O LUGAR DOS CORPOS SUBURBANOS NA CIDADE: DEMOLIÇÃO E RESISTÊNCIA NO DOCUMENTÁRIO 856 - A CASA DO POETA

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
O LUGAR DOS CORPOS SUBURBANOS NA CIDADE: DEMOLIÇÃO E RESISTÊNCIA NO DOCUMENTÁRIO 856 - A CASA DO POETA
Autores
  • Luiz Claudio Motta Lima
Modalidade
Resumo
Área temática
GT3 - Corpos nos/dos espaços: educações e culturas
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437972-o-lugar-dos-corpos-suburbanos-na-cidade--demolicao--e-resistencia-no-documentario-856---a-casa-do-poeta
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Corpo; Memória; Demolição; Resistência Suburbana; Identidade
Resumo
A pesquisa faz uma análise do documentário 856 - A Casa do Poeta a partir da poética de J. Cardias, examinando como sua produção literária e presença corporal no filme expressam resistência diante da demolição de sua residência para a passagem do BRT Transcarioca em Vicente de Carvalho em 2011. O objetivo da pesquisa consiste em compreender de que modo poesia e corpo testemunham a violência contra o indivíduo e afirmam a persistência da subjetividade suburbana. A metodologia faz uso da análise fílmica de algumas sequências do referido curta, como a cena da demolição da casa, na qual o poeta estende a placa e é coberto pela fumaça dos destroços, traduzindo visualmente o apagamento forçado de memórias e vínculos com o espaço. Já a cena que é oferecido o taco de madeira ao cinegrafista, parte do chão e simbolicamente parte de si, revela um gesto de transmissão de memória, ao entregar o fragmento da própria casa, transfere ao filme a tarefa de preservar aquilo que foi perdido. Outro momento importante do documentário é quando a codiretora, Sonia Maciel, afirma: “Zé, você tem essa cor não é à toa não. É que o Zé é filho do Jenipapeiro também”. O documentário estrutura a interpretação da corporalidade do poeta enquanto extensão viva da paisagem, enfatizando que sua identidade se enraíza no território assim como a árvore. Por essas imagens o filme revela as transformações materiais e simbólicas vividas pelo poeta. No início ele aparece robusto, ao final está mais magro, visivelmente abatido pela demolição de sua casa, materializando no próprio corpo a violência territorial sofrida. A análise destaca também a poesia da ex-aluna de J. Cardias, cujo texto “A casa e você” compara a casa às características físicas e emocionais do poeta, reforçando a equivalência entre corpo e moradia destruída. Os resultados alcançados pela pesquisa revelam que o documentário transforma a demolição em ritual simbólico da expropriação. A fumaça e a ruína material simbolizam a destruição física e identitária, enquanto o gesto de entrega do taco de madeira da casa indica a persistência da memória. A poesia de encerramento reconstitui a casa enquanto corpo e lugar de resistência, convertendo dor e perda em testemunho poético. Conclui-se que 856-A Casa do Poeta, produção do cineclube Subúrbio em Transe realizada em 2012, propõe uma geografia sensível, na qual corpo, paisagem e memória se unem como táticas de sobrevivência e afirmação, oferecendo à alteridade urbana uma forma de narrar e resistir por meio da poesia dos corpos suburbanos.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Luiz Claudio Motta. O LUGAR DOS CORPOS SUBURBANOS NA CIDADE: DEMOLIÇÃO E RESISTÊNCIA NO DOCUMENTÁRIO 856 - A CASA DO POETA.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437972-O-LUGAR-DOS-CORPOS-SUBURBANOS-NA-CIDADE--DEMOLICAO--E-RESISTENCIA-NO-DOCUMENTARIO-856---A-CASA-DO-POETA. Acesso em: 12/07/2026

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