A FONOAUDIOLOGIA NO CONTEXTO ONCOLÓGICO: FUNÇÕES COMUNICATIVAS E REABILITAÇÃO EM PERSPECTIVA CIENTÍFICA

Publicado em 19/01/2026 - ISBN: 978-65-272-2134-0

Título do Trabalho
A FONOAUDIOLOGIA NO CONTEXTO ONCOLÓGICO: FUNÇÕES COMUNICATIVAS E REABILITAÇÃO EM PERSPECTIVA CIENTÍFICA
Autores
  • Joice Eliany Travassos De Lima
  • Tayronne de Almeida Rodrigues
  • João Leandro Neto
  • Maria Georgia Alencar Callou De Figueiredo
  • Márcia Rejane Freire De Oliveira
Modalidade
Resumo Expandido Estruturado
Área temática
Educação e Formação em Saúde – metodologias inovadoras, ensino interprofissional, extensão e práticas pedagógicas
Data de Publicação
19/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1365028-a-fonoaudiologia-no-contexto-oncologico--funcoes-comunicativas-e-reabilitacao-em-perspectiva-cientifica
ISBN
978-65-272-2134-0
Palavras-Chave
Disfagia, Laringectomia, Comunicação terapêutica, Reabilitação vocal, Cuidado interdisciplinar.
Resumo
Introdução Nas últimas décadas, o câncer vinculou-se progressivamente aos debates em saúde pública, dado o seu impacto crescente em termos de incidência, mortalidade e sobrecarga para os sistemas de atenção. Entre os tipos oncológicos, aqueles acometendo a região de cabeça e pescoço (incluindo cavidade oral, orofaringe, laringe, hipofaringe) destacam-se por implicarem comprometimentos diretos das funções da comunicação humana - voz, fala, respiração, deglutição, bem como pela necessidade de estratégias reabilitativas complexas. A fonoaudiologia emerge, nesse contexto, como área de atuação estratégica, uma vez que as terapias dirigidas podem intervir nas sequelas funcionais geradas por intervenções cirúrgicas, quimioterapia, radioterapia ou combinadas (Rossi et al., 2021). Os pacientes oncológicos enfrentam múltiplos desafios: alterações anatômicas e fisiológicas decorrentes da própria neoplasia ou de seu tratamento, comprometimento da qualidade de vida, dificuldades para a comunicação e para a alimentação segura. Esses desafios ganham dimensão mais complexa quando considerados os percursos clínicos interdisciplinares e a heterogeneidade individual dos pacientes. Apesar da evidência crescente sobre os benefícios da reabilitação fonoaudiológica, ainda persistem lacunas quanto ao momento ideal de intervenção, aos protocolos mais eficazes e à integração efetiva do fonoaudiólogo nas equipes oncológicas (Logan et al., 2021). O presente estudo pretende sistematizar os conhecimentos existentes e investigar as barreiras e possibilidades da atuação fonoaudiológica junto a pacientes oncológicos. Especificamente, propõe-se analisar, por meio da literatura especializada, os modelos de intervenção fonoaudiológica mais utilizados em pacientes oncológicos, bem como os obstáculos à implementação e os resultados reportados no âmbito da função vocal, articulatória, deglutição e qualidade comunicativa residual. Em face desse objetivo, apresenta-se o seguinte problema de pesquisa: em que medida as intervenções fonoaudiológicas implementadas em pacientes oncológicos favorecem a recuperação das funções de comunicação e deglutição, e quais fatores condicionam sua eficácia em diferentes contextos clínicos? A ênfase recairá sobre evidências relacionadas às intervenções em voz, fala, articulação e disfagia, bem como sobre os mecanismos que favorecem ou dificultam sua adoção no contexto da oncologia. Essa introdução servirá de base para as seções seguintes, que explorarão o estado da arte, os desafios enfrentados e as perspectivas futuras para a prática fonoaudiológica oncológica. Metodologia A pesquisa adota uma revisão crítica da produção acadêmica recente sobre a atuação fonoaudiológica em oncologia, com foco na reabilitação de pacientes acometidos por câncer de cabeça e pescoço. Essa opção metodológica tem por finalidade examinar, de forma analítica e interpretativa, como se estruturam os modelos de intervenção descritos na literatura e em