O ENFERMEIRO NA LINHA DE FRENTE CONTRA A SEPSE: DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÕES PRECOCES EM AMBIENTES CRÍTICOS

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
O ENFERMEIRO NA LINHA DE FRENTE CONTRA A SEPSE: DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÕES PRECOCES EM AMBIENTES CRÍTICOS
Autores
  • Maria Francikelly lima gomes
  • JOSÉ GLEDSON COSTA SILVA
  • Maysa de Oliveira Barbosa
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Inovação e Tecnologias no Cuidado – avanços tecnológicos, telemedicina, saúde digital e aplicação de novas ferramentas no cuidado.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1390934-o-enfermeiro-na-linha-de-frente-contra-a-sepse--diagnostico-e-intervencoes-precoces-em-ambientes-criticos
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Sepse, Enfermagem, Diagnóstico Precoce, Intervenção Precoce, Unidade de Terapia Intensiva.
Resumo
INTRODUÇÃO A sepse é considerada uma síndrome clínica de alta complexidade, caracterizada por uma resposta inflamatória sistêmica desregulada frente a um agente infeccioso. Trata-se de uma condição crítica, associada a altas taxas de morbidade e mortalidade, especialmente em ambientes hospitalares de alta complexidade como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a sepse seja responsável por aproximadamente 11 milhões de mortes por ano em todo o mundo, configurando-se como uma das principais causas de óbito evitável em ambientes hospitalares (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2020). O reconhecimento precoce da sepse é um dos pilares fundamentais para a redução das complicações e da mortalidade associadas à condição. Evidências apontam que a identificação rápida dos sinais clínicos, aliada à implementação imediata de medidas terapêuticas, é capaz de alterar significativamente o prognóstico do paciente (Kleinpell, 2017). Nesse cenário, destaca-se o papel do enfermeiro, profissional que atua na linha de frente da assistência direta e contínua, especialmente em unidades críticas. Entretanto, a atuação do enfermeiro diante da sepse ainda enfrenta diversos obstáculos, como a carência de capacitação específica, ausência de protocolos institucionais padronizados e fragilidades na comunicação entre os membros da equipe multiprofissional (Silva et al., 2020). Diante disso, torna-se imperativo compreender as estratégias que favorecem o diagnóstico precoce e a intervenção oportuna por parte da equipe de enfermagem. OBJETIVO Analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os principais desafios e estratégias para o diagnóstico e intervenção precoce da sepse por enfermeiros em unidades de terapia intensiva. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que visa sintetizar os resultados de estudos relevantes, permitindo a construção de um panorama abrangente sobre o tema investigado. A condução metodológica seguiu as etapas descritas por Souza, Silva e Carvalho (2010), compreendendo: definição da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão, seleção dos estudos, extração e análise dos dados, e apresentação dos resultados. A pergunta norteadora da revisão foi elaborada a partir da estratégia PICo: P (população) – enfermeiros; I (intervenção) – diagnóstico e intervenção precoce; Co (contexto) – unidades de terapia intensiva. A busca foi realizada nas bases de dados LILACS, SciELO e PubMed/MEDLINE, entre os meses de junho e agosto de 2025. Foram utilizados os descritores controlados: “sepse/because”, “enfermagem/ nursing”, “diagnóstico precoce/early diagnosis”, “intervenção precoce/early intervention” e “unidade de terapia intensiva/intensive care unit”, combinados com os operadores booleanos “AND” e “OR”. Foram incluídos estudos originais, publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra em português e que abordassem a atuação da enfermagem na sepse em UTIs. Excluíram-se artigos duplicados, editoriais, resumos de eventos, teses, dissertações e estudos que não respondiam à questão de pesquisa. A seleção foi realizada em três etapas: leitura de títulos, resumos e leitura na íntegra. Utilizou-se o modelo PRISMA 2020 (Page et al., 2021) para a transparência da triagem. A análise dos estudos incluiu categorização temática dos achados e classificação do nível de evidência conforme Melnyk e Fineout-Overholt (2018). RESULTADOS E DISCUSSÃO A busca sistemática nas bases de dados resultou em um total de 217 artigos. Após a exclusão de duplicatas (n = 21) e da aplicação do critério de recorte temporal (exclusão de 140 estudos publicados fora do intervalo entre 2020 e 2025), 77 publicações seguiram para a etapa de triagem por leitura de título e resumo. Dentre essas, 52 foram excluídas por não atenderem aos critérios de elegibilidade previamente definidos. Assim, 25 estudos foram selecionados para leitura na íntegra, resultando em uma amostra final composta por 12 artigos científicos, os quais foram submetidos à análise qualitativa. A leitura analítica e a extração de dados desses estudos possibilitaram a organização dos achados em três categorias temáticas principais, construídas com base na convergência dos conteúdos e na recorrência de tópicos relacionados ao papel da enfermagem no manejo da sepse em ambientes críticos. CATEGORIA 1 – A SEPSE COMO DESAFIO DE SAÚDE PÚBLICA A sepse figura como um dos principais desafios da saúde pública contemporânea, caracterizando-se por sua elevada incidência, alta letalidade e impacto expressivo sobre os sistemas de saúde. Os estudos analisados reforçam que a apresentação clínica inespecífica da síndrome frequentemente confundida com outras condições agudas que muitas vezes dificulta sua identificação precoce e retarda a implementação das medidas terapêuticas