CORPOS DISSIDENTES FEITOS DE FISSURA QUE ENFEITIÇAM A NORMA

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
CORPOS DISSIDENTES FEITOS DE FISSURA QUE ENFEITIÇAM A NORMA
Autores
  • Jonathan Machado Domingues
Modalidade
Resumo
Área temática
GT3 - Corpos nos/dos espaços: educações e culturas
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1436303-corpos-dissidentes-feitos-de-fissura-que-enfeiticam-a-norma
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Epistemologias do corpo, Dispositivos normativos, Subjetividades feridas, Arquiteturas da exclusão, Pedagogias implícitas.
Resumo
Há feridas que não pedem cura, mas leitura. E há corpos que carregam, na pele e na memória, o mapa secreto de um mundo que tentou negar-lhes o direito de existir. A noção de Chaga Ontológica emerge desse terreno: não como metáfora de dor, mas como marca fundante deixada pela norma quando exige silêncio para permanecer inteira. A chaga funciona como trilha, encruzilhada e aviso. Ela revela o modo como a ordem social fabrica corpos desalojados, educados na arte da contenção, moldados para caminhar entre sombras, sempre à margem da história narrada como oficial. Essa ferida não nasce de episódios isolados, mas de uma trama que atravessa família, escola e cultura. São espaços que produzem pedagogias de normatização, impondo gestos, futuros imagináveis e linguagens permitidas. Nos interstícios dessas instituições, a ausência de espelho e a falta de nome operam como feitiço cotidiano: ensinam que existir, para alguns corpos, é sempre um exercício condicionado, uma prova silenciosa de sobrevivência. Nesse cenário, o chamado Armário Psicossocial surge como o cômodo estreito onde a contradição é guardada. Trata-se de um espaço de clausura simbólica que exige a fragmentação do sujeito, produzindo vidas cindidas entre o que pode aparecer e o que deve se esconder. O tributo pago à norma é alto: silêncio, vigilância, autopoda. Ainda assim, no interior dessa contenção, a chaga pulsa e insiste, irradiando saberes que a própria violência tenta conter. É nesse ponto que a leitura afro-diaspórica oferece deslocamento. A figura de Omolu, senhor da palha e da cura que não apaga a marca, ensina outra compreensão da ferida: a chaga não é falha, mas memória potente. A palha que cobre protege; a cicatriz que permanece guarda um axé que desafia o enquadramento colonial e normativo. A ferida torna-se arquivo de resistência, insígnia de mundos possíveis e denúncia viva das ficções de pureza que estruturam a exclusão. A reflexão aponta, portanto, para os modos como corpos dissidentes revelam fissuras da ordem e, ao fazê-lo, abrem veredas de reencantamento dos espaços que os feriram. Família, escola e cultura podem ser redesenhadas quando atravessadas pela potência desses corpos que carregam a memória da contradição e a ousadia de reinvenção. A Chaga Ontológica, nesse horizonte, deixa de representar destino trágico e passa a operar como força insurgente, fundamento para imaginários nos quais a presença dissidente não é desvio, mas princípio de justiça e multiplicidade.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DOMINGUES, Jonathan Machado. CORPOS DISSIDENTES FEITOS DE FISSURA QUE ENFEITIÇAM A NORMA.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1436303-CORPOS-DISSIDENTES-FEITOS-DE-FISSURA-QUE-ENFEITICAM-A-NORMA. Acesso em: 04/07/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes