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Apresentação
Nota Editorial
A publicação dos
presentes Anais do III Simpósio Internacional em Direitos Humanos e Cidadania
representa mais do que o registo da produção científica apresentada
durante os trabalhos realizados na cidade do Porto/Portugal. Constitui, acima
de tudo, a expressão de uma comunidade académica internacional que
reconhece a investigação
científica
como instrumento indispensável para compreender,
problematizar e enfrentar as profundas desigualdades que continuam a desafiar a
concretização efetiva dos Direitos Humanos no século XXI.
Num contexto
internacional, marcado por crescentes assimetrias económicas, políticas,
ambientais e tecnológicas, o Simpósio assumiu como tema agregador "Desigualdades Estruturais e
Violações Sistemáticas de Direitos Humanos", convocando investigadores e
investigadoras provenientes de diferentes tradições científicas,
sistemas jurídicos e realidades sociais para um diálogo interdisciplinar
sustentado pelo rigor metodológico e pelo compromisso ético com a produção de
conhecimento de interesse público. A diversidade das perspetivas reunidas
confirma que os desafios contemporâneos ultrapassam fronteiras nacionais e
exigem respostas construídas através da cooperação internacional, da investigação
colaborativa e da circulação global do conhecimento.
A terceira edição
deste Simpósio consolida uma trajetória de internacionalização iniciada em edições
anteriores, afirmando uma rede científica que congrega Universidades, Centros
de Investigaçãoo e Instituições académicas da Europa e da
América
Latina. A cooperação entre a Universidade Salvador (UNIFACS), no Brasil, e a
Universidade Portucalense Infante D. Henrique (UPT), em Portugal, constituiu o núcleo
estruturante desta iniciativa, à qual se associaram diversas Instituições de ensino superior e Centros de
investigação de Portugal, Brasil, Espanha e México, entre outros espaços
académicos
representados na programação científica. Esta convergência institucional
evidencia a maturidade de uma rede que tem vindo a fortalecer parcerias
internacionais, promover projetos conjuntos e incentivar a circulação de investigadores e
investigadoras, docentes e estudantes de pós-graduação.
A riqueza destes Anais
resulta precisamente dessa pluralidade. Os trabalhos agora publicados revelam a
coexistência de diferentes metodologias, tradições epistemológicas e abordagens
disciplinares, sem perder de vista uma preocupação comum: compreender as formas
pelas quais as desigualdades estruturais condicionam o exercício da cidadania,
fragilizam a democracia e limitam a efetividade dos direitos fundamentais.
Os quatro eixos
científicos que organizaram o Simpósio ilustram bem essa amplitude temática. As
reflexões sobre desigualdades estruturais, interseccionalidade e exclusão
social dialogaram com estudos dedicados à governamentalidade, às crises democráticas
e às transformações das instituições
políticas e jurídicas. Em paralelo, os debates sobre
justiça ambiental, sustentabilidade e direito à cidade aproximaram-se das
discussões sobre
inteligência artificial, governança algorítmica, proteção de
dados e novas formas de desigualdade produzidas pelas tecnologias digitais.
Embora distintos nos seus objetos de investigação, estes eixos revelam uma notável complementaridade, permitindo
compreender como fenómenos aparentemente autónomos se
encontram profundamente interligados nas dinâmicas contemporâneas de produção
e reprodução das desigualdades.
Esta diversidade temática não representa
fragmentação; pelo contrário, constitui uma das maiores virtudes científicas da
presente edição. Os textos reunidos demonstram que os Direitos Humanos apenas
podem ser compreendidos na sua plenitude quando analisados através do diálogo entre o
Direito, a Ciência Política, a Sociologia, a Filosofia, os Estudos Urbanos, as Ciências
Ambientais, a Administração Pública e os estudos sobre inovação tecnológica. Tal perspetiva
interdisciplinar permitiu construir um espaço de debate particularmente
fecundo, onde diferentes campos do saber convergiram na procura de respostas
para problemas comuns.
Importa igualmente salientar que muitos dos trabalhos
agora publicados nasceram do diálogo direto entre membros da comunidade de
investigação em diferentes etapas do percurso académico e científico, desde a
investigação sénior até à formação pós-doutoral, doutoral e de
mestrado, evidenciando o compromisso do Simpósio com a formação de novas
gerações e com a renovação contínua das comunidades científicas dedicadas aos Direitos
Humanos. A publicação destes Anais prolonga esse processo
formativo, permitindo que os debates desenvolvidos durante o encontro alcancem
uma audiência mais vasta e permaneçam disponíveis para futuras investigações.
Estes Anais refletem
igualmente uma opção clara pela internacionalização da produção científica. A
aceitação de trabalhos em diferentes idiomas, a avaliação por pares em regime
de double blind
review, a participação de uma Comissão Científica internacional
conferem à presente publicação uma dimensão que ultrapassa o âmbito de um encontro científico
isolado, inserindo-a num processo contínuo de cooperação académica internacional e
de consolidação de redes de investigação. A ciência aqui produzida é, por natureza,
colaborativa, aberta ao diálogo intercultural e comprometida com elevados
padrões de qualidade científica.
A
Direção do evento, a Comissão Científica e a Comissão
Organizadora agradecem profundamente a TODOS que tornaram possível esta
terceira edição. O empenho coletivo demonstrado ao longo de todo o processo — desde a
submissão e avaliação dos trabalhos até à realização do encontro e preparação desta
publicação — confirma que a investigação científica continua a constituir um dos mais sólidos
instrumentos para promover o pensamento crítico, fortalecer a cooperação
internacional e contribuir para sociedades mais justas, inclusivas e
democráticas.
A publicação destes
Anais não representa, por isso, um ponto de chegada. Constitui antes um novo
ponto de partida. As questões aqui debatidas permanecem abertas, convocando
novas investigações, novas cooperações internacionais e novos espaços de
diálogo científico. Espera-se que os estudos agora disponibilizados inspirem
futuras agendas de investigação, reforcem as redes académicas já constituídas e
contribuam para aprofundar o debate internacional sobre os desafios
contemporâneos dos Direitos Humanos.
É precisamente nesta
continuidade que reside o significado mais profundo desta terceira edição:
consolidar uma comunidade científica internacional comprometida com a produção
de conhecimento rigoroso, socialmente relevante e intelectualmente plural,
capaz de transformar o diálogo académico em contributo efetivo para a construção de uma
cidadania mais inclusiva e de uma cultura global de respeito pelos Direitos
Humanos.
Porto, 31 de Julho de
2026
A Direção Científica do III Simpósio Internacional em
Direitos Humanos e Cidadania,
Maria
Manuela Magalhães
UPT / IJP (Portugal)
José Euclimar Xavier de Menezes
UNIFACS / UPT / IJP
(Brasil)
María Esther Martínez Quinteiro
USAL / UPT / IJP
(Espanha)
Zamira de Assis
UPT / IJP (Portugal)
Maria Emília
Teixeira
UPT / IJP (Portugal)
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Responsável
Instituto Jurídico Portucalense
Universidade Salvador / Grupo de Pesquisa Políticas e Epistemes da Cidadania
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