RISCOS NUTRICIONAIS PRESENTES NO USO DE DIETA ENTERAL ARTESANAL POR PACIENTES DE UMA UNIDADE HOSPITALAR DO CARIRI CEARENSE.

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
RISCOS NUTRICIONAIS PRESENTES NO USO DE DIETA ENTERAL ARTESANAL POR PACIENTES DE UMA UNIDADE HOSPITALAR DO CARIRI CEARENSE.
Autores
  • Cícera Juliana Alves Pereira
  • Antônia Stéfane Silva Alexandre
  • Analicy Inácio Pontes
  • Karizia Inácio da Silva
  • ANTONIO WISLLEY PEDROSA CAVALCANTE
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Saúde global e Direitos humanos - abordagens em saúde como direito fundamental e os desafios globais em saúde pública.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383711-riscos-nutricionais-presentes-no-uso-de-dieta-enteral-artesanal-por-pacientes-de-uma-unidade-hospitalar-do-carir
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Nutrição enteral, Dieta artesanal, Risco nutricional, Terapia nutricional domiciliar.
Resumo
INTRODUÇÃO A alimentação é um direito social assegurado pela Constituição Federal Brasileira (Brasil, 2010) e os objetivos e diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) corroboram para a garantia desse direito a toda a população, incluindo aqueles com necessidades especiais (Brasil, 2013), como é o caso dos indivíduos que se alimentam através de dispositivos como sondas enterais. A TNE é indicada aos pacientes em risco nutricional ou desnutrição, que se encontram impossibilitados de satisfazer as suas necessidades energéticas através da alimentação por via oral (Bischoff et al., 2022). A desnutrição, em síntese, é o resultado do consumo, absorção ou retenção inadequados de energia e/ou proteínas dietéticas (Ross; Caballero; Cousins; Tucker; Ziegler, 2016). Ainda que em estado precoce, a má nutrição resulta em alterações funcionais orgânicas importantes, onde indivíduos desnutridos apresentam comprometimento físico e mental, além de uma capacidade diminuída de combater à doença e estando ainda associada ao aumento da morbidade e mortalidade dos pacientes (Braspen, 2018). É objetivo deste trabalho compreender quais os principais riscos associados ao consumo da DAC, bem como vislumbrar possíveis estratégias a serem desenvolvidas para minimizar tais riscos e suprir a necessidade deste público, tendo em vista a fragilidade das políticas que envolvem este tema e corroboram para o risco nutricional iminente destes pacientes. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa de campo observacional e documental, realizada em uma unidade hospitalar do município de Crato–CE, entre os meses de outubro e novembro de 2024. Foram incluídos pacientes maiores de 18 anos, em uso de sonda enteral há pelo menos três meses e que utilizavam DAC após a alta hospitalar. Os dados foram coletados por meio da ficha clínica, Triagem de Risco Nutricional (NRS 2002) e avaliações antropométricas (peso, altura e IMC estimado, circunferência de braço e altura do joelho) aplicando-se a equação de Chumlea et al., (1998). As informações foram organizadas em tabelas e analisadas de forma descritiva no Microsoft Excel. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da UNINASSAU sob parecer de nº 7.155.987. RESULTADOS: Os dados analisados foram elaborados conforme coleta de 4 pacientes que atenderam aos critérios de elegibilidade. Dos pacientes avaliados, 2 pessoas eram do sexo masculino (50%) e 2 do sexo feminino (50%) e 3 (75%) possuíam idade superior a 70 anos. Em todos os casos, elencou-se como motivo para o início do uso da sonda atrelado a sequelas de múltiplos AVEs (acidente vascular encefálico), estando ainda combinados à progressão de doenças como Alzheimer (25%) e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) (25%). No presente estudo, todos os pacientes avaliados utilizavam a sonda do tipo nasogástrica, com a sua passagem tendo sido realizada há cerca de 4 meses, 5 meses, 9 meses e o mais antigo 4 anos, contrariando as recomendações presentes na literatura, ao qual orientam usar a sonda enteral, inserida por via oral ou nasal, apenas em casos de nutrição enteral por um curto período de tempo, menor que seis semanas, para situações em que será necessário um longo tempo de uso, a gastrostomia e/ou a jejunostomia são mais indicadas (Braspen, 2021). A limitação no tempo de uso da sonda nasogástrica se justifica por uma combinação de fatores clínicos e práticos, onde se incluem: desconforto nasofaríngeo, sinusite, lesão por pressão relacionada à fixação, erosão do septo nasal, epistaxe, desconforto, dor, vômito e recusa da sonda, além de serem altamente desconfortáveis, o que afeta a qualidade de vida do paciente e a adesão ao tratamento (Mota; Rigobello; Silveira; Gimenes, 2021; Anziliero; Nora; Beghetto, 2023). Ao serem indagados sobre a renda, o nível de escolaridade dos pacientes e o motivo de utilizarem a DAC, os cuidadores/familiares afirmaram que todos os investigados possuíam como fonte de renda apenas o salário mínimo referente à sua aposentadoria, e apenas 1 paciente (25%) teria concluído o ensino médio, tendo os demais o ensino fundamental incompleto (50%) ou nenhum estudo (25%). No que condiz ao uso da DAC, todos alegaram a preferência familiar como motivo decisório, acrescentou-se ainda por dois participantes (50%) a maior acessibilidade financeira da dieta como um fator igualmente determinante para a sua escolha. O acesso à alimentação pode ser dificultado em situações sociais adversas, algumas condições como diminuição da renda familiar, demissão empregatícia de um ou mais membros da família para o cuidado com o doente, aumento de dívidas e necessidade de corte de gastos essenciais afetam diretamente o acesso à alimentação (Meller et al., 2024). Núcleos familiares com maior densidade domiciliar, cor negra/parda e cujo representando do domicílio possui baixa escolaridade estão mais suscetíveis à insegurança alimentar (Santos; Palmeira; Oliveira, 2024). A alimentação promovida através da DAC é abundante entre pacientes que se encontram em Terapia Nutricional Enteral Domiciliar (TNED) atribuindo essa realidade, dentre outros fatores, ao custo financeiro indubitavelmente inferior das dietas enterais artesanais (Sousa; Shieferdecker; Ditterisch, 2023). Um estudo realizado por Kutz et al. (2018) padronizou e comparou DACs quanto ao valor energético, densidade energética, macronutrientes e custo, revelando ao fim da pesquisa que as DACs que haviam sido elaboradas apresentaram custo oito vezes menor que o valor médio de dietas industrializadas. No que concerne à frequência alimentar dos pacientes, foi informado que dois deles faziam 6 refeições ao dia, enquanto os demais alimentavam-se um total de 4 e 5 vezes. Três pacientes (75%) tinham como parte de duas de suas refeições diárias o suplemento hipercalórico e hiperproteico (50%) e o módulo de carboidratos (25%) e apenas um (25%) não ingeria nenhum tipo de suplemento alimentar em sua dieta. Em um estudo realizado por Kutz et al., (2018), comparou-se DACs em seus aspectos de composição nutricional e custo para preparo, revelando que aquelas que haviam sido preparadas utilizando-se a adição de fórmula enteral polimérica em pó possuíam composição calórica equilibrada, caracterizando-se como normocalóricas, sendo, deste modo, adequadas ao uso pelos pacientes em TNED. O oposto, no entanto, foi observado na preparação isenta de SNO que apresentou composição nutricional hipocalórica. Averiguou-se ainda neste estudo a presença de quadros de diarreia, regurgitação, vômito, dor e/ou distensão abdominal, bem como a suspensão da alimentação, a fim de identificar quaisquer intercorrências possíveis de afetar o estado nutricional do paciente. De todas as irregularidades investigadas, apenas a distensão abdominal (50%), dor abdominal (25%) e regurgitação (25%) ocorreram durante o uso da DAC. Foi questionado ainda aos cuidadores/familiares, quais dificuldades no uso da DAC eles elencariam, obtendo-se como resposta o receio em preparar a dieta de maneira inadequada (75%), temor que ocorresse entupimento da sonda (75%), considerar a dieta complexa e trabalhosa de ser executada (25%), desgaste físico no preparo da DAC (25%), desperdício dos alimentos (25%) e relato de que a dieta seria perigosa, uma vez que haveria causado um processo infeccioso no intestino da paciente (25%). Apenas um participante (25%) afirmou não sentir qualquer dificuldade no manejo e uso da DAC. As dietas enterais do tipo artesanais, por serem mais complexas de serem elaboradas, apresentam maior erro de porcionamento e inadequação nutricional, sendo muitas dietas incompletas em calorias, macronutrientes, vitaminas e minerais; são mais suscetíveis a risco de contaminação durante o preparo e exigem maior estrutura domiciliar em sua preparação (Braspen, 2018; Jansen; Generoso; Miranda; Guedes; Henriques, 2014 e Candido et al., 2017). A avaliação antropométrica dos pacientes vinculada à Nutritional Risk Score 2002 (NRS 2002) evidenciou estado de desnutrição em 3 pacientes (75%) e de eutrofia no 1 (25%). Para todos (100%), o escore nutricional foi ≥ 3, demonstrando situação de risco nutricional em todos os pacientes avaliados. As causas da desnutrição são múltiplas, estando muitas vezes inter-relacionadas, isto ocorre porque a desnutrição, muito além de predispor à doença, também afeta negativamente o seu resultado (Garcia-Almeida et al., 2017; Cawood; Elias; Stratton, 2012). Outra condição patológica associada à desnutrição é a sarcopenia, um distúrbio muscular esquelético generalizado que resulta em perda de massa, bem como de força muscular, afetando negativamente o desempenho físico do paciente (Goes-Santos; Carson; Da Fonseca, 2024; Cruz‐Jentoft; Bahat; Bauer, 2019). A sarcopenia do tipo secundária poderá ocorrer em pacientes que apresentem condições crônicas como: baixa ingestão de proteínas, inadequação na quantidade de energia consumida na dieta e falência avançada de órgãos, estando associada ao aumento da morbimortalidade deste público (Bauer; Morley; Shols, 2019; Goes-Santos; Carson; Da Fonseca, 2024). CONCLUSÃO: O estudo evidenciou que o uso da dieta enteral artesanal está diretamente associado a riscos nutricionais elevados, decorrentes de inadequações na preparação e falta de orientação técnica. A prevalência de desnutrição e insegurança alimentar reforça a necessidade de apoio governamental, com políticas que assegurem fornecimento de dietas industrializadas, treinamento de cuidadores e acompanhamento multiprofissional.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Cícera Juliana Alves et al.. RISCOS NUTRICIONAIS PRESENTES NO USO DE DIETA ENTERAL ARTESANAL POR PACIENTES DE UMA UNIDADE HOSPITALAR DO CARIRI CEARENSE... In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1383711-RISCOS-NUTRICIONAIS-PRESENTES-NO-USO-DE-DIETA-ENTERAL-ARTESANAL-POR-PACIENTES-DE-UMA-UNIDADE-HOSPITALAR-DO-CARIR. Acesso em: 09/02/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes