OS DESAFIOS DA DOCÊNCIA DURANTE A PANDEMIA EM UMA ESCOLA DO CAMPO DA CIDADE DE PADRE MARCOS - PI

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
OS DESAFIOS DA DOCÊNCIA DURANTE A PANDEMIA EM UMA ESCOLA DO CAMPO DA CIDADE DE PADRE MARCOS - PI
Autores
  • Weslley Simão De Carvalho
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386079-os-desafios-da-docencia-durante-a-pandemia-em-uma-escola-do-campo-da-cidade-de-padre-marcos---pi
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Ensino remoto, Docência, Educação no campo, Pandemia.
Resumo
INTRODUÇÃO O mundo passou por diversas transformações nas últimas décadas, mas poucas tiveram o impacto global da pandemia da COVID-19. A partir de 2020, o novo coronavírus alterou de forma profunda o cotidiano da sociedade, afetando a economia, a saúde e, sobretudo, a educação. Essa crise exigiu adaptações rápidas e intensas de escolas, professores e alunos, especialmente em comunidades rurais, onde o acesso às tecnologias digitais é mais restrito. Enquanto os grandes centros urbanos contavam com maior infraestrutura e acesso à internet, as pequenas comunidades enfrentaram desafios significativos para manter o processo de ensino-aprendizagem. A introdução das aulas remotas, como medida emergencial, impôs uma ruptura nos modelos tradicionais de ensino e exigiu dos docentes um esforço de reinvenção de suas práticas pedagógicas. Com base nesse cenário, o presente estudo busca compreender o trabalho realizado pelos professores da Unidade Escolar Municipal José Jubelino de Macedo, localizada na comunidade Canto Alegre, município de Padre Marcos – PI, durante a pandemia da COVID-19, entre 2020 e 2021. O objetivo é identificar os desafios enfrentados pelos docentes, bem como analisar os impactos positivos e negativos no processo educacional. Além disso, pretende-se refletir sobre as implicações dessa experiência para a saúde mental e emocional dos professores, destacando como o ensino remoto demandou novas habilidades, adaptações e resiliência. Dessa forma, a pesquisa contribui para o campo do saber ao evidenciar a realidade de professores da zona rural e suas estratégias para enfrentar um contexto adverso. ⸻ METODOLOGIA A definição de um percurso metodológico sólido é essencial para a credibilidade e fundamentação de qualquer pesquisa científica. Este trabalho utilizou como métodos a pesquisa bibliográfica e a aplicação de um questionário dicotômico. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir da leitura e análise de autores que discutem os impactos da pandemia na educação, o papel do professor e as transformações no processo de ensino-aprendizagem. Essa etapa foi fundamental para a construção de uma base teórica consistente. Além disso, foi elaborado um questionário com perguntas abertas e fechadas, a fim de obter dados sobre a experiência dos docentes durante o período de ensino remoto. O instrumento foi produzido no Google Formulários e enviado de forma eletrônica, por meio do grupo de WhatsApp dos professores da Unidade Escolar Municipal José Jubelino de Macedo que atuaram nos anos de 2020 e 2021. Essa abordagem possibilitou agilidade na coleta de dados e acessibilidade para os participantes, respeitando o contexto de isolamento social. As perguntas buscaram compreender a percepção dos docentes quanto à motivação, metodologias empregadas, dificuldades encontradas e impactos do ensino remoto na aprendizagem dos alunos. ⸻ REFERENCIAL TEÓRICO A pandemia da COVID-19, surgida na China em 2019, provocou uma crise sanitária global que afetou profundamente as relações sociais e profissionais. Causada pelo vírus SARS-CoV-2, a doença apresenta alto risco de contaminação, exigindo medidas de distanciamento social e mudanças drásticas no comportamento coletivo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria dos pacientes infectados (cerca de 80%) pode ser assintomática, enquanto outros necessitam de atendimento médico e, em casos graves, podem vir a óbito diante de complicações respiratórias. Entre os inúmeros setores afetados, a educação se destacou pela necessidade de adaptação imediata. As aulas presenciais foram suspensas, e o ensino remoto emergiu como alternativa para garantir a continuidade do processo educativo. Essa transformação impôs desafios pedagógicos, tecnológicos e emocionais tanto para professores quanto para alunos. Segundo Pinto (2014), as dificuldades no processo de ensino-aprendizagem no Brasil já eram expressivas antes da pandemia, em razão da falta de investimento em políticas públicas que promovessem a melhoria da educação. Além de escolas mal equipadas, os profissionais da educação enfrentam baixos salários e jornadas de trabalho extensas, o que agrava o cenário em tempos de crise sanitária. Se os impactos da pandemia foram intensos nos grandes centros urbanos, ainda mais complexos se tornaram nas escolas rurais, onde os recursos tecnológicos são escassos. De acordo com Costa, é responsabilidade das instituições escolares oferecer suporte e capacitação aos docentes, especialmente em períodos de adversidade. Como destaca o autor: “Espera-se apoio técnico e regras objetivas e definidas para o formato do modelo remoto de aula.” O trabalho remoto, portanto, representou um dos maiores desafios para os professores. Além da dificuldade de acesso à tecnologia, houve a necessidade de lidar com novas formas de interação e avaliação. Nesse sentido, Silva (2020, apud White, 2007) enfatiza: “O desafio maior do professor no ensino via internet não está na mudança do conhecimento, regras, habilidades e práticas por si, mas nas mudanças da identidade e do ‘eu’ do professor em cada um destes domínios.” Essa reflexão evidencia que a transformação do ensino remoto ultrapassa o campo técnico e alcança dimensões emocionais e identitárias, relacionadas à saúde mental docente e à reconstrução de sua prática pedagógica. ⸻ RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir das respostas obtidas pelos questionários aplicados aos professores da Unidade Escolar Municipal José Jubelino de Macedo, foi possível analisar de forma crítica os desafios e percepções sobre o ensino remoto. O total de participantes foi de oito docentes, dos quais sete eram efetivos e um substituto. Todos possuíam formação superior em diversas áreas da licenciatura, com exceção de um que ainda estava em processo de graduação. A faixa etária variou entre 22 e 38 anos, e todos atuavam no Ensino Infantil, Ensino Fundamental ou na Educação de Jovens e Adultos. Quando questionados sobre a motivação diante do modelo de aulas remotas, 50% afirmaram sentir-se motivados, 37,5% disseram não estar motivados e 12,5% declararam-se razoavelmente motivados. Esses dados indicam que, apesar das adversidades, metade dos professores manteve-se engajada em suas atividades, revelando resiliência e compromisso com o ensino. Quanto às metodologias utilizadas, destacaram-se o uso de vídeos e slides, envio de atividades impressas e via WhatsApp, produção de vídeos, pesquisas exploratórias e o uso da criatividade e inteligência emocional. Tais estratégias evidenciam a tentativa dos docentes de integrar práticas tradicionais e recursos tecnológicos para manter o vínculo pedagógico com os alunos. No entanto, os professores relataram diversas dificuldades, como a falta de suporte tecnológico para os estudantes, o comprometimento irregular dos alunos com os horários das aulas, a ausência de internet ou aparelhos adequados, a dificuldade de manter a atenção das crianças e a falta do contato presencial. Esses obstáculos impactaram diretamente o desempenho e a aprendizagem. Os pontos negativos mais mencionados foram a falta de acesso à internet, a baixa participação dos alunos, a dificuldade na avaliação do desenvolvimento estudantil e a ausência de capacitação tecnológica para os professores. Também foi relatada a sobrecarga emocional, intensificada pelo acúmulo de funções e pela necessidade de conciliar o trabalho remoto com as demandas pessoais — fator diretamente relacionado à saúde mental docente. Por outro lado, também foram observados aspectos positivos. Alguns professores relataram que as aulas remotas proporcionaram novas formas de expressão, maior autonomia para os alunos e flexibilidade na rotina. Houve ainda o desenvolvimento de habilidades digitais e o fortalecimento da criatividade no ensino. Essa experiência, ainda que desafiadora, contribuiu para a modernização das práticas pedagógicas e para a ampliação das competências tecnológicas dos professores. No que diz respeito ao uso de plataformas digitais, apenas dois docentes afirmaram utilizar o Google Meet, enquanto seis relataram não ter utilizado aplicativos como Zoom ou Google Classroom. Entre os recursos mais empregados estavam o WhatsApp, vídeos do YouTube, materiais impressos e jogos educativos online. Quando questionados se a escola disponibilizou suporte adequado, as respostas se dividiram igualmente entre “sim”, “em partes” e “não”, revelando uma falta de padronização institucional no enfrentamento da crise. Essa ausência de apoio reflete a fragilidade estrutural da educação pública e evidencia a necessidade de políticas educacionais mais equitativas, sobretudo para escolas rurais. ⸻ CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados apresentados evidenciam que a pandemia da COVID-19 impôs grandes desafios à educação, especialmente nas escolas rurais. A transição abrupta para o ensino remoto exigiu dos docentes esforço, criatividade e adaptação a novas ferramentas, muitas vezes sem o suporte necessário das instituições. Apesar das dificuldades, observou-se a manutenção do compromisso e da motivação de parte significativa dos professores, que buscaram estratégias para garantir a continuidade do processo de ensino-aprendizagem. O cenário também trouxe lições importantes sobre a necessidade de formação continuada e de políticas públicas que promovam a inclusão digital e o cuidado com a saúde mental dos educadores. Dessa forma, este estudo contribui para compreender a realidade vivenciada pelos professores da zona rural e reforça a importância de se pensar a educação como um espaço de promoção de saúde, bem-estar e cidadania. Mesmo diante de um contexto adverso, a experiência do ensino remoto revelou a capacidade de reinvenção da prática docente e o compromisso dos professores com a transformação social.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARVALHO, Weslley Simão De. OS DESAFIOS DA DOCÊNCIA DURANTE A PANDEMIA EM UMA ESCOLA DO CAMPO DA CIDADE DE PADRE MARCOS - PI.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386079-OS-DESAFIOS-DA-DOCENCIA-DURANTE-A-PANDEMIA-EM-UMA-ESCOLA-DO-CAMPO-DA-CIDADE-DE-PADRE-MARCOS---PI. Acesso em: 08/02/2026

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