ANÁLISE DE CUSTOS DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) NO CEARÁ: INTERFACE ENTRE ENFERMAGEM E CIÊNCIAS CONTÁBEIS

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
ANÁLISE DE CUSTOS DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) NO CEARÁ: INTERFACE ENTRE ENFERMAGEM E CIÊNCIAS CONTÁBEIS
Autores
  • Francisca Odachara Machado Bezerra do Carmo
  • Ana Amélia Oliveira Figueirêdo
  • Ronaldo de Oliveira da Silva
  • JOSÉ GLEDSON COSTA SILVA
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Gestão, Políticas Públicas e Controle Social – governança em saúde, participação comunitária, desafios e perspectivas para o SUS.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385996-analise-de-custos-do-tratamento-oncologico-no-sistema-unico-de-saude-(sus)-no-ceara--interface-entre-enfermagem-
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Tratamento oncológico, Custo em saúde pública, Sistema Único de Saúde, Ceará, Enfermagem.
Resumo
INTRODUÇÃO O câncer representa uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil e exerce pressão crescente sobre os recursos públicos destinados à saúde. Pesquisa recente revela que os gastos diretos do Sistema Único de Saúde (SUS) com tratamento oncológico atingiram cerca de R$ 3,9 bilhões em 2022, dos quais aproximadamente 77% foram aplicados em procedimentos ambulatoriais e 23% em internações hospitalares (OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA, 2024). Além do volume de recursos envolvidos, houve uma elevação expressiva no custo médio dos procedimentos oncológicos: um procedimento ambulatorial que custava cerca de R$ 151,33 em 2018 passou a custar R$ 758,93 em 2022 — um acréscimo superior a 400% (OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA, 2024; TJCC, 2024). Tal incremento evidencia que o diagnóstico tardio da doença, aliando-se à maior complexidade terapêutica, resulta em maior demanda por insumos, tecnologias e cuidados intensivos, implicando elevação dos custos assistenciais (PODER360, 2024). No Estado do Ceará, esse panorama torna-se ainda mais relevante frente a uma crescente demanda oncológica, recursos públicos limitados e desafios estruturais, entre os quais se destacam atrasos no início do tratamento e disparidades regionais no acesso. Nesse contexto, a articulação entre as áreas de Enfermagem com foco nos processos assistenciais, insumos e fluxos de cuidado e Ciências Contábeis, com ênfase na mensuração, alocação e controle dos recursos financeiros apresenta-se como estratégia interdisciplinar promissora para promover a gestão eficiente, eficaz e sustentável da assistência oncológica no âmbito do SUS. OBJETIVO Realizar uma análise de custo do tratamento oncológico ofertado pelo SUS no Estado do Ceará, considerando os custos diretos associados aos procedimentos e refletindo sobre a gestão interdisciplinar entre enfermagem e ciências contábeis. METODOLOGIA Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de delineamento descritivo com abordagem quantitativa, baseada em levantamento documental de dados secundários. A população-alvo compreende pacientes oncológicos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado do Ceará, no período dos últimos cinco anos (2020 – 2024), considerando-se a disponibilidade de dados regionais. Serão consideradas as seguintes variáveis principais: 1- Custo direto dos procedimentos oncológicos (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, internação hospitalar, UTI); 2-Estadiamento da doença (quando disponível) e tipo de neoplasia; 3- Tempo de permanência hospitalar; 4- Modalidade de atendimento: ambulatorial vs. hospitalar. As fontes de dados incluirão as bases oficiais do SUS — SIH SUS (Sistema de Informações Hospitalares) para internações e SIA SUS (Sistema de Informações Ambulatoriais) para procedimentos ambulatoriais — bem como relatórios públicos do Estado do Ceará. Na análise contábil serão calculadas medidas de tendência central (média, mediana), bem como de dispersão (desvio-padrão). Será feita comparação entre grupos de estadiamento (por exemplo: estadiamento I vezes estadiamento IV) ou por tipo/modalidade de tratamento. Sob a perspectiva da enfermagem serão identificados: insumos assistenciais utilizados (e.g., horas-enfermagem, leitos, UTI), tempo de permanência e ocorrência de complicações assistenciais (e.g., infecções hospitalares, readmissões). Reconhecem-se como limitações deste estudo: (i) possível ausência ou incompletude de dados específicos sobre o estadiamento da doença em nível estadual, (ii) heterogeneidade e inconsistência de registros no SUS que podem comprometer a padronização das variáveis, e (iii) impossibilidade, no escopo definido, de mensurar custos indiretos como perda de produtividade, transporte de pacientes/familiares ou impacto socioeconômico familiar. RESULTADOS E DISCUSSÃO Prevê-se que o custo médio por paciente oncológico atendido no SUS no Ceará apresente elevação significativa à medida que avança o estadiamento da neoplasia, em conformidade com o padrão observado em âmbito nacional como por exemplo, o custo médio de um procedimento ambulatorial subiu de aproximadamente R$ 151,33 em 2018 para R$ 758,93 em 2022, um incremento superior a 400% (OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA, 2024; Abrale, 2023). Espera-se ainda que os custos mais expressivos se concentrem em hospitalizações prolongadas e em tratamentos de alta complexidade, tais como internações em UTI, cirurgias extensas ou terapias inovadoras, e que a identificação dos principais determinantes de custo possibilite a formulação de estratégias de contenção, por exemplo: otimização dos protocolos assistenciais, redução do tempo de internação, fluxos assistenciais mais eficientes. A integração entre os profissionais de enfermagem e de ciências contábeis projeta-se como mecanismo estratégico para ampliar a eficiência e a sustentabilidade da assistência oncológica no SUS. Os resultados esperados reforçam o entendimento de que a detecção tardia das neoplasias impacta diretamente nos custos do tratamento oncológico no SUS. Estudo recente mostra que, na fase mais avançada da doença, o tratamento pode custar até 503% mais do que no início (PODER360, 2024). No contexto regional do Ceará, esse cenário pode ser agravado por atrasos no acesso ao tratamento oncológico, o que tende a elevar o estadiamento da doença e, consequentemente, os custos assistenciais. Nesse sentido, o profissional de enfermagem desempenha papel estratégico ao gerir de modo otimizado os processos assistenciais, reduzir complicações e tempo de permanência prolongado. Em paralelo, o profissional de ciências contábeis contribui com análise objetiva de custo, planejamento orçamentário e alocação eficiente dos recursos públicos. A articulação entre essas duas áreas oferece potencial para identificar gargalos, direcionar investimentos para as fases mais críticas e adotar modelos de gestão que priorizem o custo-efetividade da assistência. Ainda assim, persistem desafios relevantes, tais como a falta de dados regionais granulares, a variação nos registros do SUS e a ausência de mensuração de custos indiretos, o que evidencia a necessidade urgente de sistemas de informação integrados e de monitoramento contínuo desta problemática. CONCLUSÃO A presente análise evidencia que o tratamento oncológico no SUS, no contexto do Ceará, demanda recursos crescentes, especialmente à medida que a doença é diagnosticada em estágios mais avançados. Sob essa ótica, a detecção precoce, fluxos assistenciais otimizados e articulação interprofissional entre enfermagem e ciências contábeis se configuram como estratégias prioritárias para garantir a sustentabilidade da assistência oncológica pública. Para os gestores de saúde, recomenda-se a adoção de indicadores de custo e qualidade, a priorização de programas de rastreamento e prevenção e a capacitação interdisciplinar das equipes assistenciais e de gestão. Pesquisas futuras devem incluir a mensuração de custos indiretos, expansão para outras regiões e análise de retorno sobre investimento em programas de detecção precoce. Palavras-chave: Tratamento oncológico; Custo em saúde pública; Sistema Único de Saúde; Ceará; Enfermagem. REFERÊNCIAS OBSERVATÓRIO DE ONCOLOGIA. Custo do câncer no SUS. 2024. Disponível em: https://observatoriodeoncologia.com.br/estudos/tratamento-em-oncologia/2024/custo-do-cancer-no-sus/. Acesso em: 04 out. 2025. PODER360. Tratar câncer em estágio avançado custa até 500 % mais. 2024. Disponível em: https://www.poder360.com.br/conteudo-patrocinado/tratar-cancer-em-estagio-avancado-custa-ate-500-mais/. Acesso em: 04 out. 2025. GASTOS DO SUS COM CÂNCERES QUE PODERIAM SER PREVENIDOS COM ATIVIDADE FÍSICA. Instituto Nacional de Câncer – INCA. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2022/gastos-do-sus-com-canceres-que-poderiam-ser-prevenidos-com-atividade-fisica-chegarao-a-r-2-5-bilhoes-em-2030. Acesso em: 14 out. 2025. TABELA DE CUSTOS DO TRATAMENTO DE CÂNCER NO SUS. TJCC. 2024. Disponível em: https://tjcc.com.br/acontece-tjcc/observatorio-de-oncologia/custo-medio-de-tratamento-de-cancer-no-sus-tem-alta-de-400-diz-estudo/. Acesso em: 14 out. 2025.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARMO, Francisca Odachara Machado Bezerra do et al.. ANÁLISE DE CUSTOS DO TRATAMENTO ONCOLÓGICO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) NO CEARÁ: INTERFACE ENTRE ENFERMAGEM E CIÊNCIAS CONTÁBEIS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385996-ANALISE-DE-CUSTOS-DO-TRATAMENTO-ONCOLOGICO-NO-SISTEMA-UNICO-DE-SAUDE-(SUS)-NO-CEARA--INTERFACE-ENTRE-ENFERMAGEM-. Acesso em: 18/02/2026

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