OS IMPACTOS DA BRUCELOSE EM REBANHOS LEITEIROS: PREJUÍZOS PRODUTIVOS, SANITÁRIOS E ECONÔMICOS

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
OS IMPACTOS DA BRUCELOSE EM REBANHOS LEITEIROS: PREJUÍZOS PRODUTIVOS, SANITÁRIOS E ECONÔMICOS
Autores
  • Rayanne de Araújo Rocha
  • Luana Vieira Cruz
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385712-os-impactos-da-brucelose-em-rebanhos-leiteiros--prejuizos-produtivos-sanitarios-e-economicos
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
zoonose ocupacional, cadeia leiteira, vigilância epidemiológica, resposta imune, manejo sanitário
Resumo
Introdução A brucelose bovina é uma zoonose de distribuição mundial, causada por bactérias do gênero Brucella, com destaque para a espécie Brucella abortus. Essa doença afeta diretamente a saúde animal e humana, comprometendo a eficiência reprodutiva dos rebanhos, gerando prejuízos econômicos significativos e representando risco ocupacional para profissionais da área rural. Reconhecida por organismos internacionais como FAO, OMS e OIE, a brucelose é considerada uma enfermidade de notificação obrigatória e de alta relevância sanitária. Nos bovinos, a doença provoca aborto no terço final da gestação, retenção de placenta, metrite, infertilidade e lesões inflamatórias crônicas. Esses sinais clínicos comprometem a produtividade dos rebanhos leiteiros e dificultam a detecção precoce da infecção, que pode permanecer silenciosa por longos períodos. Em humanos, a brucelose é uma zoonose ocupacional, com sintomas inespecíficos e potencial para evolução crônica, exigindo atenção dos serviços de saúde pública. Objetivo Este trabalho tem como objetivo analisar os impactos produtivos, sanitários e econômicos da brucelose bovina em rebanhos leiteiros, destacando os desafios no diagnóstico, prevenção e controle da doença. A pesquisa também busca evidenciar a importância da atuação integrada entre os setores público e privado, da capacitação profissional e da vigilância epidemiológica como pilares para a contenção da doença e proteção da saúde coletiva. Metodologia A pesquisa foi conduzida por meio de revisão bibliográfica narrativa, com levantamento de fontes científicas e institucionais publicadas entre 2013 e 2025. Foram consultadas bases como SciELO, PubMed, Google Scholar, além de documentos oficiais do MAPA, OMS, OMSA e EMBRAPA. Os critérios de inclusão consideraram publicações com relevância temática, atualidade e aplicabilidade prática no contexto da medicina veterinária. A análise foi qualitativa, com organização temática em tópicos como microbiologia, epidemiologia, diagnóstico, vacinação, impactos econômicos e políticas públicas. Resultados e Discussões A Brucella abortus é uma bactéria gram-negativa, intracelular facultativa, com alta resistência ambiental e capacidade de persistência em materiais orgânicos como placenta, leite e fezes. Sua transmissão ocorre por contato direto com fluidos contaminados ou por vias indiretas, como água e pastagens infectadas. Em humanos, a infecção pode ocorrer por inalação de aerossóis, contato com mucosas ou ingestão de leite cru. A brucelose bovina é endêmica no Brasil, com distribuição heterogênea entre as unidades federativas. A disseminação da doença está relacionada à movimentação de animais sem controle sanitário, baixa cobertura vacinal e práticas de manejo inadequadas. Estudos indicam que cada vaca leiteira infectada gera uma perda média de R$ 420,12, com prejuízo anual estimado em mais de R$ 892 milhões no país. Além disso, cada 1% de aumento na prevalência representa R$ 155 milhões adicionais em perdas. O diagnóstico oficial é realizado por médicos veterinários habilitados, com uso de testes como Antígeno Acidificado Tamponado (AAT), prova do anel em leite, 2-mercaptoetanol e fixação de complemento. A interpretação dos resultados considera o histórico vacinal dos animais, especialmente em relação às vacinas B19 e RB51. Casos positivos devem ser notificados ao Serviço Veterinário Oficial (SVO) e os animais eliminados em até 30 dias. A vacinação é a principal medida preventiva, sendo