adequadas (Pereira et al., 2021; Silva et al., 2020). Além disso, o tempo decorrido entre o início dos sintomas e o início do tratamento, especialmente da antibioticoterapia, é apontado como fator crítico. Quanto maior esse intervalo, maior o risco de progressão da sepse para choque séptico e falência de múltiplos órgãos, elevando consideravelmente os índices de mortalidade. Nesse contexto, o reconhecimento imediato da deterioração clínica torna-se um fator determinante para a sobrevivência dos pacientes. CATEGORIA 2 – O PAPEL DO ENFERMEIRO NA IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DA SEPSE Os dados evidenciam que o enfermeiro, por estar continuamente ao lado do paciente e responsável pelo monitoramento sistemático dos sinais vitais e do estado clínico geral, desempenha um papel central no reconhecimento precoce da sepse. A utilização de ferramentas clínicas padronizadas, como os escores de alerta precoce qSOFA (Quick Sequential Organ Failure Assessment), MEWS (Modified Early Warning Score) e NEWS (National Early Warning Score), foi apontada como fundamental para aumentar a acurácia diagnóstica nas fases iniciais da síndrome (Reis et al., 2021). A atuação do enfermeiro nas chamadas “golden hours”, período considerado crítico para a reversão dos processos fisiopatológicos iniciais da sepse que é descrita como decisiva. Intervenções realizadas pela equipe de enfermagem neste intervalo foram associadas à redução do tempo de internação, à prevenção de complicações clínicas e à queda nos índices de mortalidade hospitalar (Kleinpell, 2017; Sousa et al., 2023). Cabe destacar, ainda, que a proatividade do enfermeiro, aliada ao domínio técnico-científico sobre os protocolos institucionais e à capacidade de tomar decisões clínicas fundamentadas, potencializa o alcance de melhores resultados assistenciais. O reconhecimento precoce da sepse não depende apenas de conhecimento técnico, mas também de sensibilidade clínica e julgamento profissional, competências que podem ser desenvolvidas e aprimoradas por meio de capacitação permanente. CATEGORIA 3 – BARREIRAS E FACILITADORES À IMPLEMENTAÇÃO DE PROTOCOLOS DE SEPSE A análise crítica dos estudos revelou que, apesar da existência de diretrizes clínicas baseadas em evidências, a implementação efetiva dos protocolos de sepse ainda enfrenta importantes obstáculos. Entre os principais entraves identificados estão: a ausência ou fragilidade de protocolos institucionais bem definidos, a sobrecarga de trabalho nas UTIs, a limitação de recursos materiais e humanos, bem como a deficiência em treinamentos específicos e regulares para a equipe de enfermagem (Silva et al., 2020; Sousa et al., 2023). Em contrapartida, os estudos também apontam estratégias facilitadoras que demonstraram impacto positivo na prática clínica. A institucionalização de protocolos gerenciados por enfermeiros, o uso sistemático de escores de alerta precoce, a implantação de bundles de sepse (conjunto de intervenções interdependentes baseadas em evidências), e principalmente, a educação permanente em saúde, foram identificadas como medidas eficazes para qualificar o cuidado e elevar a adesão às diretrizes clínicas (Reis et al., 2021; Sousa et al., 2023). A atuação integrada entre os diferentes membros da equipe multiprofissional e o fortalecimento da comunicação interprofissional também foram destacados como elementos essenciais para a eficácia dos protocolos. Instituições que promovem a valorização do enfermeiro como agente ativo na gestão do cuidado, associando esse reconhecimento a programas de capacitação e estratégias de suporte institucional, obtiveram melhores indicadores de qualidade e segurança do paciente. Dessa forma, os achados revelam que, embora existam barreiras estruturais e organizacionais que limitam a atuação ideal do enfermeiro no manejo da sepse, há um conjunto consistente de estratégias e ferramentas capazes de promover melhorias significativas na assistência. A atuação do enfermeiro, quando embasada em conhecimento científico atualizado e respaldada por protocolos institucionais, constitui-se como um fator chave para a prevenção de agravamentos e para a promoção de desfechos clínicos mais favoráveis em pacientes sépticos. CONCLUSÃO A presente revisão integrativa evidenciou que a atuação do enfermeiro no reconhecimento e intervenção precoce da sepse em unidades críticas é essencial para a melhoria dos desfechos clínicos. A proximidade com o paciente, aliada ao uso de instrumentos clínicos padronizados, confere ao enfermeiro condições de identificar rapidamente alterações clínicas sugestivas de sepse. Contudo, a efetividade dessa atuação depende da existência de protocolos institucionais, suporte gerencial, capacitação contínua e integração entre os membros da equipe multiprofissional. A implementação de estratégias educativas, bem como a valorização da prática baseada em evidências, são fundamentais para fortalecer a atuação do enfermeiro e garantir uma assistência mais segura e resolutiva. Finalmente, recomenda-se o desenvolvimento de novos estudos que investiguem a eficácia de programas de capacitação voltados à sepse, bem como a avaliação dos impactos da liderança da enfermagem na gestão de protocolos clínicos.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GOMES, Maria Francikelly lima; SILVA, JOSÉ GLEDSON COSTA; BARBOSA, Maysa de Oliveira. O ENFERMEIRO NA LINHA DE FRENTE CONTRA A SEPSE: DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÕES PRECOCES EM AMBIENTES CRÍTICOS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1390934-O-ENFERMEIRO-NA-LINHA-DE-FRENTE-CONTRA-A-SEPSE--DIAGNOSTICO-E-INTERVENCOES-PRECOCES-EM-AMBIENTES-CRITICOS. Acesso em: 06/02/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes