BENEFÍCIOS DA VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO INVASIVA EM PACIENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA EXACERBADA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
BENEFÍCIOS DA VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO INVASIVA EM PACIENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA EXACERBADA
Autores
  • Maria Luzia Pereira Domingos
  • Poliana Da Silva Almeida
  • Ana Raquel Pereira De Sousa
  • Liziane Silva Ferreira dos Santos Cruz
  • Elizangela Teixeira De Sousa
  • claudia alves de alencar
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Estudos experimentais e de revisão- Metodologias de revisões sistemáticas, integrativas, meta análise e modelos experimentais em pesquisa biomédica.
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1374320-beneficios-da-ventilacao-mecanica-nao-invasiva-em-pacientes-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica-exacerbada
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Insuficiência Respiratória, Ventilação Não Invasiva.
Resumo
1. INTRODUÇÃO A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, caracterizando-se por uma limitação progressiva e irreversível do fluxo aéreo devido a uma resposta inflamatória crônica às partículas e gases nocivos, principalmente ao tabagismo. No Brasil, afeta cerca de 17% da população adulta acima dos 40 anos, gerando grande impacto socioeconômico. As exacerbações da doença, representadas pela piora súbita da dispneia e pela retenção de dióxido de carbono, frequentemente resultam em insuficiência respiratória aguda, o que demanda intervenções ventilatórias para evitar complicações fatais. Tradicionalmente, a Ventilação Mecânica Invasiva (VM) era utilizada nesses casos, mas o desenvolvimento da Ventilação Não Invasiva (VNI) trouxe uma alternativa eficaz, segura e menos agressiva, reduzindo a necessidade de intubação e melhorando a sobrevida dos pacientes. 2. OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Investigar os principais benefícios da ventilação não invasiva em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica. 2.2 OBJETIVO ESPECÍFICO ●Retratar o mecanismo de ação e os efeitos fisiológicos da ventilação não invasiva em indivíduos com piora dos sintomas da DPOC; ●Destacar o principal modo e os parâmetros mais utilizados, bem como as indicações e contraindicações do uso de suporte ventilatório não invasivo no manejo da DPOC agravada; ●Avaliar os impactos positivos da ventilação não invasiva na vida de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada; ●Analisar os preditores de falha e quando interromper a ventilação não invasiva. 3. METODOLOGIA O estudo adota uma abordagem qualitativa e exploratória, desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica integrativa, reunindo evidências científicas publicadas entre 2020 e 2025 nas bases SCIELO, LILACS e PubMed. Foram incluídos artigos de intervenção, estudos de caso e ensaios clínicos com texto completo em português, inglês ou espanhol. Excluíram-se revisões sistemáticas e trabalhos fora do período delimitado. Dos 267 artigos, inicialmente encontrados, apenas os que apresentavam relação direta com a temática foram analisados em profundidade. 4. RESULTADOS Os resultados da revisão revelaram um consenso entre os autores sobre a eficácia da VNI como terapia de primeira linha em casos de exacerbação aguda da DPOC. Estudos clínicos e observacionais indicam melhora significativa na troca gasosa, redução da hipercapnia e da dispneia, além de uma expressiva diminuição da necessidade de ventilação invasiva. Tan et al. (2022), em um ensaio clínico randomizado, demonstraram que a VNI apresentou taxa de falha de apenas 14,3%, contra 25,7% da Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF), além de reduzir a necessidade de intubação para 5,4%. Resultados semelhantes foram encontrados em Singh et al. (2024), que destacaram a utilidade do escore HACOR como preditor da resposta à VNI: pacientes com pontuação ≤5 apresentaram taxa de sucesso de 87%. Em contrapartida, Navarro et al. (2023) e Rodríguez et al. (2020), relataram altas taxas de falha (acima de 50%), em pacientes idosos ou com início tardio da intervenção, evidenciando que a eficácia da VNI depende fortemente da precocidade do tratamento e do estado clínico inicial. Outros estudos, como o de Weigert et al. (2021), comprovaram que 66,9% dos pacientes com insuficiência respiratória aguda associada à DPOC obtiveram sucesso terapêutico com a VNI, apresentando redução do tempo de internação e da mortalidade hospitalar. Pesquisas recentes, também reforçam que, a combinação da VNI com terapias complementares potencializa seus resultados. Xie et al. (2024) demonstraram que a associação entre VNI domiciliar e reabilitação pulmonar reduziu significativamente a dispneia e aumentou a capacidade funcional. Já Xiao et al. (2024) relataram que o uso concomitante de VNI e terapia inalatória durante a reabilitação elevou a taxa de eficácia clínica para 95%, melhorando tanto os parâmetros respiratórios quanto a qualidade de vida dos pacientes. A análise dos resultados evidencia ainda que o sucesso da VNI está diretamente relacionado à seleção criteriosa dos pacientes e ao monitoramento contínuo. Os principais preditores de falha encontrados foram pH inferior a 7,25, hipoxemia refratária, taquipneia persistente e intolerância à interface. O uso de escores clínicos, como o HACOR, é uma ferramenta valiosa para prever a resposta ao tratamento e decidir oportunamente pela intubação, evitando a deterioração respiratória. Ademais, estudos como os de Centeno-Hurtado et al. (2023) mostraram que pacientes com menor comprometimento gasométrico têm melhor resposta à VNI e menor necessidade de ventilação invasiva, reforçando a importância da aplicação precoce da técnica. 5. DISCUSSÃO A discussão dos resultados permite compreender que a VNI não deve ser considerada uma intervenção isolada, mas parte de uma abordagem multidisciplinar voltada à estabilização clínica e reabilitação pulmonar do paciente com DPOC. Além da redução das complicações infecciosas associadas à intubação e da diminuição do tempo de hospitalização, a VNI oferece vantagens psicológicas e funcionais, uma vez que permite ao paciente manter a fala, a alimentação e a tosse, contribuindo para maior conforto e adesão ao tratamento. No entanto, a literatura também aponta desafios importantes, como a falta de padronização dos parâmetros ventilatórios ideais e a necessidade de maior treinamento das equipes para otimizar o uso da técnica e reconhecer precocemente os sinais de falha. Do ponto de vista clínico, a escolha do modo ventilatório e dos parâmetros deve ser individualizada. O modo BIPAP é o mais utilizado nas exacerbações da DPOC, com pressões inspiratórias entre 10 e 25 cmH₂O e expiratórias entre 4 e 6 cmH₂O, ajustadas conforme a resposta clínica e gasométrica. A fração inspirada de oxigênio (FiO₂) deve ser cuidadosamente titulada para manter a saturação entre 88% e 92%, evitando a piora da retenção de CO₂. A interface facial ou oronasal é a mais empregada, embora possa causar desconforto e lesões cutâneas, o que reforça a importância de ajustes ergonômicos e da alternância de interfaces quando possível. O debate entre diferentes modalidades, como VNI e CNAF, também tem sido recorrente. Enquanto alguns autores defendem a VNI pela eficácia na correção da hipercapnia, outros, como Feng et al. (2020) e Sheth et al. (2023), apontam que a CNAF pode apresentar desempenho equivalente em pacientes sem hipercapnia significativa, além de maior tolerância e menor incidência de complicações cutâneas. Isso indica que a escolha da técnica deve levar em conta não apenas a fisiopatologia, mas também a tolerabilidade do paciente e o contexto clínico, especialmente em casos pós-extubação. De modo geral, os achados convergem para o entendimento de que a ventilação não invasiva é uma ferramenta essencial no manejo da DPOC exacerbada. Sua implementação precoce, aliada ao acompanhamento multiprofissional, reduz a mortalidade, o tempo de internação e o número de reinternações. Quando aplicada de forma correta e integrada a outras estratégias terapêuticas, como fisioterapia respiratória e reabilitação pulmonar, a VNI contribui de maneira expressiva para a melhora da qualidade de vida dos pacientes e para a otimização dos recursos hospitalares. 6. CONCLUSÃO Em conclusão, a ventilação não invasiva representa um avanço significativo no tratamento da DPOC exacerbada, oferecendo benefícios clínicos amplamente comprovados e diminuindo os riscos inerentes à ventilação invasiva. No entanto, sua eficácia depende de fatores como a indicação adequada, o início precoce da aplicação, o monitoramento criterioso e a atuação de uma equipe interdisciplinar qualificada. O estudo evidencia que o uso racional da VNI deve integrar os protocolos de atendimento de pacientes com DPOC em unidades de urgência e terapia intensiva, assegurando um tratamento mais seguro, eficaz e humanizado.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DOMINGOS, Maria Luzia Pereira et al.. BENEFÍCIOS DA VENTILAÇÃO MECÂNICA NÃO INVASIVA EM PACIENTES COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA EXACERBADA.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1374320-BENEFICIOS-DA-VENTILACAO-MECANICA-NAO-INVASIVA-EM-PACIENTES-COM-DOENCA-PULMONAR-OBSTRUTIVA-CRONICA-EXACERBADA. Acesso em: 14/02/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes