questões econômicas ligadas ao desenvolvimento comercial desta famílias de “pioneiros” no local. O aumento do capital dessas famílias, relacionado à posse de terras e ao comércio no local, os insere na lógica de construção do espaço numa outra posição. Antes, os pequenos agricultores lutando pela própria sobrevivência dentro de um sistema de subsistência, agora, empresários detentores de boa parte das propriedades urbanas (valorizadas) na região. A partir da análise desses marcos históricos, discursos e legislação de ocupação e uso do solo na região, é possível notar estas “fronteiras étnicas” (BARTH, 1998). Assim, um grupo se definiria justamente em critérios de exclusão, o que poderia ser caracterizado por “membros” e “não-membros” daquele conjunto (BARTH, 1998). O próprio sobrenome nesse caso serve como demarcação primária dessa diferença. O nome de um indivíduo pertencente a um espaço geográfico em comum com os demais, nesse caso, fala sobre uma trajetória. As famílias estabelecidas no processo de ocupação posterior à década de 90 na região, além da diferença gritante entre a distribuição das propriedades provenientes dos programas da COHAB em Curitiba dos terrenos pertencentes a famílias descendentes de pioneiros, os outsiders são marcados pela fronteira de discurso e pela hierarquia social e econômica estabelecida no bairro.
Título do Evento
IV Congresso Brasileiro de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território (CONGEO)
Cidade do Evento
São Paulo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território - CONGEO
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CHAVES, Milena Aparecida; RENK, VALQUIRIA ELITA. FRONTEIRAS ÉTNICAS E POLÍTICAS URBANAS: O FENÔMENO DO SOBRENOME NO BAIRRO DE UMBARÁ EM CURITIBA/PR.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território - CONGEO. Anais...Sao Paulo(SP) USP, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/IVCONGEO/670039-FRONTEIRAS-ETNICAS-E-POLITICAS-URBANAS--O-FENOMENO-DO-SOBRENOME-NO-BAIRRO-DE-UMBARA-EM-CURITIBAPR. Acesso em: 11/06/2026

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