VELHICES DISSIDENTES NAS MARGENS: ESPACIALIDADES DO “BIXENVELHECER” NA MARÉ

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
VELHICES DISSIDENTES NAS MARGENS: ESPACIALIDADES DO “BIXENVELHECER” NA MARÉ
Autores
  • Bruno Nascimento de Souza
Modalidade
Resumo
Área temática
GT3 - Corpos nos/dos espaços: educações e culturas
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437918-velhices-dissidentes-nas-margens--espacialidades-do-bixenvelhecer-na-mare
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Velhice; LGBTIA+; Complexo da Maré; Territórios; Geografia
Resumo
O envelhecimento, historicamente associado às abordagens biomédicas, tornou-se um fenômeno complexo que exige interpretações capazes de articular dimensões sociais, culturais, espaciais e políticas. No contexto brasileiro, marcado por desigualdades estruturais e profundas assimetrias territoriais, envelhecer não é uma experiência homogênea. Pessoas LGBTIA+ que vivem em periferias urbanas enfrentam múltiplas camadas de exclusão, invisibilidade e ausência de políticas públicas específicas. É nesse cenário que se situa o problema central desta pesquisa: compreender como corpos dissidentes que envelhecem nas margens urbanas constroem, reinventam e disputam suas espacialidades em meio a normas hegemônicas que regulam idade, gênero e sexualidade. O trabalho parte do reconhecimento de que a velhice, frequentemente tratada apenas como fase da vida ou dado estatístico, é também um processo social e espacial influenciado por desigualdades de classe, raça e território. No caso de pessoas LGBTIA+ idosas, especialmente nas periferias, essas desigualdades se intensificam, resultando em isolamento, precarização e negação de direitos básicos. No Complexo da Maré, território marcado por estigmas, violências e silenciamentos históricos, essas experiências ganham contornos específicos que articulam vulnerabilidade e, simultaneamente, resistência e criação. O objetivo principal da pesquisa é investigar como pessoas LGBTIA+ com 60 anos ou mais, residentes na Maré, produzem e ressignificam suas espacialidades cotidianas como práticas de (re)existência. Busca-se compreender de que maneira essas vivências acionam memórias, afetos, redes de cuidado, práticas culturais e formas de ocupação do território que desafiam narrativas hegemônicas sobre a velhice e sobre quem tem “direito” a envelhecer nos espaços urbanos. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter pós-crítico, privilegiando a escuta sensível, o tempo de convivência e a aproximação afetuosa com os sujeitos. A entrevista narrativa é utilizada como instrumento central por permitir que cada participante construa seu relato de forma livre, respeitando sua linguagem, ritmo e trajetória. Somam-se a isso diálogos com coletivos culturais, instituições do território e jovens artistas que atuam na cena LGBTIA+ periférica. A metodologia assume um caráter de bricolagem, aberta às emergências e nuances do campo, valorizando a singularidade das experiências. Os resultados evidenciam que envelhecer na Maré, para pessoas LGBTIA+, envolve navegar entre precariedades estruturais e potentes formas de resistência. Essas pessoas constroem territorialidades próprias, sustentadas por redes afetivas, práticas culturais, ocupações simbólicas e estratégias de sobrevivência que desafiam normas de juventude, heterossexualidade e produtividade. Nesse sentido, eventos culturais como a Noite das Estrelas se tornam dispositivos fundamentais na afirmação de pertencimentos, na reativação de memórias dissidentes e na construção de espaços seguros para corpos historicamente marginalizados. Conclui-se, ainda que parcialmente, que as espacialidades dissidentes do envelhecimento revelam a força política das velhices LGBTIA+ periféricas e ampliam o entendimento sobre o papel da Geografia no debate sobre envelhecimento. A velhice deixa de ser vista apenas como dado demográfico e passa a ser reconhecida como experiência situada, desigual e marcada por disputas simbólicas e territoriais. Ao destacar essas narrativas, a pesquisa contribui para fortalecer um campo crítico que considera o envelhecer como ato político, gesto de permanência e forma de reinventar a vida nas margens.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUZA, Bruno Nascimento de. VELHICES DISSIDENTES NAS MARGENS: ESPACIALIDADES DO “BIXENVELHECER” NA MARÉ.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1437918-VELHICES-DISSIDENTES-NAS-MARGENS--ESPACIALIDADES-DO-BIXENVELHECER-NA-MARE. Acesso em: 12/07/2026

Trabalho

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