INTERVENÇÕES DA ESTOMATERAPIA EM PACIENTE ONCOLÓGICO NO AMBULATÓRIO DE CUIDADOS PALIATIVOS: RELATO DE CASO

Publicado em 05/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2312-2

Título do Trabalho
INTERVENÇÕES DA ESTOMATERAPIA EM PACIENTE ONCOLÓGICO NO AMBULATÓRIO DE CUIDADOS PALIATIVOS: RELATO DE CASO
Autores
  • Camila de Oliveira Rocha
  • Carolina Cabral Pereira da Costa
  • Caroline Rodrigues de Oliveira
  • Daniele Monteiro de Jesus Maldonado
  • Ellen Marcia Peres
  • Norma Valéria Dantas De Oliveira Souza
  • Patrícia Alves dos Santos Silva
  • Samira Silva Santos Soares
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo Expandido
Área temática
Feridas
Data de Publicação
05/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-jornada-nacional-estomaterapia-uerj/1203472-intervencoes-da-estomaterapia-em-paciente-oncologico-no-ambulatorio-de-cuidados-paliativos--relato-de-caso
ISBN
978-65-272-2312-2
Palavras-Chave
Estomaterapia, Oncologia, Cuidados Paliativos
Resumo
Introdução: A estomaterapia, especialidade exclusiva da enfermagem regulamentada pela Resolução COFEN nº 567/2018, exerce papel estratégico na assistência a pessoas com estomias, feridas complexas e incontinências¹. A atuação do enfermeiro estomaterapeuta vai além da técnica, exigindo uma abordagem holística e humanizada, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade clínica, como é o caso da oncologia em fase avançada. Nesses estágios, é comum a presença de lesões tumorais ulceradas, odor fétido, exsudato volumoso, dor intensa e impacto psicossocial significativo². Tais manifestações clínicas, somadas à evolução progressiva da doença, demandam intervenções individualizadas e contínuas, que considerem não apenas os sintomas físicos, mas também os aspectos emocionais, sociais e espirituais do paciente. Em muitas situações, dispositivos como a gastrostomia tornam-se necessários devido à obstrução do trato digestivo ou disfagia tumoral, contribuindo para o suporte nutricional e a manutenção das funções vitais³. No cenário ambulatorial, o acompanhamento de pacientes em cuidados paliativos exige integração entre os diversos profissionais da equipe, com foco na promoção do conforto, da autonomia e da dignidade. O enfermeiro estomaterapeuta é figura central nesse processo, oferecendo não só manejo técnico das lesões e dispositivos, mas também suporte educativo e emocional à família e aos cuidadores. A escuta qualificada, a adaptação das condutas à rotina domiciliar e o incentivo à autonomia da rede de apoio fazem parte de uma prática que visa humanizar o cuidado até o fim da vida2-3. Assim, o manejo clínico da ferida oncológica e da gastrostomia deve ser conduzido de forma criteriosa e ética, priorizando a diminuição do sofrimento e a preservação da identidade e do desejo do paciente. Ao longo desse processo, o cuidado não se limita ao curativo ou à técnica, mas se estende à construção de vínculos terapêuticos e à valorização da trajetória de vida de cada indivíduo. Objetivo: Relatar a atuação da estomaterapia no contexto dos cuidados paliativos ambulatoriais a um paciente oncológico com lesão tumoral extensa em região de face e uso de gastrostomia, destacando estratégias clínicas, desafios e benefícios. Método: Trata-se de um estudo do tipo relato de caso. O acompanhamento ocorreu no ambulatório de cuidados em estomaterapia em parceria ao serviço de cuidados paliativos de um hospital universitário no estado do Rio de Janeiro. O caso foi selecionado considerando a relevância clínica e a possibilidade de demonstrar a atuação do especialista em sua integralidade. A coleta de dados foi realizada por meio de observação direta durante os atendimentos, análise de prontuários e registros de evolução de enfermagem. Todas as informações foram organizadas, com base nos princípios da bioética e da confidencialidade, garantindo o anonimato do paciente. O presente estudo foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa, sendo aprovado sob o parecer nº 5.590.129, conforme Resolução CNS nº 510/2016, que regulamenta pesquisas com seres humanos. Resultados: O paciente era um homem de 62 anos, com diagnóstico de carcinoma espinocelular