que medida respondem às demandas funcionais e comunicativas desse público. Segundo Minayo (2014), a investigação qualitativa busca compreender o fenômeno em sua totalidade, privilegiando a interpretação dos sentidos presentes nas práticas e discursos científicos. O estudo compreendeu publicações dos últimos cinco anos, entre 2020 e 2025, obtidas em bases indexadas como SciELO, PubMed, Lilacs e CAPES Periódicos. Foram empregados descritores específicos relacionados a fonoaudiologia, oncologia, cabeça e pescoço, disfagia, comunicação e reabilitação. Incluíram-se artigos completos revisados por pares, publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem intervenções fonoaudiológicas em pacientes oncológicos adultos. Excluíram-se relatos isolados de caso, revisões narrativas sem rigor metodológico e produções não indexadas. Os textos selecionados foram submetidos à leitura analítica, com organização dos conteúdos em categorias temáticas que permitiram identificar convergências e divergências entre os estudos. Essa sistematização possibilitou compreender os referenciais clínicos e conceituais adotados, bem como os limites e potencialidades das práticas descritas. O percurso metodológico proposto busca atender ao objetivo geral e à pergunta de pesquisa, fornecendo base para a discussão crítica dos resultados e para o delineamento de perspectivas futuras na fonoaudiologia oncológica. Resultados e Discussão Os achados sobre fonoaudiologia oncológica têm demonstrado que a disfunção de deglutição permanece entre as sequelas mais recorrentes em pacientes submetidos à radioterapia e quimioterapia para câncer de cabeça e pescoço. Govender (2024) descreve que os efeitos tardios do tratamento, como fibrose e alterações sensoriais orofaríngeas, comprometem de modo relevante a segurança alimentar e requerem acompanhamento fonoaudiológico contínuo. A autora observa que a atuação terapêutica estruturada assegura a preservação das funções de deglutição e a reintegração gradual do paciente à rotina alimentar. Em investigações direcionadas à reabilitação precoce, Hussain et al. (2023) analisaram protocolos aplicados antes e durante o tratamento oncológico e constataram progressos funcionais no primeiro ano de acompanhamento. O estudo identificou ausência de uniformidade nos métodos e divergências quanto à frequência, intensidade e duração das terapias, o que compromete a comparação entre resultados. Os autores relatam ainda a carência de profissionais capacitados e a limitação de recursos institucionais, fatores que restringem a implantação sistemática de programas de reabilitação. No campo da voz, Maniaci et al. (2023) analisaram a efetividade da prótese traqueoesofágica após laringectomia total e observaram resultados consistentes na inteligibilidade e no desempenho comunicativo. O procedimento mantém relevância clínica quando associado a acompanhamento terapêutico contínuo e ajustes periódicos. Singer et al. (2013), em estudo longitudinal, observaram melhora gradual da produção vocal ao longo do primeiro ano de acompanhamento, reforçando a necessidade de continuidade das intervenções fonoaudiológicas. Halpern et al. (2025) examinaram a correspondência entre parâmetros perceptivos e acústicos em pacientes submetidos a tratamento oncológico e verificaram correlação direta entre inteligibilidade, articulação e qualidade vocal. Essa convergência permite compreender que uma avaliação perceptiva bem delineada pode representar indicador confiável de desempenho comunicativo, sobretudo em contextos com recursos limitados. As publicações consultadas descrevem variações significativas entre os protocolos de intervenção, o que reduz a possibilidade de generalização dos achados. A ausência de padronização nos instrumentos de avaliação, o número reduzido de participantes e a curta duração dos acompanhamentos comprometem a consistência das análises comparativas. Estudos de maior