PROCESSOS DE ESCRITA COMO MÉTODO DE ELABORAÇÃO DE UMA COLETIVIDADE

Publicado em 13/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2216-3

DOI
10.29327/1767853.1-40  
Título do Trabalho
PROCESSOS DE ESCRITA COMO MÉTODO DE ELABORAÇÃO DE UMA COLETIVIDADE
Autores
  • Mariana Alves Monteiro
  • Barbara Szaniecki
  • Zoy Anastassakis
  • Ísis Helena Daou Robalinho de Azevedo
  • Kauê Marcos Pereira
  • Raíssa Joanna Vítola Albuquerque
  • Victor Domingues Venancio
  • Clara Acioli
  • Mayra Queiroz Muniz
  • Carolina Noury
  • André VICTOR
  • Marlene Medrado
  • Paula de Oliveira Camargo
  • Dani Dacorso
  • Catarina Souza
  • Satsumi Murakami
  • Arthur Henrique Silveira de Souza
  • Anna Clara Miranda
  • Joana Varon
  • Fabiana Duffrayer
  • Clara Meliande
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Método
Data de Publicação
13/03/2026
País da Publicação
Brasil | Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1298732-processos-de-escrita-como-metodo-de-elaboracao-de-uma-coletividade
ISBN
978-65-272-2216-3
Palavras-Chave
Fazer-com. Escrita coletiva. Linhas de pesquisa. Confluência.
Resumo
Processos de escrita como método de elaboração de uma coletividade Procesos de escritura como método de elaboración de una colectividad Writing processes as a method of collective elaboration <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> Resumo <omitido para revisão cega>, criado em 2013, consolidou-se como espaço de experimentação colaborativa na confluência entre design e antropologia, com práticas participativas em territórios locais, redes internacionais e projetos acadêmicos. Em 2024-2025, integrantes do <omitido para revisão cega> realizaram processo coletivo de reelaboração das linhas de pesquisa, em diálogo com a reestruturação do Programa de Pós-Graduação em Design da <omitido para revisão cega>. O exercício envolveu jogos colaborativos e escrita coletiva, resultando em cinco linhas: Visualidades, história e memória; Fazer pesquisa com, em e por meio do design; Design, políticas e interseccionalidades; Fabulações, imaginários e práticas de reencantamento; Territorialidades, corpo e Antropoceno. Palavras-chaves: Fazer-com. Escrita coletiva. Linhas de pesquisa. Confluência. Resumen <omitido para revisão cega>, creado en 2013, se ha consolidado como un espacio de experimentación colaborativa en la confluencia entre diseño y antropología, con prácticas participativas en territorios locales, redes internacionales y proyectos académicos. En 2024–2025, integrantes del <omitido para revisão cega> realizaron un proceso colectivo de reelaboración de sus líneas de investigación, en diálogo con la reestructuración del Programa de Posgrado en Diseño de la <omitido para revisão cega>. El ejercicio incluyó juegos colaborativos y escritura colectiva, resultando en cinco líneas: Visualidades, historia y memoria; Investigación con, en y a través del diseño; Diseño, políticas e interseccionalidades; Fabulaciones, imaginarios y prácticas de reencantamiento; Territorialidades, cuerpo y Antropoceno. Palabras clave: Hacer-con. Colectividad. Líneas de investigación. Confluencia. Abstract The Laboratory of Design and Anthropology <omitido para revisão cega>, created in 2013, has established itself as a space for collaborative experimentation at the confluence of design and anthropology, with participatory practices in local territories, international networks, and academic projects. In 2024–2025, <omitido para revisão cega> members carried out a collective process to reframe its research lines, in dialogue with the restructuring of the Graduate Program in Design at <omitido para revisão cega>. The exercise involved collaborative games and collective writing, resulting in five lines: Visualities, history and memory; Doing research with, in and through design; Design, politics and intersectionalities; Fabulations, imaginaries and practices of re-enchantment; Territorialities, body and the Anthropocene. Keywords: Making-with. Collective writing. Research lines. Confluence. Resumo expandido O <omitido para revisão cega> foi criado na <omitido para revisão cega> em 2013, em meio a experimentações que anunciavam o interesse por práticas situadas, na confluência entre design e antropologia. Desde as primeiras parcerias com projetos sociais em favelas no Rio de Janeiro até cooperações internacionais, como a estabelecida com <omitido para revisão cega>, o laboratório se consolidou como espaço de experimentação colaborativa, em que as leituras, escritas e trocas são partes inseparáveis da pesquisa. Ao longo dos anos, muitas pesquisadoras passaram pelo <omitido para revisão cega>, experimentando modos de compor coletividades. No retorno presencial após a pandemia de Covid-19, entre chegadas e despedidas, surgiu a necessidade de reconstituir memórias perdidas – inclusive os textos das linhas de pesquisa do laboratório – e atualizar sua formulação no presente. Esse movimento coincidiu com a reestruturação do Programa de Pós-Graduação em Design da <omitido para revisão cega>, que extinguiu suas linhas originais e instaurou quatro novas, levando o <omitido para revisão cega> a integrar <omitido para revisão cega>. Em novembro de 2024, então, nos reunimos para estruturar as novas linhas de pesquisa do <omitido para revisão cega> – essa tarefa, que no contexto brasileiro atende às exigências institucionais do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPQ, foi tomada não apenas como uma obrigação formal, mas como oportunidade de experimentar modos colaborativos de pensar e escrever. Ao invés de nomear áreas de interesse de forma irrefletida, buscamos compor e elaborar coletivamente categorias que ressoassem com nossas investigações em curso, colocando em prática um exercício de autoria compartilhada. O processo teve início na reunião, combinação e recombinação de palavras-chave escritas e escolhidas por cada um de nós, relacionadas às pesquisas individuais e outros temas de interesse dos integrantes do laboratório. Nessa prática coletiva as palavras coletadas foram escritas em pequenos papéis e dispostas em uma mesa. Caminhando em volta dela, observando e editando os agrupamentos espontâneos que começavam a surgir, íamos adicionando palavras que pareciam faltar e lembrando do que conhecíamos uns sobre as pesquisas dos outros. Agrupamentos e relações entre algumas palavras surgiram e, de acordo com as afinidades, se conformaram alguns grupos e tentativas de nomeação. A disposição dos papéis, as conexões improvisadas com barbantes e as conversas em torno deles se mostraram um ensaio metodológico: experimentamos a escrita como uma prática coletiva, em que as categorias emergiam do próprio encontro, das ações e do diálogo. Desde sua origem, o <omitido para revisão cega> cultiva práticas de compartilhamento, entendendo que não fazemos nossas pesquisas sozinhos a partir do momento em que ritualizamos a apresentação delas aos nossos pares de laboratório. Neste sentido, o processo de escrita das linhas de pesquisa foi, na realidade, um dos exercícios colaborativos que desenvolvemos no último ano do laboratório. É da rotina dos nossos encontros compartilharmos o andamento de nossas investigações individuais, ouvir as demais e abrir-se para contribuições. Em uma espécie de jogo da garrafa, por exemplo, no primeiro encontro de 2025, cada integrante do laboratório foi convidado a explicar a pesquisa de outro colega. O jogo, além de lúdico, nos incentivou a abrir a atenção para o outro, em um movimento contra-introspectivo: compreender a pesquisa do outro tornou-se um modo de exercitar atenção, cuidado e articulação entre trabalhos distintos, reforçando vínculos dentro do grupo. Esse fazer-com se expandiu em práticas como a disciplina <omitido para revisão cega>, realizada em parceria com a <omitido para revisão cega>, que reuniu oficinas, leituras e um ateliê de projeto; no <omitido para revisão cega>, organizado coletivamente pelas pesquisadoras do <omitido para revisão cega> em torno de questões de sustentabilidade; e nas participações em encontros e congressos como a Reunião de Antropologia do Mercosul, o P&D Manaus e o Simpósio de Design Sustentável no Maranhão. Após a dinâmica inicial de mapeamento com papéis e barbante, passamos seis meses pensando e repensando o número de linhas e escrevendo a descrição de cada uma delas. Dessa prática, resultaram cinco linhas de pesquisa, concebidas desde o primeiro encontro como pontos de relação e passagem entre si. Muitas das pesquisas transitam em mais de uma linha, mas a afirmação desses eixos se faz importante para o nosso próprio entendimento sobre quais são os interesses e qualidades das nossas abordagens de pesquisa. A primeira linha, dedicada a visualidades, história e memória, investiga imagens, arquivos e acervos como montagens e recomposições capazes de problematizar narrativas hegemônicas. É o caso, por exemplo, da pesquisa de mestrado de <omitido para revisão cega>, “Pensar-com imagens: subversões e fabulações em torno da bandeira nacional brasileira”, que investigou 338 imagens de versões alteradas da bandeira nacional brasileira (2013-2023), analisando como esse símbolo se tornou campo de disputa estética e política por meio de uma etnografia visual das imagens em circulação. Outra pesquisa, de <omitido para revisão cega>, se dedica a imagens encontradas no “Shopping Chão” que busca investigar a relação da sociedade com as imagens – seus usos, descartes e destinos possíveis –, especulando, imaginando, sonhando e criando possibilidades de futuro ao pensar sobre a memória; sobre as imagens e seus usos; suas histórias; seus contextos; suas realidades e ficções; suas possibilidades. A segunda linha, fazer pesquisa com, em e por meio do design, enfatiza metodologias experimentais que conjugam cartografia, etnografia, pesquisa-criação, codesign e design participativo. Essa linha experimenta como o design e a antropologia podem se contaminar mutuamente, propondo modos de investigação pertinentes aos desafios do tempo presente. A pesquisa de <omitido para revisão cega>, por exemplo, investiga o processo de fazer-com em confluência tecnológica com representantes de culturas originárias e afrodiaspóricas em re[x]istência, partindo da elaboração de representações tridimensionais, que serão exibidas em ambiente virtual, para colaborar na divulgação e reconhecimento de outras formas de mundificar. Outra pesquisa nesta linha é a de <omitido para revisão cega>, que busca pensar processos de criação em design como forma de entendimento subjetiva e investigação de questões autorais. Nesse sentido, os objetos de criação residual são trazidos como forma de pesquisa e possibilidade de estabelecer diálogos para além do campo de atuação de designers. Outra pesquisa que se insere nesta linha é da <omitido para revisão cega>, que a partir de conceitos como simpoiese (HARAWAY, 2023), e correspondência (GATT e INGOLD, 2013), procura experimentar e aprender por meio do fazer (-mundos) com os fungos, de forma micelial, cuidadosa e crítica. Assim, busca contribuir para um design alinhado e atuante no contexto das urgências ecológicas-climáticas-políticas do Antropoceno. A linha de design, políticas e interseccionalidades reúne investigações que dialogam com epistemologias feministas, afro-diaspóricas e decoloniais, abordando raça, gênero, classe e sexualidade como atravessamentos constitutivos da prática projetual. Essas investigações afirmam o design como campo de mediação tecnopolítica e biopolítica, onde subjetividades e corpos se entrelaçam com regimes de poder, mas também como espaço de invenção de novas formas de conhecimento. A pesquisa de <omitido para revisão cega>, por exemplo, investiga as relações intergeracionais no Morro do Salgueiro, focando na escola de samba mirim Aprendizes do Salgueiro e no Caxambu do Salgueiro. Nela, o pesquisador busca compreender como memória, identidade e território se entrelaçam em práticas culturais que valorizam heranças, reinventam tradições e projetam futuros comunitários. Nesse eixo também se insere a pesquisa de <omitido para revisão cega>, que busca decolonizar imaginários tecnológicos, contrapondo-se ao tecnocapitalismo que acelera o Antropoceno e afeta corpos-territórios historicamente marginalizados, ao investigar imaginários latino-americanos que, por meio de práticas de fabulação especulativa, inspiram o design de tecnologias situadas e regenerativas. Outro exemplo é a pesquisa da <omitido para revisão cega>, que investiga as vivências de mulheres negras em pós-graduações em design no Brasil, reunindo percepções sobre desafios e opressões enfrentadas no ensino superior. Ela busca evidenciar como sua presença, apesar das barreiras do racismo, machismo e desigualdades sociais, pode inspirar e servir de referência para outras pessoas afrodescendentes. A quarta linha, fabulações, imaginários e práticas de reencantamento, aposta na ficcionalização e na especulação crítica como métodos para recontar passados, ativar saberes invisibilizados e imaginar futuros possíveis. A fabulação, aqui, não é fuga, mas gesto de atenção e responsabilidade, recurso para reencantar o mundo e abrir passagens entre temporalidades. A pesquisa de <omitido para revisão cega> ressoa com esta linha, propondo uma investigação da dança butoh como design de mundos a partir de três categorias fundamentais da física e da dança: espaço, tempo e gravidade. Em lugar de uma sucessão regular de instantes a partir do ritmo, essa prática faz uso de uma dilatação do tempo para que a dança possa emergir, a partir do encontro do corpo com o espaço e de sua relação com imagens, memórias e afetos. Outro trabalho relacionado é a tese de <omitido para revisão cega>, em que ela entrelaça a trajetória do <omitido para revisão cega> com o próprio ato de escrever, organizando-se em “Tempos” e “Atravessamentos”. A fabulação emerge em “Design como Casa”, por meio de desenhos e imagens que aproximam e incitam narrativas críticas sobre espaço, cidade e memória. Nesse gesto, a história contemporânea é repensada em diálogo com práticas de design, políticas urbanas e experiências coletivas. Outra pesquisa é a de <omitido para revisão cega> que busca coletar narrativas ancestrais e suas escritas gráficas para salvaguardar mundos violentamente atacados a fim de enfrentar o desencanto do mundo moderno colonial aniquilador de corpos, saberes e linguagens. A urgência da vida diante os desastres do Antropoceno nos coloca em luta por outros mundos possíveis abrindo caminhos para alianças com seres encantados. Por fim, a linha de territorialidades, corpo e Antropoceno reúne pesquisas que questionam a universalidade desse conceito a partir de experiências situadas. O design, aqui, é pensado em correspondência com práticas insurgentes e regenerativas, mais atento ao habitar e à manutenção do que à projeção de soluções. Por exemplo, a pesquisa de <omitido para revisão cega>, se relaciona com essa linha à medida em que o território da Baía de Guanabara é investigado a partir de seus resíduos. Em gestos de coleta e também de criação, o designer-artista caminha nas praias guanabarinas coletando materiais descartados, depois cria novos objetos a partir dessas coisas. Como uma tentativa de conectar as peças residuais, articulando poética e sensivelmente essas coisas em objetos poéticos capazes de mostrar um pouco sobre o que guardam essas paisagens, as belezas, mas também os horrores do Antropoceno. Outra pesquisa que dialoga com esta linha é a de <omitido para revisão cega>, que investiga os quintais como territorialidades que articulam práticas de cultivo, festa e cuidado que sustentam mundos plurais nas emergências do Antropoceno. Com abordagem etnográfica-cartográfica, visa contribuir para pensar regeneração, insistência e modos de habitar nas cidades e florestas, em coabitação multiespécies. mesmo com seus ciclos e rituais sendo impactados pelas transformações climáticas. Esse processo de escrita tratou de experimentar o fazer-com entre nós mesmos, em que levamos para reuniões do laboratório aquilo que aprendemos nas pesquisas e trabalhos de campo em tantas experiências e diferentes contextos. O termo fazer-com, inscrito na perspectiva relacional proposta por autoras como Haraway e Strathern, aponta que conhecimento e prática são sempre co-produzidos em companhia de outros seres, materiais e mundos. Já a noção de confluência, em Antônio Bispo dos Santos (2023), descreve o encontro de saberes como rios que correm juntos, compondo novos arranjos sem perder singularidades. Já a correspondência, em Gatt e Tim Ingold (2013), entende a pesquisa como acompanhar linhas de vida em movimento, numa prática de atenção e improvisação. Ambos ressaltam o conhecimento como relação contínua e compositiva. As linhas que apresentamos aqui não são um retrato estático, mas um gesto provisório, fluido e situado. Elas carregam tanto a memória das pesquisas já realizadas, quanto a renovação que emerge dos encontros mais recentes. Nesse sentido, funcionam como dispositivos de passagem, abertos a recombinações, que atendem a fluxos e ciclos, atravessamentos e novos vínculos. É tentacular! Nossa contribuição neste encontro está em demonstrar como esse princípio relacional se desdobra em modos concretos de elaborar a coletividade de um grupo de pesquisa, se inscrevendo em uma rede maior de compartilhamento de pesquisadores de design e antropologia. Referências <omitido para revisão cega> <omitido para revisão cega> GATT, Caroline; INGOLD, Tim. From Description to correspondence: Anthropology in real time. In: GUNN, Wendy; OTTO, Ton; SMITH, Rachel Charlotte (eds). Design Anthropology: theory and practice. London; New York: Bloomsbury, 2013. p. 242-274. HARAWAY, Donna. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthluceno. São Paulo: Editora N-1, 2023. SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/ PISEAGRAMA, 2023.
Título do Evento
I Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Cidade do Evento
São Luís
Título dos Anais do Evento
Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

MONTEIRO, Mariana Alves et al.. PROCESSOS DE ESCRITA COMO MÉTODO DE ELABORAÇÃO DE UMA COLETIVIDADE.. In: Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina. Anais...São Luís(MA) ENES-Morelia / UNAM, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1298732-PROCESSOS-DE-ESCRITA-COMO-METODO-DE-ELABORACAO-DE-UMA-COLETIVIDADE. Acesso em: 23/05/2026

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