PELE INTERFACE: DESIGN E ANTROPOLOGIA EM DIÁLOGO COM OS CORPO E A CIDADE.

Publicado em 13/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2216-3

DOI
10.29327/1767853.1-35  
Título do Trabalho
PELE INTERFACE: DESIGN E ANTROPOLOGIA EM DIÁLOGO COM OS CORPO E A CIDADE.
Autores
  • Isadora Kron Raposo
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Género y Cuerpo
Data de Publicação
13/03/2026
País da Publicação
Brasil | Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1299211-pele-interface--design-e-antropologia-em-dialogo-com-os-corpo-e-a-cidade
ISBN
978-65-272-2216-3
Palavras-Chave
Pele interface. Design Antropológico. Corpo decolonial. Espacialidades urbanas.
Resumo
A presente pesquisa busca investigar a tatuagem como memória viva em construção, compreendida como um artefato que estabelece diálogos com as espacialidades urbanas e suas incontáveis perfurações multilaterais cotidianas, tornando-se um elemento simbólico e material que articula experiências individuais e coletivas no contexto urbano. Sob essa perspectiva, pretende-se explorar o pluralismo que o design e a antropologia oferecem quando entrelaçados, conforme proposto por Ibarra, superando a fragmentação metodológica e conceitual de delimitação de áreas de estudo, e permitindo adentrar na dimensão decolonial do corpo e com o corpo através da cidade, como enfatiza De Souza Nascimento, evidenciando a experiência próxima como um instrumento de análise que considera a corporeidade e a sensibilidade como centrais para a produção de conhecimento. O corpo tatuado, nesse cenário, emerge como um dispositivo sensível capaz de registrar narrativas de resistência, desejos e memórias, constituindo-se como interface que conecta experiência, memória e espaço urbano, articulando subjetividade, visibilidade e inscrição social de forma interdependente. O olhar de perto e de dentro, tal como descrito por Magnani, é fundamental na metodologia adotada, permitindo que a pesquisa se aproxime das práticas cotidianas de sujeitos tatuados e dos espaços que habitam, captando a complexidade das interações que definem a vida urbana. Essa aproximação possibilita compreender a tatuagem não apenas como um elemento estético ou decorativo, mas como um gesto performativo e narrativo que atravessa temporalidades, corpos e lugares. Nessa dimensão, a tatuagem funciona como extensão de um processo de cartografia urbana do corpo, em que cada traço, cor e inscrição carrega significados múltiplos, atravessando a experiência subjetiva e a percepção coletiva. A perspectiva de Armando Silva sobre imaginários urbanos e estranhamentos urbanos contribui para compreender como os corpos se relacionam com a cidade, inscrevendo-se em espaços públicos e privados e provocando deslocamentos perceptivos e simbólicos que articulam alteridade, pertencimento e resistência, reforçando o caráter político da tatuagem como prática estética e social. Ao considerar o design como campo sensível e experimental, conforme Norman, a pesquisa enfatiza sua capacidade transmutável de gerar e repercutir manifestações de desejo fundamentadas nas necessidades humanas, permitindo compreender a tatuagem como prática mediada por tecnologias, ferramentas e práticas culturais que extrapolam a mera produção industrial, na perspectiva de Papanek. O design antropológico, portanto, é compreendido como prática que articula técnica, estética e ética, e que se manifesta não apenas em objetos materiais, mas na relação entre corpo, espaço urbano e subjetividade, oferecendo ferramentas conceituais e metodológicas para compreender a tatuagem como instrumento de inscrição de memórias e desejos. A contribuição de Tim Ingold amplia o enquadramento teórico ao propor que o ato de desenhar, gravar e caminhar são formas de pensar e conhecer o mundo, estabelecendo correspondências entre linhas, corpos e ambientes. Nesse sentido, a tatuagem é um gesto que conecta memória, corpo e cidade, sendo ao mesmo tempo individual e coletiva, material e simbólica, inscrita na pele como narrativa e cartografia de experiências. A perspectiva de Paul B. Preciado complementa a análise ao destacar que os corpos são atravessados por dispositivos técnicos, discursivos e culturais que moldam subjetividades, conferindo à tatuagem caráter político e experimental, capaz de subverter normas sociais e inscrever resistências em práticas corporais urbanas. A pesquisa, concebida como proposta inicial para a produção de um futuro documentário, adota procedimentos de etnografia urbana visual, registrando narrativas e práticas de sujeitos tatuados na cidade, explorando tanto a dimensão íntima da memória quanto os efeitos públicos da visibilidade. Essa abordagem metodológica permite captar não apenas a materialidade dos traços, cores e texturas, mas também os modos pelos quais o corpo interage com o espaço urbano, tornando-se manifesto vivo e participando da construção de imaginários coletivos. A pesquisa visa compreender como a tatuagem atua como mediadora entre experiências individuais e coletivas, articulando memória, desejo, resistência e identidade, configurando-se como ponto de encontro entre prática estética e política urbana. Michel Agier, ao discutir a liberdade do não lugar e a inscrição da pele-interface, reforça a noção de que o corpo tatuado é um agente ativo que produz sentidos, negocia pertencimento e transforma a percepção urbana. A tatuagem, nesse contexto, funciona como dispositivo de transição entre o privado e o público, entre a experiência sensível e as estruturas espaciais, articulando memória, identidade e desejo em múltiplas camadas. Essa perspectiva permite compreender a tatuagem como prática que não apenas reflete experiências individuais, mas que também intervém nos imaginários urbanos, contribuindo para a criação de espaços simbólicos e sociais alternativos. A pesquisa propõe-se a articular as contribuições de diferentes autores para compreender os desafios e as potencialidades do design e da antropologia em campo, especialmente em contextos urbanos da América Latina, onde corpos, cidades e memórias se encontram em constante transformação. Ao integrar o olhar sensível e experimental do design, a metodologia etnográfica e a análise antropológica do corpo e da cidade, a pesquisa busca evidenciar como práticas de design antropológico podem dialogar com metodologias etnográficas, ampliando a compreensão do corpo como superfície de inscrição, espaço de experimentação e veículo de expressão de subjetividades múltiplas. Os resultados esperados incluem a identificação de padrões de relação entre corpo, cidade e memória, a compreensão das implicações decoloniais das práticas corporais, e a construção de repertórios analíticos que possam informar tanto a produção acadêmica quanto projetos futuros de design sensível e experimental. A pesquisa contribui para o campo ao propor um olhar integrado, no qual design e antropologia não coexistem apenas, mas se potencializam mutuamente, oferecendo instrumentos teóricos e metodológicos para compreender a tatuagem como prática estética, política e social. A presente pesquisa busca investigar a tatuagem como memória viva em constante processo de construção, compreendendo-a como um artefato que estabelece diálogos permanentes com as espacialidades urbanas e suas incontáveis perfurações multilaterais cotidianas. Ao ultrapassar a concepção restrita de imagem corporal ou adorno estético, a tatuagem se revela como elemento simbólico e material que articula experiências individuais e coletivas no contexto urbano. Nessa abordagem, a tatuagem não é vista como produto acabado, mas como processo de inscrição e reinscrição contínua, capaz de mobilizar camadas de memória, desejo e resistência. Cada traço registrado na pele não se limita a um registro biográfico individual, mas se projeta em direção a coletividades e territórios, funcionando como linguagem que se atualiza no tempo e no espaço. Sob essa perspectiva, pretende-se explorar o pluralismo metodológico e epistemológico que o design e a antropologia oferecem quando entrelaçados, conforme já sugerido por Ibarra, que problematiza a fragmentação disciplinar herdada da modernidade. O estudo não pretende reafirmar fronteiras estanques, mas propor cruzamentos férteis entre diferentes modos de produzir conhecimento. Assim, a articulação entre design e antropologia abre possibilidades de se pensar a tatuagem como prática que atravessa dimensões