avançado de orofaringe, submetido a radioterapia e quimioterapia paliativas, com importante comprometimento funcional e disfagia severa. Primeira consulta no dia 05/05/2025 na Comissão de Cuidados em Estomaterapia, encaminhado pelo ambulatório de Cuidados Paliativos da mesma unidade. Apresentava lesão tumoral exofítica, necrótica e ulcerada em região mandibular esquerda, com grande produção de exsudato, odor fétido, dor local e prejuízo na imagem corporal. Foi implantada previamente gastrostomia endoscópica percutânea para garantir suporte nutricional. O paciente foi encaminhado ao ambulatório de estomaterapia para manejo da lesão e orientações sobre o dispositivo, em parceria com a equipe de cuidados paliativos. A abordagem iniciou-se com avaliação criteriosa da ferida, levando em conta as condições clínicas, o prognóstico, o ambiente domiciliar e as preferências do paciente. Foram utilizadas coberturas absorventes para controle do exsudato, além de barreiras protetoras em spray para proteção da pele perilesional. A limpeza era realizada com solução fisiológica, respeitando o limiar de dor e evitando traumas. A gastrostomia apresentava integridade adequada, mas a pele ao redor mostrava sinais iniciais de maceração. Foram instituídas orientações de higienização, proteção da pele perestoma e cuidados de estabilização e fixação adequadas do dispositivo, orientando a família sobre sinais de complicações como infecção, deslocamento e obstrução. A educação dos cuidadores foi um ponto central no plano terapêutico. Foram realizadas orientações simples, escritas e demonstrativas sobre higienização, troca de curativo, armazenamento de insumos e condutas diante de intercorrências. A equipe também acolheu as dúvidas e angústias da família quanto à progressão da doença e às limitações impostas pelo quadro clínico. Na consulta de retorno, foi possível observar melhora na aparência da ferida, redução do odor, menor produção de exsudato e controle mais efetivo da dor. O paciente relatou maior conforto durante o dia, menos constrangimento com o cheiro e mais tranquilidade em relação ao curativo. A família, por sua vez, demonstrou maior segurança nos cuidados, favorecendo a continuidade da assistência no domicílio. O vínculo estabelecido entre paciente, família e equipe foi essencial para o êxito do cuidado. A escuta ativa e o respeito às escolhas do paciente permitiram construir um plano terapêutico centrado na pessoa, adaptado às suas necessidades e realidade de vida. Conclusão: A atuação do enfermeiro estomaterapeuta no contexto ambulatorial dos cuidados paliativos se mostra essencial para o cuidado de pacientes com feridas oncológicas e dispositivos como a gastrostomia. Para além das técnicas de curativos, esse cuidado exige escuta sensível, adaptação à realidade do paciente e articulação com a equipe multiprofissional. O caso relatado demonstra que intervenções simples, mas fundamentadas em evidências e sensibilidade, podem promover alívio de sintomas, preservar a dignidade e melhorar de forma concreta a qualidade de vida de pessoas em fase final da vida. O cuidado em estomaterapia, quando centrado na pessoa, fortalece a autonomia do paciente e da família, amplia o letramento em saúde e contribui para a humanização do cuidado no fim da vida.
Título do Evento
II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais da II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ: Interface do cuidado de enfermagem em estomaterapia com o cuidado de enfermagem em oncologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ROCHA, Camila de Oliveira et al.. INTERVENÇÕES DA ESTOMATERAPIA EM PACIENTE ONCOLÓGICO NO AMBULATÓRIO DE CUIDADOS PALIATIVOS: RELATO DE CASO.. In: Anais da II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ: Interface do cuidado de enfermagem em estomaterapia com o cuidado de enfermagem em oncologia. Anais...Rio de Janeiro(RJ) RJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-jornada-nacional-estomaterapia-uerj/1203472-INTERVENCOES-DA-ESTOMATERAPIA-EM-PACIENTE-ONCOLOGICO-NO-AMBULATORIO-DE-CUIDADOS-PALIATIVOS--RELATO-DE-CASO. Acesso em: 22/05/2026

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