IDENTIDADES, SABERES E VIVÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Publicado em 03/05/2023 - ISBN: 978-85-5722-738-5

Título do Trabalho
IDENTIDADES, SABERES E VIVÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Autores
  • Jacilena dos Santos Silva
  • Thiago José Santos Silva
  • Rogerio Andrade Maciel
Modalidade
Comunicações Orais - Resumo Expandido
Área temática
GT 3 - Educação Linguagens e saberes Interculturais nas territorialidades amazônicas
Data de Publicação
03/05/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iii-silssa/616973-identidades-saberes-e-vivencias-na-educacao-de-jovens-e-adultos
ISBN
978-85-5722-738-5
Palavras-Chave
Identidades, saberes, Educação de Jovens e Adultos.
Resumo
Introdução Esta pesquisa busca trazer reflexões sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA), partindo da análise de resultados obtidos durante o Estágio Supervisionado na EJA (ESEJA), e o diálogo estabelecido com professores e alunos dessa modalidade da Educação Básica, realizado por discentes de Pedagogia da Universidade Federal do Pará (UFPA), na E.E.E.F.M. Maria Amélia de Vasconcelos, localizada no município de Capanema-PA. A turma na qual ocorreu o estágio foi a 4ª etapa, no ano de 2020. Onde foram desenvolvidas diversas oficinas pedagógicas sobre identidades, saberes e vivências atrelados à leitura e escrita com os alunos da EJA. A Educação de Jovens e Adultos no decorrer de sua trajetória passou por grandes mudanças e transformações, mas não basta apenas a oferta dessa modalidade é necessário também prover condições para a permanência dos educandos. "O público da EJA são jovens e adultos com uma história, com uma trajetória social, racial, territorial que tem que ser conhecida, para acertar com projetos que deem conta de sua realidade e de sua condição." (ARROYO, 2006, p.24). Diante disso, essa pesquisa tem como objetivo discutir sobre a importância de atividades significativas com os alunos da EJA, levando em consideração os saberes e identidades desses educandos, ao passo que trabalham a troca de experiências com seus pares e os incentivam a assumir seus papéis na sociedade. Metodologia Adota-se nesta pesquisa a abordagem qualitativa de cunho bibliográfico, a qual possibilita reflexões acerca de sentimentos e experiências vivenciadas através do ESEJA. A pesquisa qualitativa “trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes[...]” (MINAYO, 2009, p. 21). A observação participante, seguido dos instrumentos de entrevistas para a coleta de dados foi fundamental para ser transcrita pela análise de discurso com os diferentes agentes da EJA. Os sujeitos participantes desse trabalho foram 5 alunos da EJA, identificados como A, B,C, D, E. De acordo com Orlandi (1997, p.34) a Análise de Discurso “permite trabalhar não exclusivamente com o verbal (o linguístico), pois restitui ao fato da linguagem sua complexidade e sua multiplicidade, isto é, aceita a existência de diferentes linguagens”. Com isso buscou-se ouvir as vozes dos alunos, seus anseios, motivações, dificuldades e as suas diferentes realidades que possibilitaram as atividades com o uso das oficinas pedagógicas com os alunos. Resultados O foco desta pesquisa são os resultados adquiridos pela experiência de Estágio na 4ª etapa da Escola Maria Amélia de Vasconcelos no município de Capanema-PA, a identidade da turma correspondia a jovens entre 15 e 21 anos e a maioria residia no campo. Percebe-se assim uma juvenilização da EJA, a qual confirma os debates de estudiosos sobre o assunto, “os jovens representam um quantitativo significativo nas diversas classes de EJA e, em muitas circunstâncias, representam a maioria [...]"(CARRANO, 2007, p.1). Diante das muitas dificuldades da turma, os professores enfatizaram problemas com a leitura e escrita e o predomínio da desmotivação nas aulas, acarretando muitas desistências. Alguns educandos não conseguiram concluir os estudos no ensino regular, seja por conta do trabalho ou por repetir séries, ocorrendo migrações para a EJA. Diante disso os estagiários criaram um projeto que buscasse atender as necessidades da turma, o qual foi posto em prática com o auxílio dos professores. Nessa perspectiva, no início foi desenvolvida a atividade com oficinas, que visavam trabalhar as identidades e saberes dos alunos por meio de suas vivências e expectativas dos projetos de vida: A: “gostaria de me formar em direito” B: quero ser professor de ciências C: “um dia vou ser personal trainer” D: “vou ser caminhoneiro” E: “quero dar um futuro