A BELÉM DA COP-30, ENTRE LEGADOS DE LUTAS E DE RACISMO SOCIOAMBIENTAL

Publicado em 22/05/2026 - ISBN: 978-65-272-2452-5

Título do Trabalho
A BELÉM DA COP-30, ENTRE LEGADOS DE LUTAS E DE RACISMO SOCIOAMBIENTAL
Autores
  • Brenda Vicente Taketa
  • Guilherme Guerreiro Neto
Modalidade
Submissão de Resumo para GT
Área temática
GT 10 - Expulsões, contenções e controles territoriais no semiárido brasileiro
Data de Publicação
22/05/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-seminario-politica-cultura-ambiente-pocam/1487390-a-belem-da-cop-30-entre-legados-de-lutas-e-de-racismo-socioambiental
ISBN
978-65-272-2452-5
Palavras-Chave
Belém, COP-30, Amazônia, racismo socioambiental, jornalismo, imagens
Resumo
Importadas da Indonésia, as “ecoárvores” talvez sejam a imagem mais representativa das contradições de Belém como sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. As árvores artificiais, erguidas por vergalhões de ferro e cobertas por trepadeiras, com copas formadas por vasos de plantas, foram implantadas em um dos pontos recém-construídos na cidade. Para além do estranhamento estético, a imagem serve como ícone de uma lógica anti-ecológica e socioambientalmente racista na capital amazônica. Desde o anúncio da escolha pela ONU, dois anos antes, políticos, formadores de opinião e ativistas começaram a discutir qual seria o real legado do evento para a cidade, que se tornou um canteiro com mais de 30 obras realizadas simultaneamente, a maior parte delas com denúncias de graves violações e impactos socioambientais. No decorrer desse período, agências jornalísticas independentes, como Sumaúma e O Joio e Trigo, acompanharam a construção dos parques, rodovias e equipamentos urbanos definidos como prioritários pelos governos. Os bilhões de reais dos projetos foram custeados por bancos estatais ou multilaterais e, em alguns casos, executados diretamente por empresas mineradoras e de produção de energia, como a Vale e a Itaipu Binacional. A maior parte deles sem consultas prévias e audiências públicas com as comunidades afetadas ou com estudos de impactos e licenças ambientais frágeis, emitidas sob pressão dos governos. Em seis reportagens elaboradas e analisadas pelos proponentes deste trabalho, 41 habitantes, de 14 pontos afetados pelos projetos da COP30, foram entrevistados, expressando visões e diferentes afetos gerados pelas obras e pela realização da COP-30. Entre as fontes, estão mulheres ativistas, descendentes de ribeirinhos e indígenas expulsos da Amazônia venezuelana por grandes projetos agrominerais. Esses testemunhos evidenciam o quanto as intervenções aprofundaram o mundo partido das cidades colonizadas (Fanon, 2005). De um lado, expressam as tensões entre quem vive, circula e produz, por meio do trabalho social, os bairros que concentram infraestrutura, servindo de eixos com capacidade de controlar os preços de imóveis em boa parte da cidade, e outros que, concretamente, acumulam histórias perversamente reveladoras das suas desigualdades, como lixões em que pessoas morreram anonimamente esmagadas por tratores. De outro, ajudam a compor imagens em que o passado de negação dos rios e florestas é, ao mesmo tempo, repetido pelas classes dominantes e confrontado por lutas sociais contra projetos alheios às necessidade de enfrentamento da emergência climática.
Título do Evento
IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm)
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm)
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TAKETA, Brenda Vicente; NETO, Guilherme Guerreiro. A BELÉM DA COP-30, ENTRE LEGADOS DE LUTAS E DE RACISMO SOCIOAMBIENTAL.. In: Anais do IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm). Anais...Juazeiro(BA) Univasf, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-seminario-politica-cultura-ambiente-pocam/1487390-A-BELEM-DA-COP-30-ENTRE-LEGADOS-DE-LUTAS-E-DE-RACISMO-SOCIOAMBIENTAL. Acesso em: 28/05/2026

Trabalho

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