RISCOS DA CONTAMINAÇÃO MICROBIANA EM ALIMENTOS CONSUMIDOS NA RUA

Publicado em - ISBN: 978-65-272-0871-6

Título do Trabalho
RISCOS DA CONTAMINAÇÃO MICROBIANA EM ALIMENTOS CONSUMIDOS NA RUA
Autores
  • Levy Silva De Oliveira
  • Lara Ribeiro de Almeida
  • Mateus Farias da Silva
  • Milanis Caetano Dos Santos
  • Mário Sidney
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Saúde Pública
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iv-congresso-de-biomedicina-da-regiao-nordeste-i-jornada-de-hematologia-e-hemoterapia-do-nordeste-344269/748156-riscos-da-contaminacao-microbiana-em-alimentos-consumidos-na-rua
ISBN
978-65-272-0871-6
Palavras-Chave
Contaminação de alimentos, Alimentos de rua, Saúde pública.
Resumo
RESUMO: É cada vez mais comum o consumo de alimentos de rua, no entanto, as desconfianças acerca da segurança alimentar desses produtos estão cada vez maiores. O objetivo foi revisar as evidências científicas acerca dos riscos que a contaminação microbiana de alimentos de rua pode oferecer para as pessoas. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa feita na Base de Dados Eletrônica: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde. Foram incluídos 14 artigos.Constataram que em todas as amostras de fast food’s analisadas foram encontradas quantidade significativas de Staphylococcus coagulase positiva, coliformes totais e Salmonella sp. Pode-se afirmar que a má manipulação e falta higiene durante o manejo dos alimentos de rua podem acarretar em danos à saúde. 1 INTRODUÇÃO É cada vez mais comum o consumo de alimentos de rua nos dias de hoje, pois, tem se tornando uma escolha rápida, prática e econômica para a sociedade, no entanto, as desconfianças acerca da segurança alimentar desses produtos estão cada vez maiores (Fröder et al., 2021). Aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas cotidianamente são consumidores de alimentos neste tipo de segmento. O perigo de contaminação alimentar que esses alimentos de rua oferecem as pessoas é extremamente alto, visto que, as etapas de preparação não possuem nenhum tipo de controle de qualidade microbiológica, além do mais, não possuem a infra-estrutura adequada, dispondo de água não tratada , má higiene dos manipuladores e utensílios, favorecendo o desenvolvimento de microrganismos patogênicos que causam toxi-infecções alimentares severas. Essas intoxicações alimentares são oriundas da contaminação do alimento por vários agentes, de forma direta, indireta ou acidental, provocando prejuízos às pessoas que consomem esses produtos (Somariva; Bortolini; Bampi, 2013). As doenças decorrentes da ingestão de alimentos contaminados são conhecidas como Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). Essa é responsável por graves complicações de saúde pública e por grandes impactos econômicos (Melo et al., 2018). Os patogênos mais comuns de causar DTAs no Brasil entre 2010 e 2015 foram a Salmonella spp., Staphhylococcus aureus, Escherichia coli e Bacillus cereus (Soragni; Barnabe; Mello, 2019). Sendo assim, surgiu o interesse em estudar sobre os riscos de contaminação dos alimentos comercializados em ruas, pois, os profissionais da área da saúde devem estar atentos aos problemas sanitários que podem ocasionar prejuízos à saúde pública. Diante do exposto, o questionamento norteador da pesquisa foi: quais os riscos da contaminação microbiana dos alimentos de rua podem oferecer para as pessoas? 2 OBJETIVO Revisar as evidências científicas acerca dos riscos que a contaminação microbiana de alimentos de rua pode oferecer para as pessoas. 3 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa. A pesquisa bibliográfica é feita de um material já elaborado de livros e artigos científicos. A abordagem qualitativa é aquela pesquisa que não requer uso da estatística para análise de dados (Gil, 2002).A pesquisa ocorreu no mês de setembro de 2023 na Base de Dado Eletrônica: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS)com o uso do cruzamento dos Descritores em Ciências de Saúde (DeCS): “Contaminação de alimentos” e “Alimentos de rua” com uso do operador booleano AND. Os critérios de inclusão foram artigos dos últimos 10 anos e redigidos na língua portuguesa. Os critérios de exclusão foram artigos de revisão de literatura, fuga do tema, artigos repetidos, textos incompletos e literatura cinzenta. Durante a busca geral, foram encontrados 59 resultados. Após aplicação dos critérios de inclusão, reduziu para 37 resultados. Após aplicação dos critérios de exclusão, foram incluídos 14 artigos no estudo, sendo todos da LILACS. A análise dos dados foi feita por meio de leitura e fichamentos dos artigos. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Em relação aos achados científicos, em um estudo realizado em uma feira livre, foi constatado a presença de microrganismos mesofilos aeróbios, leveduras, bolores e enterobactérias acima da norma estabelecida pela legislação, revelando as condições insalubres e inadequadas para a comercialização de alimentos para o consumo humano, visto que, a presença de tais patógenos podem causar surtos de infecções alimentares e a ocorrência de DTAs (Nunes; Ferreira, 2016). Novaes et al., (2018) evidenciou em sua pesquisa que as amostras de pastéis analisadas em seu estudo continham presença e crescimento bacteriano como Staphylococcus e clostrídios, no entanto, foi observado que todos os resultados estão dentro dos padrões estabelecidos pela legislação vigente da RDC nº 12/2001. Sendo assim, as amostras estão aptas para o consumo, porém, devem-se seguir criteriosamente as práticas de higienização durante a manipulação alimentar no comércio de lanches de rua pelos manipuladores para, assim, garantir a segurança e qualidade alimentar, reduzindo os riscos de contaminação microbiana. Já um dado importante apresentado em outro estudo, foram encontrado coliformes totais e termotolerantes nos materiais coletados das mãos dos manipuladores, revelando a ausência de boas práticas de higienização e do manejo dos alimentos, aumentando ainda mais os riscos da contaminação alimentar por microrganismo como, por exemplo, Enterobactérias como a E. coli responsável por doenças diarréicas (Silva; Santos; Viana, 2020). Satiro, Aragão e Serquiz (2018) constataram que em todas as amostras de fast food’s analisadas foram encontradas quantidade significativas de Staphylococcus coagulase positiva, coliformes totais e Salmonella sp., tais quantidades de microrganismos acima do permitido pela RDC nº 12/2001 da Agencia Nacional de vigilância Sanitária, indicando assim péssimas condições de manuseio do alimento, além da exposição ao ar livre e em ambientes abertos que há transito e poluição. Em contrapartida, foram encontrados microrganismos patogênicos para a saúde humana como Bacillus cereus, Staphylococcus coagulase positiva, no entanto, em níveis muito baixos sem apresentarem riscos aos consumidores e estando dentro da legislação vigente. Tal fato é levantado pela rápida venda dos produtos, havendo pouco tempo para proliferação e contaminação cruzada dos microrganismos (Moura; Santos; Coelho, 2017; Somariva; Bortolini; Bampi, 2013; Santos et al., 2017). Em uma pesquisa envolvendo caldo de cana produzido e comercializado nas ruas de Curitiba, foi evidenciado que 60% das amostras analisadas de locais diferentes foram encontrados taxas superiores de coliformes totais acima das conformidades das normas permitidas. Destes, todas as amostras apresentaram contaminação por Escherichia coli, o que torna o produto impróprio para o consumo (Souza et al., 2017; Silva, Martins; Soares, 2018; Neto; Rosa; Vieira, 2015). Em outro estudo evidenciou que a ausência de boas práticas de higiene e no manuseio dos alimentos por ambulantes, ocasionou no surgimento de contaminação dos alimentos comercializados, que podem gerar o surgimento de DTAs, revelando a falta de treinamentos acerca do tema para os profissionais que são envolvidos nesses processos (Cintra et al., 2017; Campos et al., 2016; Azevedo et al., 2017). Em um estudo realizado para analisar a água de coco comercializadas em ruas de Fortaleza, foi constatado que em todas as amostras analisadas tinham a presença de coliformes totais, bolores e leveduras acima do permitido. No entanto, não foi observada a presença de coliformes fecais e salmonella. Nesse estudo também foi revelando as condições inadequadas de comercialização desses alimentos pela falta de práticas sanitárias adequadas, o que pode ocasionar a ocorrência DTAs (Menezes et al., 2013). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Portanto, pode-se afirmar que a fiscalização falha, a ausência de uma infra-estrutura adequada, à má manipulação, a ausência de treinamentos sobre boas práticas de manuseio do alimento e a falta higiene durante o manejo dos alimentos de rua podem acarretar em danos e riscos à saúde, inclusive na ocorrência de DTAs. REFERÊNCIAS AZEVEDO, A. C. A. et al. Qualidade microbiológica do queijo de manteiga comercializado em supermercados e feiras livres da cidade de Natal-RN. Hig. Alim, v. 31, n. 266/267, p. 91-95, 2017. CAMPOS, C. M. F. et al. Condições higienicossanitárias na comercialização de água de coco (Cocus nucifera) em carrinhos do tipo Coco Express, no centro de uma capital do nordeste Brasileiro. Hig. aliment, p. 32-36, 2016. CINTRA, P. et al. 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Título do Evento
IV CONGRESSO DE BIOMEDICINA DA REGIÃO NORDESTE I JORNADA DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA DO NORDESTE
Cidade do Evento
Fortaleza
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso de Biomedicina da Região Nordeste - Quarta Edição
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Levy Silva De et al.. RISCOS DA CONTAMINAÇÃO MICROBIANA EM ALIMENTOS CONSUMIDOS NA RUA.. In: Anais do Congresso de Biomedicina da Região Nordeste - Quarta Edição. Anais...Fortaleza (CE) Fábrica de Negócios, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iv-congresso-de-biomedicina-da-regiao-nordeste-i-jornada-de-hematologia-e-hemoterapia-do-nordeste-344269/748156-RISCOS-DA-CONTAMINACAO-MICROBIANA-EM-ALIMENTOS-CONSUMIDOS-NA-RUA. Acesso em: 21/05/2026

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