PERCA PRECOCE DE IMPLANTES DENTÁRIOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
PERCA PRECOCE DE IMPLANTES DENTÁRIOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Autores
  • Jose Jefferson Honorio da Silva
  • Leonardo Pereira Dantas
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1381915-perca-precoce-de-implantes-dentarios--uma-revisao-integrativa-da-literatura
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Implantes dentários; Falha precoce; Osseointegração; Peri-implantite; Protocolos preventivos.
Resumo
Introdução: A implantodontia contemporânea assenta-se no princípio da osseointegração e tem-se consolidado como alternativa determinante na reabilitação oral, promovendo restauração funcional, estética e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Não obstante os avanços em biomateriais, superfícies implantárias e fluxos digitais de planejamento, a perda precoce de implantes dentários persiste como problema clínico de significativa repercussão, manifestando-se como evento que compromete desfechos terapêuticos, aumenta custos e gera desconforto emocional aos pacientes (ALVES et al., 2023; NASCIMENTO; LOIOLA; LIMA, 2022). A literatura disponível aponta para a natureza multifatorial deste problema, na qual convergem fatores locais (qualidade do leito ósseo, estabilidade primária), condições sistêmicas (diabetes mellitus, osteoporose), variáveis comportamentais (tabagismo, higiene oral) e escolhas técnico-cirúrgicas (posicionamento, traumatismo iatrogênico). Essa complexidade exige investigação crítica e síntese das evidências para embasar protocolos preventivos e decisões clínicas mais seguras (WERLE; RODRIGUES; CORRÊA, 2021; CHRCANOVIC; ALBREKTSSON; WENNERBERG, 2015). Objetivo: o presente estudo teve por objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura visando identificar e sintetizar os principais fatores associados à perda precoce de implantes dentários e as estratégias preventivas descritas, com o propósito de oferecer subsídios técnicos para a prática clínica e para a elaboração de protocolos de manejo que visem à otimização da previsibilidade em reabilitações implantossuportadas. Metodologia: foi adotado o delineamento de revisão integrativa conforme diretrizes metodológicas preconizadas na literatura, com buscas em bases indexadas e seleção criteriosa de estudos originais, revisões sistemáticas e metanálises relevantes ao tema. Foram incluídos trabalhos que investigaram fatores de risco sistêmicos e locais, determinantes técnico-cirúrgicos, características de superfícies implantárias, bem como intervenções preventivas e protocolos de manutenção; excluíram-se relatos de caso isolados e séries com amostras insuficientes. A extração de dados concentrou-se em variáveis relacionadas ao desfecho “falha precoce” (insucesso no período inicial de osseointegração), com organização temática dos achados em blocos de análise: (1) fatores sistêmicos; (2) fatores técnico-cirúrgicos; (3) comportamentos do paciente; e (4) intervenções preventivas e tecnologias aplicadas conforme Hermont et al. (2021). A análise crítica ponderou consistência, aplicabilidade clínica e limitações metodológicas das evidências recuperadas. Resultados e Discussão: A síntese das evidências aponta, de forma consistente, que a perda precoce de implantes é um evento multicausal em que fatores sistêmicos desempenham papel substancial. O diabetes mellitus, sobretudo quando descompensado, associa-se a maior risco de complicações peri-implantares e de falha precoce, devido a alterações na angiogênese, na resposta inflamatória e no processo de cicatrização óssea; por isso, o controle glicêmico prévio é ressaltado como medida imprescindível antes da instalação dos dispositivos (AL ANSARI et al., 2022). A osteoporose também se apresenta como risco relevante, por reduzir a densidade e a qualidade do tecido ósseo, comprometendo a obtenção de estabilidade primária e favorecendo micromobilidade que pode culminar em perda do implante. Esses achados sublinham a necessidade de avaliação clínica e complementares pré-operatórios rigorosos e de manejo multidisciplinar para mitigar riscos sistêmicos. No plano técnico-cirúrgico, a estabilidade primária é reiteradamente identificada como condição para a consecução da osseointegração. Sua obtenção depende de fatores como tipo e densidade do osso receptor, dimensionamento adequado do implante, técnica cirúrgica atraumática e, quando indicado, uso de enxertos e procedimentos regenerativos. Erros de posicionamento, angulação inadequada e traumatismo iatrogênico elevam a probabilidade de sobrecarga biomecânica, micromobilidade e insucesso precoce. Nesse contexto, o planejamento digital e a cirurgia guiada emergem como estratégias que reduzem desvios posicionais, minimizam danos intraoperatórios e incrementam a previsibilidade em reabilitações complexas, sem, contudo, substituir o juízo clínico e a capacitação do operador. Os fatores comportamentais mostraram associação consistente com a falha precoce (MANGANO; MANGANO; LOGOZZO, 2014; LIN et al., 2020). O tabagismo compromete a vascularização local, reduz a oxigenação tecidual e prejudica a resposta imune necessária à cicatrização, o que explica taxas de insucesso mais altas observadas em fumantes; por sua vez, a higiene oral deficiente e a falta de adesão a programas regulares de manutenção favorecem o acúmulo de biofilme e a instalação da peri-implantite, condição frequentemente implicada na perda precoce dos implantes (MOHAJERANI et al., 2017; MUNAKATA et al., 2024). Esses elementos reforçam a importância de intervenções educacionais e programas de manutenção individualizados como componentes obrigatórios do plano terapêutico. Os avanços em biomateriais e em tratamentos de superfície dos implantes aparecem como vetor complementar para reduzir risco de falhas precoces. Superfícies com rugosidade controlada, hidrofilicidade e micro/nanoarquiteturas favorecem a adesão celular, a diferenciação osteoblástica e a osteocondução, acelerando os eventos iniciais de integração e ampliando as possibilidades de sucesso em leitos comprometidos (LE GUEHENNEC et al., 2007; WANG et al., 2023; SHU et al., 2021). Todavia, a seleção do implante e de sua superfície deve ser individualizada, sempre considerada em conjunto com fatores locais e sistêmicos do paciente. A convergência dos achados sugere que a prevenção efetiva da perda precoce requer um modelo de atenção integrado, articulando: (i) avaliação e otimização pré-operatória — com controle glicêmico rigoroso, investigação e manejo da osteoporose, cessação do tabagismo e eliminação de focos infecciosos; (ii) planejamento protético-cirúrgico integrado, concebido em conjunto entre as disciplinas envolvidas e apoiado por tecnologia digital quando indicada; (iii) seleção criteriosa de implantes e de superfícies em consonância com as características do leito ósseo e com o perfil de risco do paciente; e (iv) protocolos de manutenção individualizados, que incluam recall periódico, monitorização clínica e radiográfica e reforço contínuo da educação em higiene oral (SCHWARZ et al., 2018; HERRERA et al., 2023). Os estudos revisados também evidenciam limitações metodológicas relevantes — notadamente heterogeneidade na definição de “insucesso precoce”, diferenças nos períodos de seguimento e variabilidade nos critérios diagnósticos — o que impõe prudência na extrapolação das taxas de falha e realça a necessidade de investigações prospectivas, com protocolos e desfechos padronizados. Em termos práticos, o conjunto de evidências reunidas indica que a aplicação simultânea e coordenada de medidas clínicas (otimização de comorbidades, cessação do tabagismo, controle de focos), técnicas (cirurgia guiada quando indicada, obtenção e verificação da estabilidade primária, execução atraumática) e tecnológicas (implantes com superfícies funcionalizadas e compatíveis com o contexto biológico) constitui a estratégia mais promissora para reduzir falhas evitáveis. A articulação interdisciplinar entre implantodontista, periodontista, protesista e equipe médica — aliada a comunicação clara com o paciente e a documentação sistemática do caso — é fundamental para o planejamento individualizado, para a detecção precoce de sinais de complicação e para a adoção de intervenções tempestivas que preservem os resultados terapêuticos. Conclusão: A revisão integrativa confirma que a perda precoce de implantes dentários é produto da interação entre fatores sistêmicos, técnico-cirúrgicos e comportamentais. A redução das taxas de insucesso precoce depende, portanto, de uma abordagem multidimensional que englobe: otimização pré-operatória das comorbidades (com ênfase em diabetes e osteoporose), precisão técnica apoiada por planejamento digital quando indicado, seleção criteriosa de implantes e superfícies, e implementação de protocolos contínuos de manutenção e educação do paciente. Para consolidar recomendações clínicas robustas, são necessários estudos prospectivos, com definição padronizada de insucesso precoce e períodos de seguimento adequados.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Jose Jefferson Honorio da; DANTAS, Leonardo Pereira. PERCA PRECOCE DE IMPLANTES DENTÁRIOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1381915-PERCA-PRECOCE-DE-IMPLANTES-DENTARIOS--UMA-REVISAO-INTEGRATIVA-DA-LITERATURA. Acesso em: 16/02/2026

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