EFETIVIDADE DE INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO DE ADOLESCENTES

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
EFETIVIDADE DE INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO DE ADOLESCENTES
Autores
  • Francisca Odachara Machado Bezerra do Carmo
  • Ana Amélia Oliveira Figueirêdo
  • JOSÉ GLEDSON COSTA SILVA
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde Mental e Bem-Estar – abordagens interdisciplinares para promoção da saúde mental, prevenção e cuidado integral
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386006-efetividade-de-intervencoes-de-enfermagem-na-prevencao-do-suicidio-de-adolescentes
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Suicídio, Adolescentes, Enfermagem, Prevenção, intervenção de saúde.
Resumo
INTRODUÇÃO O suicídio entre adolescentes constitui um problema crescente de saúde pública em todo o mundo, sendo considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais causas de morte nessa faixa etária. No Brasil, embora as estatísticas exatas variem conforme região e fonte, observa-se aumento consistente das taxas de ideação e tentativa de suicídio entre jovens de 10 a 19 anos, o que implica não somente impacto pessoal e familiar, mas também elevados custos sociais e assistenciais. Em ambientes escolares, familiares e comunitários, fatores como depressão, ansiedade, bullying, isolamento, uso de substâncias, e acesso facilitado a meios letais incrementam o risco suicida (Wei; Mukherjee, 2020). Nesse cenário, o profissional de enfermagem assume papel central: está frequentemente em contato direto com adolescentes em contexto de atenção primária, serviços de urgência, redes de saúde mental ou programas escolares de promoção da saúde. Por meio de acolhimento, triagem, educação em saúde, encaminhamentos e articulação com rede de suporte, as intervenções de enfermagem têm potencial preventivo significativo. Estudos atestam que protocolos de enfermagem voltados à prevenção do suicídio em adolescentes podem reduzir ideação suicida, comportamentos de automutilação e tentativa de suicídio quando implementados de forma sistemática (Souza Pessoa et al., 2020; Valentim, 2024). Todavia, apesar desse potencial, persistem lacunas em relação à padronização das intervenções, à mensuração de sua efetividade em contextos diversificados e à integração entre a enfermagem, saúde mental, comunidade e políticas públicas. Assim, torna-se imprescindível revisar criticamente as intervenções de enfermagem existentes, avaliar sua efetividade e propor recomendações para aprimorar a prevenção do suicídio em adolescentes. O presente estudo busca, portanto, contribuir com esse debate, oferecendo análise sistemática com vistas à prática e à gestão em saúde. OBJETIVO Analisar a efetividade das intervenções de enfermagem na prevenção do suicídio entre adolescentes, identificando práticas com evidência de impacto e fatores associados à sua implementação bem-sucedida. METODOLOGIA Este estudo configura-se como revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e quantitativa, adotando levantamento documental e análise crítica das publicações científicas. A seleção das fontes considerou artigos publicados entre 2014 e 2024, nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS, SciELO, MEDLINE e CINAHL, utilizando os descritores “suicídio”, “adolescente”, “intervenção de enfermagem”, “prevenção” e “enfermagem” combinados por operadores booleanos. Foram incluídos estudos que relataram intervenções de enfermagem com adolescentes voltadas à prevenção do suicídio ou comportamentos suicidas. Foram excluídos artigos de populações exclusivas de adultos ou de intervenções não mediadas por enfermagem. Os dados extraídos de cada estudo incluíram: país de realização, perfil da população-alvo, tipo de intervenção de enfermagem, delineamento metodológico, desfechos (ideação, tentativa, automutilação, comportamento suicida), medidas de resultado e conclusão. A análise seguiu o método de síntese temática para os dados qualitativos e meta-análise descritiva para os dados quantitativos, quando possível. Em paralelo, foi mapeado o tipo de prática de enfermagem (triagem, acolhimento, educação em saúde, seguimento, encaminhamento) e os fatores de implementação (capacitação, rede de apoio, políticas locais, barreiras organizacionais). Reconhecem-se limitações inerentes ao método: heterogeneidade dos estudos, ausência de padronização dos desfechos, risco de viés de publicação e limitação temporal a dez anos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir da revisão, emergiram diversas modalidades de intervenções de enfermagem com adolescentes e suicídio como enfoque. Entre as práticas mais recorrentes identificam-se: (a) acolhimento e escuta qualificada de adolescentes em risco, (b) programas estruturados de triagem de riscos nas escolas ou unidades de saúde, (c) educação em saúde e programas de resiliência promovidos por enfermeiros, (d) encaminhamento e monitoramento em rede intersetorial, e (e) protocolos de seguimento pós-tentativa. Por exemplo, estudo realizado por Souza Pessoa et al., (2020) com adolescentes com ideação suicida identificou que o suporte de enfermagem nas unidades de atenção primária favoreceu relato de diminuição de intentando suicida entre os participantes. Quanto à efetividade, embora poucos estudos apresentem meta-análise robusta, as evidências apontam que intervenções de enfermagem bem estruturadas reduzem ideação suicida e tentativas em adolescentes, sobretudo quando integradas a rede de saúde mental e escolar. Campos (2024) aponta que o atendimento de enfermagem a pacientes com comportamento suicida em unidades de pronto-atendimento resultou em melhoria de autocuidado e diminuição das readmissões em crises suicidas. Além