A MEDICINA TRADICIONAL E A FORMAÇÃO INICIAL DE ENFERMEIRO: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Publicado em 07/02/2024 - ISBN: 978-65-272-0256-1

Título do Trabalho
A MEDICINA TRADICIONAL E A FORMAÇÃO INICIAL DE ENFERMEIRO: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Autores
  • Layla de Cassia Bezerra Bagata Menezes
  • Tânia Suely Brasileiro
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
1. Gestão e formação em saúde;
Data de Publicação
07/02/2024
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/iicofs/764940-a-medicina-tradicional-e-a-formacao-inicial-de-enfermeiro--uma-revisao-de-literatura
ISBN
978-65-272-0256-1
Palavras-Chave
Medicina Tradicional Amazônica; Práticas Populares de Cuidado; Formação profissional.
Resumo
Contextualização: A medicina tradicional desempenha um papel fundamental na formação em saúde, proporcionando uma perspectiva complementar e enriquecedora ao arsenal médico contemporâneo. A valorização da medicina tradicional na formação em saúde não apenas serve para preservar o patrimônio cultural, mas também amplia a gama de opções terapêuticas disponíveis, fortalecendo a capacidade dos profissionais de saúde em atenderem de forma holística às necessidades de uma sociedade multicultural e globalizada. No campo da enfermagem, tendo em vista os preceitos da enfermagem transcultural de Madeleine Leninger, esse tipo de discussão se faz cada vez mais necessária para garantir um cuidado de enfermagem holístico, culturalmente sensível e humanizado. Objetivo: identificar na literatura como a medicina tradicional está sendo incluída na formação acadêmica de enfermeiros. Métodos: Trata-se de uma revisão de literatura. O método utilizado no processo de busca foi o Systematic Search Flow (SSF) desenvolvido por Hélio A. Ferenhof e Roberto F. Fernandes. As buscas foram realizadas nas seguintes bases de dados: BVS, Periódicos CAPES, Scopus e Web of Science. Foram utilizadas diferentes estratégias de busca combinando os termos: Tradicional Medicine, nursing, nursing student, nursing degree, initial training, nursing graduate; os mesmos foram combinados por meio do operador booleano AND e usado aspas em termos compostos. Somente artigos em inglês, português e espanhol foram incluídos nesta revisão. Na organização da bibliografia foi utilizada a ferramenta Rayyan e o processo de seleção sintetizado a partir do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Resultados: No total, usando as diferentes estratégias de busca, foram identificados 159 arquivos. A composição final do portifólio conta com 9 artigos, que atenderam aos critérios dessa revisão e que tratam da medicina tradicional na formação inicial de enfermeiros de forma direta ou indireta. Destaca-se que não foram encontradas nesta revisão trabalhos na temática da Medicina tradicional na formação inicial de enfermeiros desenvolvidas no Brasil. Dos artigos selecionados, 3 tiveram suas pesquisas desenvolvidas na China, 2 nos Estados Unidos da América, 2 na África do Sul, 1 artigo em Cuba e 1 no Irã. É importante destacar que os artigos selecionados tratam especificamente a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), Conhecimento Tradicional Indígena Africano (ATIK), Medicina Natural Tradicional (MNT) de Cuba, Medicina Tradicional Iraniana e o Cuidado de Enfermagem Transcultural com povos nativo americanos. Discussão: Nota-se que no âmbito desta investigação há lacunas que justificam pesquisas na área da Medicina Tradicional Amazônica, considerando a formação inicial de enfermeiros. Ademais, os nove artigos selecionados apontam a importância da medicina tradicional (nas mais diferentes denominações e origens) estarem incluídas na formação dos profissionais de enfermagem. Sobretudo, porque esse tipo de saber já se faz presente cotidianamente na vida das pessoas e já é legitimado pelos seus usuários, além disso pelo fato de os próprios estudantes já conhecerem e fazerem uso desses saberes e práticas tradicionais, o entendimento sobre usos e aplicabilidades se torna menos dispendioso. Como aponta no estudo de Cai e Boyd (2018), o fato da medicina tradicional chinesa está integrada a cultura chinesa, bem como o estilo de vida dos pais e as ações da mídia na divulgação desse saber, fazem com que os estudantes de enfermagem já tenham algum tipo de conhecimento teórico sobre o assunto. Isso contribuiu para que o curso ofertado pelos pesquisadores, em apenas um semestre, melhorasse o nível de conhecimento dos estudantes. Na China existem cursos de MTC para médicos e o que dificulta a formação dos enfermeiros na temática, é o fato desses cursos serem adaptações dos cursos médicos, sem trazer especificamente o cuidado de enfermagem. Ngunyulu et al. (2020) aponta um caminho semelhante ao afirmar que a maior parte do conhecimento tradicional indígena africano se desenvolve sem apoio científico. E, a formação inicial dos enfermeiros até aborda diversidade cultural e a medicina completar alternativa, mas ignora a ATIK. Sendo desenvolvido, portanto, um currículo monolítico que ensina aos acadêmicos de enfermagem que apenas a medicina moderna é a única fonte legítima de cura. Na África o pluralismo nos cuidados de saúde ainda enfrenta outros desafios como as disputas de poder políticas que afetam as universidades e a rejeição dos comitês de ética em pesquisa na autorização de pesquisas relacionadas a ATIK. Os autores reforçam que a coexistência da medicina tradicional e a medicina moderna é possível e citam como exemplo a MTC. Do mesmo modo, Moeta et al. (2019) afirmam que os diferentes saberes em saúde atendem a um mesmo propósito, que é a cura. Portanto, para que haja a coexistência entre eles deve haver uma relação respeitosa e harmoniosa entre o contexto e o currículo. Além disso, a falta de reconhecimento formal dos saberes e práticas tradicionais em saúde implicam em barreiras para essa coexistência. Mesmo os autores dos dois estudos africanos tratarem a implementação da MTC em parceria com a medicina moderna na China, Chang et al. (2004) constatou em seu estudo que o conhecimento dos estudantes de enfermagem sobre medicina chinesa ainda era insuficiente, e isso se deve ao fato das escolas de enfermagem não adicionarem currículos de MTC na formação dos enfermeiros. Os autores reforçam, também, a importância de pesquisas empíricas sobre a medicina tradicional para aumentar a confiança dos enfermeiros e dos usuários nos tratamentos de MTC. Em relação a inclusão da MTC na formação inicial de enfermeiros, Zhou, LV e Zhao (2022), traz uma outra perspectiva sobre o curso de Bacharelado em Enfermagem Tradicional Chinesa que é oferecido na China em paralelo à enfermagem ocidental, portanto, o estudante de enfermagem tem acesso aos dois saberes em seu curso. Apesar de haver essa coexistência dos diferentes saberes na formação inicial dos enfermeiros, os autores observaram que os estudantes que estavam no início do curso ainda tinham conhecimentos muito deficitários em relação ao tema, sugerindo então a oferta de cursos sobre MTC logo no início da graduação. Os estudos de Lowe e Nichols (2013) e Lowe e Wimbish-Cirilo (2016) foram desenvolvidos com populações nativo americanas. Lowe e Nichols (2013) apresentam uma estrutura conceitual de enfermagem em cultura nativo americana de base transcultural que é entendida pelos estudantes participantes da pesquisa como útil para orientar pesquisas em enfermagem, bem como no desenvolvimento de recursos educacionais para orientar o cuidado de enfermagem. Já Lowe e Wimbish-Cirilo (2016) nos apresentam uma experiência da Lynn College of Nursing em Oklahoma, que já possui em seu currículo um momento de imersão transcultural direcionado aos acadêmicos de enfermagem em uma tribo nativo americana. Essa oportunidade de integrar a base teórica transcultural ao ambiente comunitário nativo americano foi muito bem recebida pelos participantes do estudo, reforçando a importância do cuidado de enfermagem se holístico, algo já enfatizado também por outros autores como Moeta et al. (2019) e Ngunyulu et al. (2020). Tratando-se da medicina tradicional iraniana Khorasgani e Moghtadaie (2014) enfatizam a falta de especialista com titulação acadêmica, a falta de evidências científicas e a falta de formação dos profissionais como principais barreiras para o uso da medicina tradicional. Os estudantes de enfermagem tiveram conhecimentos insuficientes sobre medicina tradicional iraniana, o pouco conhecimento que estes possuíam eram devido a transmissão intergeracional familiar. Além disso, os autores reforçam a importância da inclusão de cursos sobre o tema no currículo dos alunos. A medicina natural tradicional de Cuba se faz presente na maioria dos currículos de graduação em enfermagem, segundo Herrera et al. (2013), porém não houve a possibilidade de avaliar metodologicamente como esse saber está sendo aplicado na formação inicial dos enfermeiros cubanos, assim como o tempo dedicado a essa formação se mostrou insuficiente. Conclusão: Os artigos incluídos nessa revisão reforçam a importância da coexistência entre a medicina tradicional e a medicina moderna na formação inicial de enfermeiros, a fim de garantir um cuidado de enfermagem holístico, culturalmente sensível e que verdadeiramente atenda às necessidades de saúde das diferentes populações. Além disso, eles reforçam que profissionais que abordam essa temática em sua formação estão melhores preparados. No entanto, alguns estudos mostram que, a formação inicial de enfermeiros ainda não atende essa necessidade. Reforça-se também a necessidade de estudos sobre a temática no Brasil, sobretudo na Amazônia, visto que a Medicina Tradicional Amazônica é bastante presente na cultura das populações da região Norte do país.
Título do Evento
II CONGRESSO DE FORMAÇÃO EM SAÚDE DA REGIÃO NORTE: DA GRADUAÇÃO A PÓS-GRADUAÇÃO
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso de Formação em Saúde da Região Norte: da graduação a pós-graduação
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MENEZES, Layla de Cassia Bezerra Bagata; BRASILEIRO, Tânia Suely. A MEDICINA TRADICIONAL E A FORMAÇÃO INICIAL DE ENFERMEIRO: UMA REVISÃO DE LITERATURA.. In: Anais do Congresso de Formação em Saúde da Região Norte: da graduação a pós-graduação. Anais...Santarém(PA) UEPA, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/IICOFS/764940-A-MEDICINA-TRADICIONAL-E-A-FORMACAO-INICIAL-DE-ENFERMEIRO--UMA-REVISAO-DE-LITERATURA. Acesso em: 04/04/2026

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