INVISIBILIDADE DA CULTURA NEGRA NA GEOGRAFIA CULTURAL: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA REVISTA ESPAÇO E CULTURA

Publicado em 30/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2360-3

Título do Trabalho
INVISIBILIDADE DA CULTURA NEGRA NA GEOGRAFIA CULTURAL: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA REVISTA ESPAÇO E CULTURA
Autores
  • Aline Soares Rangel
Modalidade
Resumo
Área temática
GT1 - Perspectivas afrodiaspóricas e/ou decoloniais
Data de Publicação
30/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1433269-invisibilidade-da-cultura-negra-na-geografia-cultural--uma-analise-critica-da-revista-espaco-e-cultura
ISBN
978-65-272-2360-3
Palavras-Chave
Geografia cultural; matriz africana; epistemologias negras; currículo universitário; descolonização.
Resumo
A presente dissertação analisa criticamente a invisibilidade da cultura de matriz africana no campo da Geografia Cultural brasileira, tendo como foco empírico a revista Espaço e Cultura, importante veículo acadêmico da área. A pesquisa parte do reconhecimento de que o currículo universitário não é neutro, mas sim um território político e epistêmico de disputa, onde determinadas narrativas são legitimadas em detrimento de outras. Nesse contexto, evidencia-se a persistência da colonialidade do saber (Quijano, 2005), que se manifesta na hegemonia de epistemologias eurocentradas e na sistemática exclusão de saberes produzidos por intelectuais negros, africanos e afro-brasileiros. A partir de uma abordagem metodológica mista, com base em análise quantitativa e crítica do conteúdo publicado entre 1995 e 2024 na revista Espaço e Cultura, a pesquisa demonstra que os temas relacionados à cultura afro-brasileira, em especial às religiões de matriz africana, permanecem marginalizados nas publicações geográficas. Essa lacuna revela não apenas uma omissão temática, mas a reprodução de um racismo epistêmico estrutural, que compromete a pluralidade e a justiça cognitiva na formação universitária. O conceito de epistemicídio (Carneiro, 2005) é central para compreender como a ausência desses saberes é resultado de uma política acadêmica que historicamente deslegitima as epistemologias negras. O trabalho dialoga com autoras e autores que tensionam a geopolítica do conhecimento (Mignolo, 2014; Walsh, 2007) e propõem uma reconfiguração dos currículos universitários a partir de epistemologias afrodiaspóricas. A pesquisa também se ancora em experiências pessoais e coletivas de enfrentamento ao silenciamento institucional, especialmente no contexto do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde a autora iniciou sua trajetória acadêmica e enfrentou diretamente os desafios da deslegitimação de pesquisas voltadas à religiosidade de matriz africana. Ao longo da dissertação, defende-se a urgência de uma geografia cultural comprometida com a valorização da diversidade epistêmica, com o reconhecimento da ancestralidade africana e com a luta antirracista dentro da universidade pública brasileira. O estudo propõe que o currículo, ao invés de espaço de reprodução de colonialidades, deve ser compreendido como território insurgente, onde se articula a possibilidade de romper com silenciamentos históricos e incorporar vozes dissidentes e plurais. A valorização de autorias negras, a inclusão de conteúdos afrorreferenciados e o fortalecimento de políticas curriculares afirmativas são apontados como caminhos para a descolonização da ciência geográfica. Por fim, a dissertação se inscreve como uma contribuição para os debates sobre justiça cognitiva, direito à memória e transformação das práticas pedagógicas no ensino superior. Ao evidenciar a invisibilização das culturas de matriz africana nos espaços de produção do conhecimento, este trabalho busca não apenas diagnosticar um problema estrutural, mas também propor caminhos de enfrentamento e reexistência a partir de uma geografia negra, situada e engajada com a vida.
Título do Evento
II SEMINÁRIO INTERNO DE PESQUISAS GEOCORPO
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

RANGEL, Aline Soares. INVISIBILIDADE DA CULTURA NEGRA NA GEOGRAFIA CULTURAL: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA REVISTA ESPAÇO E CULTURA.. In: Anais do Seminário Interno de Pesquisas GeoCorpo. Anais...Rio de Janeiro(RJ) UERJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-seminario-interno-pesquisas-geocorpo/1433269-INVISIBILIDADE-DA-CULTURA-NEGRA-NA-GEOGRAFIA-CULTURAL--UMA-ANALISE-CRITICA-DA-REVISTA-ESPACO-E-CULTURA. Acesso em: 21/06/2026

Trabalho

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