Título do Trabalho
ANÁLISE INTEGRATIVA DO CONTO "JOÃO E MARIA"
Autores
  • Cícero Guilherme Paiva Gonçalves
  • Isabel Barboa De Oliveira
  • Lavínia Batista Soares de Sousa
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385487-analise-integrativa-do-conto-joao-e-maria
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Infância, Desenvolvimento Infantil, Psicologia, Simbólico e Contos de Fadas.
Resumo
INTRODUÇÃO: O conto João e Maria, eternizado pelos irmãos Grimm, é uma narrativa que atravessa gerações, carregando em sua estrutura elementos simbólicos profundos ligados à infância, como abandono, medo, sobrevivência e superação. A história, que narra a jornada de dois irmãos deixados na floresta pelos pais e aprisionados por uma bruxa em uma casa feita de doces, pode ser lida muito além de seu enredo literal. Ao longo do conto, a criança é colocada frente a ameaças reais e fantasias internas, e é justamente nesse ponto que ele se torna um instrumento poderoso para refletir sobre os aspectos emocionais e psicológicos do desenvolvimento infantil. A trama sugere não apenas os perigos externos que rondam a infância, mas também os desafios internos enfrentados pela criança em seu processo de amadurecimento psíquico, tornando a história relevante para o olhar clínico da psicoterapia. Para fundamentar essa abordagem, é importante compreender como a infância foi historicamente construída. De acordo com Philippe Ariès, em sua obra História Social da Criança e da Família (1973), a infância como a concebemos hoje é uma invenção relativamente recente. Durante a Idade Média, as crianças eram inseridas precocemente no mundo adulto, sem o reconhecimento de um período próprio de desenvolvimento. Essa mudança de percepção ao longo dos séculos permitiu que a infância passasse a ser vista como uma fase única, marcada por fragilidades, mas também por possibilidades específicas de elaboração simbólica e emocional, o que reforça a importância de abordagens psicoterapêuticas voltadas a esse público. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar o conto de João e Maria a partir de uma perspectiva da psicoterapia infantil, explorando os conteúdos simbólicos e emocionais presentes na narrativa, bem como suas possíveis ressonâncias no universo psíquico da criança. A análise visa compreender como a história pode funcionar como um espelho das angústias e desejos infantis, além de um recurso potencialmente terapêutico no contexto clínico. OBJETIVO: Fazer uma análise do conto João e Maria a partir de uma visão da psicologia. Compreender como a ideia do conceito de infância vem sendo construída ao longo dos anos. METODOLOGIA: O presente artigo trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo e bibliográfica, com foco na análise simbólica e psicológica do conto “João e Maria”, em sua versão clássica dos Irmãos Grimm. A metodologia se constituiu por meio da análise de conteúdo, com realização de leitura interpretativa do conto e análise apoiada nas teorias de Donald Woods Winnicott (1975), Henri Wallon (1979), Lev Vygotsky (1998) e Philippe Ariès (1981), buscando identificar elementos simbólicos relacionados à infância, medo e superação. Esses elementos foram posteriormente articulados com os conceitos teóricos escolhidos, a fim de compreender suas possíveis implicações no campo da psicoterapia infantil. DESENVOLVIMENTO: De acordo com a obra de Ariès, História social da criança e da família (1978), o sentimento sobre a infância se dá nas camadas mais nobres da sociedade. Já a criança pobre continua a não conhecer o verdadeiro significado da infância, ficando assim à mercê da própria sorte. Em João e Maria, nota-se uma visão de infância marcada pela vulnerabilidade e pobreza, uma vez que os irmãos são abandonados pelos pais diante da escassez de alimentos. O conto reflete sobre um recorte histórico no qual a sobrevivência familiar se sobrepunha ao cuidado infantil. A narrativa de João e Maria remota da idade média, mas escrita e publicada pelos irmãos Grimm apenas no século XIX, traz