ACERCA DOS COCOS E DAS SECAS: UMA ETNOGRAFIA SOBRE CIÊNCIA E CONSERVAÇÃO ENTRE SERTANEJOS, MACACOS-PREGO E PRIMATÓLOGAS NO SUL PIAUIENSE

Publicado em 22/05/2026 - ISBN: 978-65-272-2452-5

Título do Trabalho
ACERCA DOS COCOS E DAS SECAS: UMA ETNOGRAFIA SOBRE CIÊNCIA E CONSERVAÇÃO ENTRE SERTANEJOS, MACACOS-PREGO E PRIMATÓLOGAS NO SUL PIAUIENSE
Autores
  • Mateus Oka
Modalidade
Submissão de Resumo para GT
Área temática
GT 05 - Viver na caatinga, produzir no semiárido: Modos de vida, práticas de governo e outras franjas do mundo pós-sertão
Data de Publicação
22/05/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-seminario-politica-cultura-ambiente-pocam/1462052-acerca-dos-cocos-e-das-secas--uma-etnografia-sobre-ciencia-e-conservacao-entre-sertanejos-macacos-prego-e-prima
ISBN
978-65-272-2452-5
Palavras-Chave
Conservação, Primatologia, Seca, Nordeste, Piauí
Resumo
O discurso hegemônico a respeito do Nordeste do Brasil é, assim como em outras áreas áridas e semiáridas no mundo, carregado de violência racial, sendo caracterizado por suas faltas em termos de produtividade agrícola, virtudes civilizatórias, e o medo de que a seca seja uma condição que tende a se alastrar, prejudicando as metrópoles e as áreas produtivas. Neste contexto, entre os municípios atualmente classificados como núcleos de desertificação, há Gilbués (PI), localizado no ecótono entre Cerrado e Caatinga. Na região, a migração do campo para os centros urbanos tem se intensificado entre pequenos agricultores locais. Entretanto, a família Oliveira, proprietária de uma terra chamada Boa Vista no interior do município, tem manejado sua permanência no território. Um fator central para essa permanência é o envolvimento da família em pesquisas científicas sobre macacos-prego (Sapajus libidinosus), identificados como usadores de ferramentas de pedra, sendo capazes de quebrar, com movimentos percussivos, cocos de casca dura. Essa descoberta atraiu primatólogas do Brasil, Estados Unidos e Itália, dando origem a um projeto de pesquisa que se estende por mais de duas décadas. Membros da família Oliveira trabalham ativamente no projeto. Nesse contexto, alguns anos atrás, um deles propôs para as cientistas um estudo comparativo sobre a disponibilidade de cocos das palmeiras ao longo do tempo. O mateiro que propôs o estudo havia observado que os frutos quebrados pelos macacos estavam se tornando mais escassos devido ao aumento das temperaturas e à seca. Essa avaliação foi posteriormente corroborada pelas pesquisas, o que fortaleceu o argumento das primatólogas de que, embora macacos-prego não estejam ameaçados de extinção, a sua cultura de uso de ferramentas está em risco. A partir de uma etnografia realizada com a família Oliveira, primatólogas e macacos-prego, esta apresentação busca examinar como a seca, as desigualdades sociais e as relações multiespécies são continuamente reinventadas, considerando o crescimento da agroindústria de soja em larga escala e as mudanças climáticas que intensificam o calor e a seca. Propõe-se, nesse cenário, uma discussão acerca dos conceitos de “conservação” e de “ciência”, procurando refletir sobre o que as complexas relações descritas no sul piauiense podem nos fazer pensar acerca das alianças possíveis entre sistemas de conhecimento científicos e tradicionais.
Título do Evento
IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm)
Cidade do Evento
Juazeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm)
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OKA, Mateus. ACERCA DOS COCOS E DAS SECAS: UMA ETNOGRAFIA SOBRE CIÊNCIA E CONSERVAÇÃO ENTRE SERTANEJOS, MACACOS-PREGO E PRIMATÓLOGAS NO SUL PIAUIENSE.. In: Anais do IV Seminário Política, Cultura e Ambiente (PoCAm). Anais...Juazeiro(BA) Univasf, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-seminario-politica-cultura-ambiente-pocam/1462052-ACERCA-DOS-COCOS-E-DAS-SECAS--UMA-ETNOGRAFIA-SOBRE-CIENCIA-E-CONSERVACAO-ENTRE-SERTANEJOS-MACACOS-PREGO-E-PRIMA. Acesso em: 10/08/2026

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