disso, Valentim (2024) em revisão sobre atuação da enfermagem em suicídio entre adolescentes relata que oito trabalhos encontrados demonstraram impacto positivo das intervenções de enfermagem. Os fatores identificados como facilitadores à efetividade incluem: formação específica dos enfermeiros para prevenção do suicídio, protocolos institucionais de acolhimento, articulação com escolas e comunidade, acesso contínuo aos adolescentes após a intervenção inicial, e envolvimento da família ou dos cuidadores no processo assistencial. Por outro lado, as barreiras mais mencionadas são: falta de recursos humanos e materiais, déficit de preparo dos profissionais de enfermagem, estigma associado ao suicídio, registros fragmentados, baixa continuidade de cuidado e ausência de política institucional clara (Lopes, 2024; Sousa et al., 2019). Esses resultados indicam que a intervenção de enfermagem vai além de simples escuta ou encaminhamento de demanda planejamento, articulação, cultura de cuidado sensível e continuidade, sendo tanto preventiva quanto paliativa. A prática assistencial de enfermagem emerge como eixo central na rede de prevenção do suicídio adolescente. A análise dos resultados evidencia que a enfermagem possui papel crucial na prevenção do suicídio entre adolescentes, tanto pela proximidade com o jovem quanto pela abrangência da atuação: na escola, na comunidade, na unidade de saúde ou no pronto-atendimento. A literatura revisada demonstra que intervenções de enfermagem são mais efetivas quando: implementadas cedo, em ambientes de risco (escolas de vulnerabilidade, internações psiquiátricas, serviços de urgência), com protocolos padronizados, formação contínua dos profissionais e integração intersetorial. Do ponto de vista da teoria do cuidado, a enfermagem não assume apenas papel técnico-operacional, mas também educativo, relacional e de articulação. Em relação à prevenção do suicídio, o enfermeiro atua como agente de identificação precoce de sinais de risco (como ideação, automutilação), de acolhimento e de encaminhamento para serviços especializados na função corroborada por Souza Pessoa et al., (2020) que indicaram que a atenção primária de enfermagem possibilita canal privilegiado para intervenções preventivas. Entretanto, os resultados ainda enfrentam desafios metodológicos: muitos estudos não fazem seguimento prolongado, os desfechos variam amplamente (ideação vs tentativa vs suicídio consumado), e há escassez de ensaios randomizados específicos para enfermagem. Além disso, o contexto brasileiro apresenta particularidades: vulnerabilidades regionais, desigualdades de acesso à saúde, recursos limitados e estigma persistente ao suicídio, o que exige adaptação cultural das intervenções. Em termos de prática, recomenda-se que as intervenções de enfermagem sejam incorporadas em políticas de saúde pública, com apoio institucional, alocação de recursos adequados e monitoramento contínuo. A articulação da enfermagem com a educação (escolas), serviços de saúde mental, famílias e comunidade amplia o alcance e a profundidade da prevenção. Ainda, a formação especializada de enfermeiros na prevenção do suicídio e no manejo de crise suicida é um investimento estratégico para os sistemas de saúde. Adicionalmente, a efetividade das intervenções poderia ser ampliada com o uso de tecnologias de apoio (telemonitoramento, aplicativos de autocuidado, linhas de ajuda), combinadas ao trabalho de enfermagem tradicional. Essa integração emerge como oportunidade inovadora: através de triagem digital, acompanhamento remoto e suporte em tempo real, a enfermagem poderá alcançar adolescentes em risco com maior agilidade e eficácia. Finalmente, a mensuração de resultados, por meio de indicadores como redução de ideação, diminuição de tentativas, impacto em qualidade de vida e menor uso de serviços de urgência, onde torna-se fundamental para avaliar e aprimorar as intervenções de enfermagem. Tal mensuração deve considerar contexto local, diversidade cultural e condições de vulnerabilidade dos adolescentes. CONCLUSÃO A prevenção do suicídio entre adolescentes exige intervenção multifacetada, na qual a enfermagem figura como componente central e estratégico. As evidências apontam que intervenções de enfermagem bem estruturadas, com triagem, acolhimento, educação em saúde, articulação em rede e acompanhamento que apresentam efetividade na redução da ideação e da tentativa de suicídio em adolescentes. Para maximizar esse impacto, recomenda-se: (i) formação contínua e especificada de enfermeiros em prevenção do suicídio; (ii) implementação de protocolos institucionais de acolhimento e encaminhamento; (iii) integração da enfermagem com escolas, comunidade, saúde mental e famílias; (iv) uso de tecnologias de apoio ao cuidado e monitoração; (v) articulação com políticas públicas que reconheçam e financiem a prevenção do suicídio adolescente como prioridade de saúde. Em vista desse panorama, futuros estudos devem priorizar ensaios controlados de enfermagem na prevenção do suicídio, acompanhamento de longo prazo dos adolescentes, e adaptação das intervenções ao contexto cultural brasileiro, sobretudo nas regiões mais vulneráveis. Apenas assim será possível alcançar um sistema de cuidado mais proativo, eficiente e efetivo para proteger a vida de adolescentes em risco.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARMO, Francisca Odachara Machado Bezerra do; FIGUEIRÊDO, Ana Amélia Oliveira; SILVA, JOSÉ GLEDSON COSTA. EFETIVIDADE DE INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO DE ADOLESCENTES.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1386006-EFETIVIDADE-DE-INTERVENCOES-DE-ENFERMAGEM-NA-PREVENCAO-DO-SUICIDIO-DE-ADOLESCENTES. Acesso em: 09/02/2026

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