materiais, técnicas, éticas e sensíveis, permitindo um mergulho na dimensão decolonial do corpo e com o corpo através da cidade. De Souza Nascimento destaca que a experiência próxima, marcada pela corporeidade e pela sensibilidade, deve ser tomada como instrumento central de análise, o que implica considerar os corpos tatuados como superfícies ativas de pensamento e expressão. O corpo, nesse sentido, deixa de ser mero objeto de estudo para assumir a condição de agente que produz e ressignifica mundos possíveis. O corpo tatuado, neste cenário, emerge como dispositivo sensível e performativo capaz de registrar narrativas de resistência, desejos e memórias. Ele se constitui como interface entre experiência, memória e espaço urbano, articulando subjetividade, visibilidade e inscrição social de maneira interdependente. A tatuagem torna-se, portanto, um ponto de encontro entre a intimidade da pele e a coletividade da cidade, conectando micropolíticas da vida cotidiana com macroestruturas sociais. Cada desenho gravado no corpo pode ser lido como inscrição que não se encerra em si mesma, mas reverbera nos imaginários urbanos, nos fluxos de circulação, nas sociabilidades e nas disputas simbólicas pelo espaço público. Nesse sentido, o olhar de perto e de dentro, tal como descrito por Magnani, adquire centralidade metodológica. Essa perspectiva permite que a pesquisa se aproxime das práticas cotidianas de sujeitos tatuados, observando não apenas os corpos individualmente, mas também os espaços que eles habitam, transitam e reconfiguram. O método, ao priorizar a experiência compartilhada, capta a complexidade das interações que definem a vida urbana e evidencia como a tatuagem participa dessas dinâmicas. Desse modo, compreende-se a tatuagem não como ornamento ou decoração, mas como gesto narrativo que atravessa temporalidades, lugares e corporeidades. A tatuagem é, nesse enquadramento, um ato performativo que atualiza histórias, inscreve identidades e projeta presenças. A cartografia urbana do corpo, aqui evocada, é elaborada a partir dos traços, cores e inscrições que se acumulam na pele. Cada marca participa de uma rede de significados múltiplos, atravessando tanto a experiência subjetiva quanto a percepção coletiva. Os corpos tatuados tornam-se mapas vivos da cidade, repletos de linhas que indicam pertencimentos, deslocamentos e resistências. Nesse processo, as contribuições de Armando Silva sobre os imaginários urbanos e os estranhamentos cotidianos ajudam a compreender como os corpos se relacionam com a cidade de modo não linear, inscrevendo-se em espaços públicos e privados, e produzindo deslocamentos perceptivos que questionam fronteiras simbólicas. Assim, a tatuagem adquire dimensão política ao tensionar alteridade, pertencimento e resistência no tecido social urbano. Ao considerar o design como campo sensível, aberto e experimental, conforme propõe Donald Norman, a pesquisa enfatiza sua capacidade transmutável de gerar manifestações de desejo fundamentadas nas necessidades humanas. O design, nesse caso, não se restringe à materialidade dos objetos industriais, mas se desdobra em práticas que envolvem técnicas, ferramentas e modos de expressão cultural, como defendeu Papanek. Sob essa chave, a tatuagem pode ser compreendida como prática de design antropológico, na medida em que articula técnica (a perfuração da pele, os instrumentos, a tinta), estética (as imagens, símbolos, cores) e ética (a relação com o outro, a negociação de significados, a inscrição de resistências). Essa tríade permite compreender a tatuagem como fenômeno complexo, situado entre corpo, subjetividade e espaço urbano. Tim Ingold contribui para ampliar o horizonte analítico ao sugerir que desenhar, gravar e caminhar são modos de pensar e conhecer o mundo. O ato de traçar linhas, seja sobre o papel, sobre o solo ou sobre a pele, é, para Ingold, uma forma de constituir relações entre corpos e ambientes. Sob essa perspectiva, a tatuagem é gesto que conecta memória, corpo e cidade, operando simultaneamente no plano individual e coletivo, material e simbólico. A pele tatuada funciona, portanto, como narrativa visual e como cartografia afetiva de experiências urbanas. Essa dimensão é intensificada quando se considera a perspectiva de Paul B. Preciado, que evidencia como os corpos são atravessados por dispositivos técnicos e discursivos que moldam subjetividades. A tatuagem, nessa chave, não é apenas prática estética, mas também prática política que desafia normas sociais, inscrevendo resistências e experimentações na carne viva da cidade. A pesquisa, concebida como proposta inicial para a produção de um futuro documentário, adota procedimentos de etnografia urbana visual. Essa escolha metodológica busca registrar tanto as narrativas individuais de sujeitos tatuados quanto as práticas coletivas que eles integram, explorando a dimensão íntima da memória e os efeitos públicos da visibilidade. Ao mobilizar recursos audiovisuais, pretende-se captar não apenas a materialidade dos traços e texturas, mas também os modos de interação entre corpo e espaço urbano. Assim, a pesquisa se propõe a acompanhar como o corpo tatuado se torna manifesto vivo, intervindo na produção de imaginários coletivos e nas formas de habitar a cidade. A reflexão de Michel Agier sobre o não lugar e a pele como interface ajuda a reforçar a compreensão do corpo tatuado como agente ativo que negocia sentidos e pertencimentos. A tatuagem, nesse contexto, atua como dispositivo de transição entre privado e público, entre intimidade e exterioridade, entre experiência sensível e estruturas espaciais. Ela articula memória, identidade e desejo em camadas sobrepostas, criando modos alternativos de espacialização. A inscrição na pele não se reduz à biografia individual, mas constitui também um modo de intervir nos imaginários urbanos e de propor leituras alternativas do espaço social. Ao articular essas contribuições teóricas, a pesquisa busca compreender os desafios e as potencialidades do design e da antropologia em campo, especialmente em contextos urbanos latino-americanos, marcados por tensões coloniais, desigualdades e processos constantes de transformação. Nessas cidades, o corpo tatuado se destaca como superfície de inscrição onde se negociam memórias coletivas e desejos individuais, onde se produzem resistências e se afirmam identidades. O entrelaçamento entre design e antropologia, nesse caso, não é apenas exercício acadêmico, mas estratégia política de ampliar os horizontes de análise e de reconhecer saberes situados. Os resultados esperados incluem a identificação de padrões de relação entre corpo, cidade e memória, a compreensão das implicações decoloniais das práticas corporais e a construção de repertórios analíticos que possam dialogar tanto com a produção acadêmica quanto com práticas de design experimental. Espera-se, ainda, que o estudo evidencie como o corpo pode ser entendido como superfície de inscrição e espaço de experimentação estética, política e social. A pesquisa, portanto, contribui para consolidar um olhar integrado que coloca lado a lado design e antropologia, não como campos autônomos, mas como práticas que se potencializam ao dialogar. Ao propor esse entrelaçamento, reafirma-se a relevância de explorar dimensões sensíveis, éticas e políticas das práticas corporais urbanas. A tatuagem, nesse contexto, atua como mediadora entre corpo, cidade, memória e design, constituindo-se como prática estética e política que intervém no cotidiano urbano e no imaginário coletivo. O estudo se insere, assim, em um esforço de construção teórica e metodológica situado, atento às especificidades culturais e urbanas da América Latina, e comprometido com uma perspectiva decolonial que reconhece a centralidade da experiência próxima e da corporeidade na produção de conhecimento.
Título do Evento
I Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Cidade do Evento
São Luís
Título dos Anais do Evento
Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

RAPOSO, Isadora Kron. PELE INTERFACE: DESIGN E ANTROPOLOGIA EM DIÁLOGO COM OS CORPO E A CIDADE... In: Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina. Anais...São Luís(MA) ENES-Morelia / UNAM, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1299211-PELE-INTERFACE--DESIGN-E-ANTROPOLOGIA-EM-DIALOGO-COM-OS-CORPO-E-A-CIDADE. Acesso em: 22/05/2026

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