DEVIR CORPO–TERREIRO–TERRITÓRIO: INCONSCIENTE RACIALIZADO, AGÊNCIA NEGRA E PRODUÇÃO DE ESPACIALIDADES

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
DEVIR CORPO–TERREIRO–TERRITÓRIO: INCONSCIENTE RACIALIZADO, AGÊNCIA NEGRA E PRODUÇÃO DE ESPACIALIDADES
Autores
  • Rachel Cabral da Silva
Modalidade
Resumo
Área temática
GT1 - Perspectivas afrodiaspóricas e/ou decoloniais
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1436604-devir-corpoterreiroterritorio--inconsciente-racializado-agencia-negra-e-producao-de-espacialidades
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Corpo-terreiro-território, Geografias Negras em Movimento, Mulheres de Axé, racismo religioso
Resumo
Este trabalho, vinculado à tese de doutorado em Geografia em andamento, investiga as significações do corpo no contexto afrorreligioso articulando três camadas de leitura sobre o corpo: as marcas do racismo no inconsciente (Nogueira, 2021); o corpo na dimensão temporal espiralada (Martins, 2021) como fundamento do ser e da experiência que incide na forma de ser/existir/habitar e perceber o mundo; o corpo como agente nas estratégias de produção de espacialidades negras, subjetividade e política do corpo, e, por fim; os cruzamentos culturais, as diferenças e tensões sociais também aparecem visivelmente no e pelo corpo. Com base nas contribuições de Nogueira (2021), compreende-se que o racismo opera como lógica psíquica que incide sobre a constituição subjetiva do corpo negro e, simultaneamente, como processo-projeto de nação (Guimarães, 2015), sustentando, ao longo da história, as violências sistemáticas impostas à população negra. Pelo inconsciente racializado, o corpo negro é inscrito no imaginário social como desvio/ameaça/ausência, o que compromete a forma como é percebido por si e pelos outros no mundo. A partir dessa perspectiva, Souza (2021) aprofunda a análise ao apresentar o “tornar-se negro” como travessia subjetiva indispensável para romper com o auto-ódio e com a fantasia colonial (Fanon, 2008), responsável por interpretar os signos da negritude a partir de narrativas que oscilam entre perigo/medo/ameaça e desejo/exotização/fetichização. Nesse sentido, a raça como construção social classifica e hierarquiza sujeitos, e, essa lógica produz violências físicas/simbólicas/morais/epistêmicas/psicológicas para naturalizar a inferiorização e convertê-la em evidência do real. Assim, o racismo atua como lesão psíquica e espacial, desestabilizando o sentido de lugar negro (McKittrick, 2011) e impondo-lhe a habitação de um corpo permanentemente vigiado, controlado/interditado em suas potências, isto é, submetendo ao deslocamento e à desagência. Ao observar esse processo pelas narrativas escalares das mulheres de axé, percebe-se que as dimensões do inconsciente racializado se aprofundam no contexto das violências religiosas. O corpo de uma mulher de axé é alvo de ataques racistas/machistas/sexistas/patriarcais, resultantes de um imaginário colonizado, e ao mesmo tempo são autoridades dos seus território-terreiros (Correa, 2006). Ao compreender as ações políticas dessas mulheres através do corpo-terreiro-território (Silva e Abranches Junior, 2025), é nesse contexto que se concentra uma potência radical de r-existência (Porto-Gonçalves, 2006). Essa tríade explicativa configura uma ferramenta analítica baseada em uma proposta de epistemologia negro-africana corporificada para a ciência geográfica ao articular dimensões indissociáveis para demonstrar que espacialidades negras surgem mesmo em condições de restrição: o corpo: o suporte da existência, memória, espiritualidade e poder. É visto como território político e espaço de inscrição de memórias e violências, além de ser um espaço de reontologização, onde o ser, principalmente o ser negro, reconstrói sua existência e dignidade/humanedade a partir das epistemologias de matrizes africanas; terreiro: Não é apenas o território sagrado, é político, pedagógico, r-existência e organização negro-comunitária; e o território: arenas políticas, como campo de disputa para o reconhecimento, pertencimento e existência coletiva, contrapondo visões hegemônicas. Assim sendo, as experiências políticas Mulheres e das pessoas afrorreligiosas são espaciais porque a agência negra reconfigura territórios mesmo sob condições de restrição/violências e controle.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Rachel Cabral da. DEVIR CORPO–TERREIRO–TERRITÓRIO: INCONSCIENTE RACIALIZADO, AGÊNCIA NEGRA E PRODUÇÃO DE ESPACIALIDADES.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1436604-DEVIR-CORPOTERREIROTERRITORIO--INCONSCIENTE-RACIALIZADO-AGENCIA-NEGRA-E-PRODUCAO-DE-ESPACIALIDADES. Acesso em: 04/07/2026

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