este contexto histórico em que ao passar por dificuldades financeiras os pais dos irmãos se veem obrigados a abandoná-los na floresta. Esse abandono pode ser entendido como uma metáfora para o fim prematuro da infância, em que as crianças agora estavam sob a própria responsabilidade. Para Vygotsky, a infância é marcada pela mediação cultural e pela linguagem como ferramentas fundamentais para o desenvolvimento. A narrativa trata a cooperação entre João e Maria como algo central na trama: Eles dialogam, planejam estratégias e dividem responsabilidades, demonstrando como a interação social auxilia na superação de desafios. Ao serem deixados na floresta, João e Maria percorrem um caminho tortuoso e sombrio. Esse trajeto desconhecido, combinado com o afastamento da proteção parental faz com que eles sejam obrigados a criar autonomia, criatividade e coragem para sobreviver, desenvolvendo resiliência. O aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas em seu ambiente e em cooperação com seus companheiros (VYGOTSKY, 1998, p. 117). O trajeto pela floresta também pode ser visto como um espaço de aprendizagem mediado pela cooperação, à medida que eles conversam, criam planos juntos, testam soluções e se apoiam mutuamente, ou seja, a floresta funciona como uma “zona de desenvolvimento proximal”: sem os pais, mas com a parceria entre si, eles aprendem a lidar com desafios que não enfrentaram sozinhos. Segundo Winnicott, o brincar é essencial para o amadurecimento emocional e para a elaboração de conflitos internos. Na história, João utiliza pedrinhas brancas e, posteriormente, migalhas de pão como recurso simbólico para lidar com o abandono e uma forma de tentar manter seu vínculo parental vivo. Esses objetos podem ser entendidos como elementos de transição que oferecem à criança a sensação de segurança e controle diante da situação ameaçadora. Um objeto transicional pode ser visto como a primeira posse não-eu. Ele representa a transição da criança do estado de união com a mãe para um estado em que ela se reconhece como uma pessoa separada (WINNICOTT, 1975, p. 14). CONCLUSÃO: Ao olhar para a história de João e Maria através das lentes de Ariès, Vygotsky, Winnicott e Wallon, fica claro: a infância, em vez de ser algo uniforme, muda com o tempo, cheia de significados históricos, sociais, emocionais, e simbólicos. A narrativa, a princípio uma simples fantasia, mostra detalhes interessantes quando olhamos por essas perspectivas, revelando como a literatura para crianças mostra os obstáculos do desenvolvimento humano, assim como as ideias sobre a infância em diferentes épocas. Na visão de Ariès (1978), a fraqueza dos irmãos deixados na floresta reflete a criança desamparada que, no passado, nem sempre era aceita pela sociedade. O abandono, causado pela pobreza, pode ser interpretado como uma imagem da falta de apoio institucional e social, já que a criança era vista mais como parte da família, e não alguém com seus próprios direitos. A falta de um espaço próprio para as crianças, como o autor ressalta ao avaliar a sociedade medieval, é sublinhada no conto. Os irmãos, tendo de se defenderem sozinhos muito cedo, exibem o peso da exclusão, da desigualdade, sem dúvidas. A narrativa de João e Maria, uma constante imagem do desenvolvimento infantil. Revela que a infância, tantas vezes esquecida através do tempo, é igualmente um período de invenção, luta e aprendizado. Enquanto expõe as provações sociais e históricas sofridas pela criança, a história exalta sua força para vencer os obstáculos, sua capacidade de transmutar vivências dolorosas em símbolos e construir novos caminhos através da colaboração, da imaginação e afeto.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GONÇALVES, Cícero Guilherme Paiva; OLIVEIRA, Isabel Barboa De; SOUSA, Lavínia Batista Soares de. ANÁLISE INTEGRATIVA DO CONTO "JOÃO E MARIA".. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1385487-ANALISE-INTEGRATIVA-DO-CONTO-JOAO-E-MARIA. Acesso em: 15/02/2026

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