HOMENS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO TRABALHO: REFLEXÃO PELA TEORIA DAS MASCULINIDADES DE RAEWYN CONNELL

Publicado em 05/04/2026 - ISBN: 978-65-272-2312-2

Título do Trabalho
HOMENS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO TRABALHO: REFLEXÃO PELA TEORIA DAS MASCULINIDADES DE RAEWYN CONNELL
Autores
  • Jakeline Costa dos Santos
  • Carolina Cabral Pereira da Costa
  • Norma Valéria Dantas De Oliveira Souza
Modalidade
Comunicação Oral - Resumo Expandido
Área temática
Disfunção do Assoalho Pélvico (Incontinências)
Data de Publicação
05/04/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ii-jornada-nacional-estomaterapia-uerj/1186368-homens-com-incontinencia-urinaria-no-trabalho--reflexao-pela-teoria-das-masculinidades-de-raewyn-connell
ISBN
978-65-272-2312-2
Palavras-Chave
Incontinência Urinária; Masculinidade; Saúde do Homem
Resumo
Introdução: A incontinência urinária (IU) masculina, caracterizada pela perda involuntária de urina, apresenta-se clinicamente como IU de esforço (IUE), frequentemente observada após prostatectomia, IU de urgência (IUU) ou como uma condição mista, combinando ambas as formas. O manejo clínico segue uma abordagem escalonada, iniciando com estratégias conservadoras, tais como fisioterapia do assoalho pélvico e modificações comportamentais, e farmacológicas, direcionadas principalmente à IUU. Em casos de IUE persistente, recorre-se a intervenções cirúrgicas, como a implantação de slings ou esfíncteres artificiais(1). Este fenômeno em análise direciona o foco para uma dimensão frequentemente negligenciada: a intersecção entre a experiência da IU masculina e os processos de inserção e permanência no mercado de trabalho. Ressalta-se que a IU constitui um fator de risco independente para ansiedade, depressão e limitações laborais, como a redução da produtividade no trabalho. Contudo, muitos homens não buscam tratamento para a IU ou outros sintomas do trato urinário inferior (2), e existe uma lacuna na literatura sobre as experiências laborais desses indivíduos. A complexidade do tema exige uma análise que transcenda o modelo biomédico, incorporando dimensões socioculturais. Assim, este estudo de reflexão analisa as implicações da IU masculina na trajetória profissional sob a ótica da teoria das masculinidades de Raewyn Connell. O objetivo é correlacionar os conceitos centrais de Connell (masculinidade hegemônica, hierarquia das masculinidades, ordem de gênero) com as barreiras, facilitadores e estratégias de manejo de homens com IU no trabalho, investigando como as expectativas sociais de gênero influenciam a percepção da doença, o acesso ao cuidado e as interações profissionais. Metodologia: Trata-se de um ensaio de reflexão teórica que explora as intersecções entre a condição da IU masculina, as experiências no mercado de trabalho e as construções sociais de gênero, utilizando como lente analítica a sociologia de Raewyn Connell. Desenvolvimento: Um ponto central de tensão emerge do confronto entre a masculinidade hegemônica e a experiência da IU. O ideal culturalmente dominante de masculinidade, frequentemente associado ao controle do corpo, das emoções e das situações, à força física, à autonomia e à invulnerabilidade(3), entra em conflito direto com a natureza involuntária e imprevisível da perda urinária. Vivenciar a IU pode, nesse contexto, ser interpretado não apenas como um problema de saúde, mas como uma falha na performance da masculinidade esperada. Essa dissonância pode alimentar sentimentos de vergonha, inadequação e ansiedade, conforme sugerido por estudo que aponta o impacto da IU na saúde mental e na qualidade de vida(2). A própria necessidade de gerenciar a IU (idas frequentes ao banheiro, uso de absorventes, preocupação com odores ou vazamentos) pode ser interpretada, pelo indivíduo ou por terceiros, como um obstáculo ao desempenho ou como uma forma de "desengajamento", desalinhando-se da figura idealizada do trabalhador produtivo e do modelo masculino hegemônico(3). Homens com IU podem desenvolver estratégias de negociação identitária e de manejo da condição no trabalho, refletindo diferentes posicionamentos em relação às expectativas de gênero e às capacidades valorizadas no mundo profissional. Connell(3) salienta que uma condição crônica pode desestabilizar as normas hegemônicas, gerando questionamentos sobre a própria masculinidade, especialmente diante da fragilidade física e da dependência geradas por sua condição. Nesse contexto, analisar a IU no trabalho à luz de Connell permite desnaturalizar à experiência, considerando a complexa negociação entre vivência corporal, normas de gênero e exigências laborais, frequentemente inflexíveis às necessidades de saúde. Conclusão: A reflexão teórica, ancorada na teoria das masculinidades de Raewyn Connell, permitiu analisar as implicações socioculturais da IU masculina na esfera profissional, evidenciando que os desafios transcendem a dimensão fisiológica. A pressão para performar uma masculinidade hegemônica, a hierarquia de gênero no trabalho e a ordem de gênero contribuem para o estigma, silêncio e dificuldades enfrentadas por esses homens. A análise sociológica complementa a abordagem biomédica, destacando como as normas de gênero e as relações de poder estruturam a experiência da IU no trabalho. Embora limitada por sua natureza teórica, a reflexão aponta implicações relevantes: a necessidade de incorporar discussões sobre gênero e masculinidades na formação em saúde; o vasto campo para pesquisas empíricas futuras sobre a interface IU, masculinidades e trabalho; adotar abordagens assistenciais integrais e sensíveis ao gênero; e incentivar ambientes de trabalho inclusivos, flexíveis e saudáveis, que reconheçam as necessidades de saúde e promovam uma cultura organizacional que valorize o bem-estar para além das expectativas de gênero.
Título do Evento
II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Anais da II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ: Interface do cuidado de enfermagem em estomaterapia com o cuidado de enfermagem em oncologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTOS, Jakeline Costa dos; COSTA, Carolina Cabral Pereira da; SOUZA, Norma Valéria Dantas De Oliveira. HOMENS COM INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO TRABALHO: REFLEXÃO PELA TEORIA DAS MASCULINIDADES DE RAEWYN CONNELL.. In: Anais da II Jornada Nacional de Estomaterapia da UERJ: Interface do cuidado de enfermagem em estomaterapia com o cuidado de enfermagem em oncologia. Anais...Rio de Janeiro(RJ) RJ, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ii-jornada-nacional-estomaterapia-uerj/1186368-HOMENS-COM-INCONTINENCIA-URINARIA-NO-TRABALHO--REFLEXAO-PELA-TEORIA-DAS-MASCULINIDADES-DE-RAEWYN-CONNELL. Acesso em: 29/05/2026

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