QUANDO O CONTEÚDO NÃO INFORMA, MAS INTERPELA: CORPOMÍDIA, BIOPOLÍTICA E CIBERESPAÇO

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
QUANDO O CONTEÚDO NÃO INFORMA, MAS INTERPELA: CORPOMÍDIA, BIOPOLÍTICA E CIBERESPAÇO
Autores
  • Arthur Marques de Almeida Neto
Modalidade
Resumo
Área temática
GT2 - Cibercultura, gêneros e sexualidades
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437960-quando-o-conteudo-nao-informa-mas-interpela--corpomidia-biopolitica-e-ciberespaco
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Visibilidade, biopolítica, corpo, ciberespaço, redes sociais
Resumo
Discute-se o corpo hiperexposto no ciberespaço das redes sociais, tanto como dispositivo de poder quanto como padrão e ferramenta para o engajamento em postagens. Parte-se da noção de que o uso das redes sociais reverbera no corpo – entendido como corpomídia - padrões de comunicação que passam a ser “pedagogizados”, apre(e)didos e reverberados memeticamente. Ainda, que o “conteúdo” de postagens de perfis do Instagram funciona na lógica do artefato cultural, portador de pedagogias sobre ideias, comportamento e cultura que interpelam biopoliticamente o sujeito de desempenho pós-moderno, materializando a violência da transparência. Consideram-se quatro aspectos no reforço dessa violência autorreferenciada: a compulsão por visibilidade e o concomitante apelo ao dispositivo da sexualidade, bem como a spamização da comunicação atrelada a bioascese. Verifica-se a ação interpelatória dos perfis pela lógica do contrato comunicacional, com a elaboração e replicação de hábitos corporais como técnicas para a manutenção de contratos comunicacionais biopolíticos em postagens de perfis de sujeitos homens, cis, autodeclarados “criadores de conteúdo” (instabloggers). Pressupõe-se que a hiperexposição do corpo com uso da nudez e da sensualidade erótica, define técnicas de corpo como biopolítica da prática de visibilidade e que se consolidou nas redes sociais como processo cognitivo e cultural, atrelado ao consumo de padrões e estereótipos de corpos ditados como ideais, saudáveis e belos. Indica-se que o “conteúdo” não informa, mas comunica um estatuto ao sujeito que spamiza comunicação sob coação expositiva autoinfligida, utilizando o corpo hiperexposto como dispositivo da sexualidade para garantia da visibilidade e interpelação biopolítica. Destaca-se o exemplo do uso do “não-olhar” como termo para designar a prática de não direcionar o olhar para a câmera em postagens – fotos e/ou filmagens, - compreendida com o propósito de fingir não ser visto, tal como ocorre na linguagem teatral sobre a (não) relação com a “quarta parede” (a dimensão da plateia, que observa o espetáculo). Nesse viés, a técnica corporal do “não-olhar” é uma “prática de visibilidade” para garantia de engajamento, cuja informação, nomeada como “conteúdo”, é baseada em apelo erótico e/ou sensual e interpela o observador ao compartilhamento de uma suposta intimidade do sujeito, paradoxalmente, em situação de espetáculo, publicamente exposto. Reflete-se sobre três aspectos: o “não-olhar” como sintoma fetichista – híbrido de voyerismo e exibicionismo – como prática de visibilidade, gesto normalizado no ambiente das redes sociais; O desmantelo da armadilha da visibilidade pela vigilância que aciona como poder coercitivo, uma vez que, em contradiscurso, a prática do “não-olhar” interpela, espetacularmente, a ser visto, sabendo que se é visto: uma vigilância desejada que desmantela a possibilidade do punir; Por último, o “não-olhar” como prática de razão cínica, em sentido ideológico, do saber o que se faz e continuar a fazer. Supõe-se que há uma potência de arquivo nos perfis, que pedagogicamente normalizam o comportamento de adesão a contratos biopolíticos comunicacionais e econômicos como modus operandi aos usuários do Instagram e como violência da transparência. A discussão é parte dos estudos de pós-doutoramento, em andamento, no PPGEO- UERJ.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETO, Arthur Marques de Almeida. QUANDO O CONTEÚDO NÃO INFORMA, MAS INTERPELA: CORPOMÍDIA, BIOPOLÍTICA E CIBERESPAÇO.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437960-QUANDO-O-CONTEUDO-NAO-INFORMA-MAS-INTERPELA--CORPOMIDIA-BIOPOLITICA-E-CIBERESPACO. Acesso em: 12/07/2026

Trabalho

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