melhor para minha mãe e meu pai”. Tais falas apresentam os projetos de vida dos alunos da EJA, por meio de seus sonhos, que perduram ao retornarem para as escolas de EJA. Segundo Fachin e Orzechowski (2014, p. 6) “os profissionais da escola, atuando de forma intencional, podem contribuir para que os alunos desenvolvam sua autonomia e responsabilidade, levando-os a construir um projeto de vida que contemple ações promotoras da continuidade do processo educativo”. Assim, os educadores podem colaborar com os educandos em suas escolhas sobre seu futuro profissional, mostrando-os possíveis caminhos para alcançar seus objetivos. Em seguida foi construído por meio da oficina, um varal com fichas preenchidas pelos alunos o qual continham um pouco das suas vivências, levando os educadores fazerem uma análise de texto e também do que estava implícito, os gestos e memórias de cada aluno, pois todos carregam histórias, saberes e sonhos que não devem ser ignorados. Tais atividades permitem conhecer a si próprio e os outros, propiciando as condições necessárias de "assumir-se como são sem anular os outros, assumir-se como ser social, e histórico, como ser pensante, transformador e criador. (FREIRE, 1996, p.23) Mediante alguns textos trabalhados anteriormente foi proposto a “Dinâmica das palavras” os quais visavam rememorar leituras com um olhar mais atento. Além da leitura e interpretação de texto buscou-se instigar os alunos a pesquisar o significado de palavras desconhecidas, construindo cartazes a partir de suas vivências e saberes. Ao término de todas as atividades desenvolvidas com os alunos, alguns destacaram a importância das ações desenvolvidas pelos estagiários durante o período do estágio. A: “Aprendi muito e vou me dedicar mais para chegar aonde eu quero” B: “Vou estudar mais” C: “Eu não sentia vontade de vim estudar, mas vocês me fizeram acreditar que posso ir mais longe”. Com isso o Estágio contribuiu de forma significativa e emancipadora, tornando-os parte do processo de construção do saber, conseguindo alcançar objetivos previstos no planejamento, constituído pelas identidades, saberes e vivências na educação de jovens e adultos. Considerações finais Diante das reflexões trazidas por esta pesquisa é pertinente a adequação de atividades na EJA à realidade das identidades e das diversidades socioculturais dos educandos e as diferentes linguagens e saberes que se cruzam nessa modalidade de ensino. Não cabe ao educador generalizá-los, é preciso conhecê-los, pois cada turma é única composta por alunos singulares. Logo todos são seres carregados de saberes e vivências e suas vozes precisam ser ouvidas. Cabe a todos que compõem a escola ter um olhar sensível, humanizado e emancipatório para o público da EJA. Também é necessário que os professores em formação conheçam a sua importância nesta modalidade de ensino. Referências ARROYO, M. G. Formar educadoras e educadores de jovens e adultos. In: Seminário Nacional sobre formação de educador de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica, 2006 p 17-32. CARRANO, P. Educação de Jovens e Adultos e Juventude: o desafio de compreender os sentidos da presença dos jovens na escola da “segunda chance”. Revista de Educação de Jovens e Adultos. Belo Horizonte, v. 1, p. 55-67, 2007. FACHIN, Cleuza Danielo; ORZECHOWSKI, Suzete Terezinha. A Importância da Orientação Profissional Para os Alunos da Escola Pública: Relatos de uma Experiência. Paraná, 2014. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. MINAYO, M. C. de S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2009. ORLANDI, Eni. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 4 ed. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, 1997.
Título do Evento
III SILSSA - Seminário Internacional Linguagens Saberes e Sociobiodiversidade na Amazônia
Cidade do Evento
Bragança
Título dos Anais do Evento
Anais do III Silssa - Seminário Internacional de Linguagens, Saberes e Sociobiodiversidade na Amazônia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Jacilena dos Santos; SILVA, Thiago José Santos; MACIEL, Rogerio Andrade. IDENTIDADES, SABERES E VIVÊNCIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS.. In: Anais do III Silssa - Seminário Internacional de Linguagens, Saberes e Sociobiodiversidade na Amazônia. Anais...Bragança(PA) UFPA, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iii-silssa/616973-IDENTIDADES-SABERES-E-VIVENCIAS-NA-EDUCACAO-DE-JOVENS-E-ADULTOS. Acesso em: 28/05/2026

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