amplitude temporal são necessários para avaliar a permanência dos ganhos funcionais. Além desses aspectos metodológicos, a literatura recente evidencia obstáculos estruturais relacionados à inserção do fonoaudiólogo nas equipes oncológicas, à falta de políticas institucionais que assegurem continuidade terapêutica e à desigualdade no acesso aos serviços de reabilitação. Os resultados apresentados nas pesquisas consultadas consolidam a relevância da atuação fonoaudiológica na oncologia contemporânea, especialmente nas áreas de disfagia e reabilitação vocal. A efetividade clínica depende do início precoce das intervenções, da adesão do paciente e da integração entre os diferentes profissionais da equipe de saúde. A ampliação de estudos com delineamento experimental, amostras representativas e acompanhamento prolongado constitui requisito fundamental para o fortalecimento científico e técnico da fonoaudiologia aplicada ao cuidado oncológico. Considerações Finais À luz da literatura, consolida-se a compreensão de que o cuidado fonoaudiológico organizado, iniciado precocemente e mantido com regularidade, sustenta ganhos funcionais mensuráveis em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, o que se confirma em revisões e estudos aplicados sobre manejo da deglutição e adesão terapêutica. A literatura recente confirma a necessidade de acompanhamento contínuo, individualizado e precocemente iniciado, como condição essencial para a preservação das funções de comunicação e alimentação. Os estudos de Govender (2024) e Hussain et al. (2023) descrevem a relevância da intervenção sistematizada, planejada em conjunto com as demais áreas da equipe de saúde, reconhecendo a complexidade das sequelas físicas e psicossociais decorrentes do tratamento oncológico. As contribuições de Maniaci et al. (2023) e Singer et al. (2013) apontam que a reabilitação vocal baseada na prótese traqueoesofágica constitui alternativa de expressão comunicativa eficaz, embora dependa de manutenção constante e da adesão do paciente ao acompanhamento terapêutico. As pesquisas de Halpern et al. (2025) apresentam novas perspectivas sobre a correlação entre medidas perceptivas e acústicas, sugerindo possibilidades de aprimoramento nos processos avaliativos em contextos clínicos com restrição de recursos. A convergência dessas produções científicas delineia um campo no qual a fonoaudiologia assume a responsabilidade de restaurar funções fisiológicas e de favorecer a reintegração social e simbólica do sujeito após o adoecimento. A ausência de protocolos padronizados, de estudos longitudinais amplos e de políticas institucionais voltadas à reabilitação fonoaudiológica demonstra que o campo ainda requer consolidação científica e reconhecimento efetivo nas práticas oncológicas. O fortalecimento da fonoaudiologia oncológica depende da ampliação de pesquisas com rigor metodológico, da qualificação profissional especializada e da integração entre teoria e prática, orientada por uma concepção de cuidado que una ética, técnica e compromisso com a qualidade de vida dos pacientes.
Título do Evento
I Congresso Multidisciplinar em Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Cidade do Evento
Crato
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Joice Eliany Travassos De et al.. A FONOAUDIOLOGIA NO CONTEXTO ONCOLÓGICO: FUNÇÕES COMUNICATIVAS E REABILITAÇÃO EM PERSPECTIVA CIENTÍFICA.. In: Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte. Anais...Juazeiro do Norte(CE) Anais do I Congresso Multidisciplinar de Saúde, IV Semana de Iniciação Científica, II Semana de Extensão Universitária da UNINASSAU Juazeiro do Norte, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-semana-iniciacao-cientifica-universitaria/1365028-A-FONOAUDIOLOGIA-NO-CONTEXTO-ONCOLOGICO--FUNCOES-COMUNICATIVAS-E-REABILITACAO-EM-PERSPECTIVA-CIENTIFICA. Acesso em: 12/02/2026

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