obrigatória para fêmeas bovinas entre três e oito meses. A vacina B19 é a mais utilizada, induzindo resposta sorológica detectável por até 18 meses. Já a RB51, baseada em cepa rugosa, não interfere nos testes sorológicos e é indicada para animais adultos não vacinados. A aplicação deve ser realizada por médicos veterinários ou sob sua supervisão, devido ao risco de infecção humana acidental. O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), instituído em 2001 e revisado pela IN SDA nº 10/2017, estabelece diretrizes para reduzir a prevalência da doença. Entre as ações estão a vacinação obrigatória, controle de trânsito animal, eliminação de casos positivos, certificação de propriedades livres e capacitação técnica dos profissionais envolvidos. A adesão ao programa é voluntária, mas representa um diferencial competitivo para produtores que desejam acessar mercados mais exigentes. A brucelose também representa um desafio para a saúde pública. Em humanos, os sintomas incluem febre, sudorese, fadiga, dor abdominal e complicações osteoarticulares. A forma crônica pode evoluir para neurobrucelose, endocardite e hepatomegalia. O diagnóstico é dificultado pela inespecificidade dos sintomas e pela subnotificação, especialmente em áreas rurais. Profissionais como veterinários, ordenhadores e trabalhadores de frigoríficos estão entre os grupos de maior risco, sendo essencial o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e protocolos de biossegurança. A persistência da Brucella abortus em ambientes contaminados reforça a necessidade de práticas rigorosas de higiene e desinfecção. A bactéria pode sobreviver por até 120 dias em membranas fetais secas, 100 dias em solo úmido e 75 dias em fezes úmidas. Essa resistência ambiental dificulta a erradicação da doença e exige vigilância contínua, testagens periódicas e controle rigoroso do trânsito de animais. Os impactos econômicos da brucelose vão além das perdas produtivas. Barreiras comerciais, custos com diagnóstico, vacinação, descarte de animais e restrições sanitárias comprometem a competitividade do setor leiteiro. A certificação de propriedades livres ou monitoradas é uma estratégia eficaz para valorizar os produtos de origem bovina e garantir acesso a mercados internacionais. Avanços tecnológicos têm contribuído para o aprimoramento do diagnóstico e controle da brucelose. Técnicas como polarização fluorescente, PCR e sorologia automatizada permitem maior precisão e agilidade na identificação de focos ativos. Além disso, novas estratégias de vacinação estão em desenvolvimento, com foco em segurança, eficácia e compatibilidade com os testes diagnósticos. A educação sanitária é um componente essencial no combate à brucelose. A capacitação dos profissionais, a conscientização dos produtores e a integração entre os setores público e privado são fundamentais para o sucesso das ações. Instituições que oferecem cursos de habilitação devem atender aos critérios técnicos estabelecidos pelo MAPA, incluindo infraestrutura adequada, corpo docente qualificado e avaliação rigorosa dos participantes. Conclusão A brucelose bovina representa um desafio complexo para a saúde animal, pública e econômica. Seu controle exige ações coordenadas, diagnóstico precoce, vacinação eficaz, descarte sanitário e educação técnica. A adesão ao PNCEBT e a certificação de propriedades livres são estratégias promissoras para reduzir a prevalência da doença e os prejuízos associados. O avanço das pesquisas, a capacitação dos profissionais e a conscientização dos produtores são essenciais para consolidar a brucelose como uma prioridade sanitária e garantir a sustentabilidade da cadeia leiteira no Brasil.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ROCHA, Rayanne de Araújo; CRUZ, Luana Vieira. OS IMPACTOS DA BRUCELOSE EM REBANHOS LEITEIROS: PREJUÍZOS PRODUTIVOS, SANITÁRIOS E ECONÔMICOS.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385712-OS-IMPACTOS-DA-BRUCELOSE-EM-REBANHOS-LEITEIROS--PREJUIZOS-PRODUTIVOS-SANITARIOS-E-ECONOMICOS. Acesso em: 18/02/2026

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