COBOGÓS EM BELO HORIZONTE - MG: ANÁLISES SOBRE O DESIGN E AS LINGUAGENS DO ARTEFATO EM QUATRO EDIFICAÇÕES DA CAPITAL MINEIRA

Publicado em 13/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2216-3

DOI
10.29327/1767853.1-7  
Título do Trabalho
COBOGÓS EM BELO HORIZONTE - MG: ANÁLISES SOBRE O DESIGN E AS LINGUAGENS DO ARTEFATO EM QUATRO EDIFICAÇÕES DA CAPITAL MINEIRA
Autores
  • Lucas Guimarães
  • Marcelina das Graças de Almeida
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Cultura Material
Data de Publicação
13/03/2026
País da Publicação
Brasil | Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1290952-cobogos-em-belo-horizonte---mg--analises-sobre-o-design-e-as-linguagens-do-artefato-em-quatro-edificacoes-da-cap
ISBN
978-65-272-2216-3
Palavras-Chave
Cobogó, Design, Linguagem, Cultura material
Resumo
A existência material humana é marcada pelas relações entre os indivíduos e seu entorno físico. Neste contexto, os artefatos desempenham papéis que vão além de sua função prática e atuam como meios de comunicação, influenciados pelas relações sociais, modos de vida das pessoas e hábitos cotidianos. Dos diversos artefatos produzidos pela humanidade, este trabalho tem como centro o Cobogó, um artefato de origem brasileira, desenvolvido para o contexto construtivo das edificações. O trabalho aqui apresentado é fruto da pesquisa desenvolvida no mestrado em design da pessoa autora deste texto, e tem como centro o estudo do Cobogó como elemento de design dotado de linguagens culturais, em quatro edificações brasileiras localizadas no município de Belo Horizonte - Minas Gerais. São elas: o Mercado Central de Belo Horizonte, o Mercado Novo, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e a Casa Kubitschek. As quatro obras mencionadas são tidas como o recorte de análise da pesquisa e foram escolhidas por possuírem livre acesso ao público, por seu aspecto simbólico no município, pelo contexto geográfico e pela diversidade de modelos de Cobogós e contextos históricos e socioeconômicos. O estudo possui o seguinte problema de pesquisa: quais linguagens semióticas podem ser identificadas no design dos Cobogós e de suas composições nas edificações estabelecidas no recorte de análise? Assim, objetivou-se, de forma geral, identificar as possíveis linguagens semióticas presentes no design dos Cobogós e em suas composições nas edificações mencionadas anteriormente. De forma específica, buscou-se também: caracterizar o elemento vazado Cobogó sob uma perspectiva histórica e funcional; levantar fundamentos do design relacionados à cultura, à linguagem semiótica e à subjetividade das formas e dos materiais; descrever a trajetória histórica das obras mencionadas; e conceituar os modos como os Cobogós foram empregados nesses espaços. Metodologicamente, a pesquisa possui natureza aplicada, abordagem qualitativa e objetivos descritivos e explicativos. Como método de investigação utilizou-se o estudo de caso, aplicado ao design do Cobogó e às linguagens passíveis de serem identificadas em sua conformação, a partir da análise das quatro obras estabelecidas como recorte de análise. Os dados foram coletados por meio de pesquisa bibliográfica, análise documental e observação sistemática. Primeiramente realizou-se a pesquisa bibliográfica - em bases acadêmicas - de modo a compor o embasamento teórico do trabalho no âmbito dos seguintes assuntos: desempenho e trajetória histórica dos elementos vazados; a conceituação e revisão histórica do Cobogó; fundamentos sobre design, cultura, linguagem semiótica e subjetividade das formas e dos materiais; e as obras do recorte de análise. Na sequência, foi realizada a busca e análise documental de materiais que auxiliassem na compreensão e descrição das obras do recorte de análise, bem como dos Cobogós nelas utilizados. As buscas ocorreram em órgãos públicos localizados no município, em alguns setores das próprias edificações analisadas, e seus respectivos sites institucionais. Após a conclusão desta etapa, foram desenvolvidas observações sistematizadas nas obras mencionadas, com o intuito de ampliar as informações coletadas acerca dos Cobogós, nelas utilizadas. A observação se deu de forma individual, sistemática, não participante, por meio de um roteiro pré-estabelecido. Após a coleta de dados, foi desenvolvido um estudo descritivo e analítico sobre os Cobogós nas obras determinadas no recorte de análise. Nele são apresentados um panorama histórico das obras juntamente com a caracterização dos modelos de Cobogós de maior predominância das edificações. Na sequência são formuladas análises e interpretações relacionadas ao design e às linguagens dos Cobogós observados. Por fim, a partir dos dados levantados no percurso da pesquisa, foram formuladas as considerações a respeito do fenômeno estudado, com o intuito de responder ao problema de pesquisa proposto. O Cobogó, segundo Vieira, Borba e Rodrigues (2012, p. 9) é “um dos mais significativos componentes da cultura construtivo-projetual e estético ambiental, tecnicamente aplicada originalmente no Brasil modernista, estando culturalmente apropriada [...], por suas qualidades ambientais [...]”. Desenvolvido em Pernambuco e patenteado em 1929, o artefato foi inspirado nos muxarabis da cultura árabe. Sua função principal é formar fachadas vazadas que permitem a entrada de iluminação e ventilação natural nos ambientes, contribuindo para a redução da incidência solar - aspectos relevantes para o desenvolvimento de projetos em regiões de clima quente e húmido (Miranda; Camacho; Bessa; Sacht, 2019; Vieira; Borba; Rodrigues, 2012). Sua aplicação na Caixa D’água de Olinda foi um marco na arquitetura moderna brasileira, contribuindo para a afirmação do artefato na cultura construtiva nacional (Oliveira; Bauer, 2011; Vieira; Borba; Rodrigues, 2012). Partindo do pressuposto que os objetos fazem parte do contexto humano, os artefatos, ainda que simples, refletem os desejos e anseios dos indivíduos. A partir deles é possível comunicar aspectos objetivos e subjetivos de um grupo, sendo utilizados como meios de externar práticas sociais e identidades culturais. Os objetos em uma sociedade devem ser compreendidos como parte da cultura, compondo padrões de pensamento e práticas sociais (Dohmann, 2017; Ono, 2004). No contexto semiótico toda prática cultural depende de sentido, assim como os objetos culturais. Neste sentido, tanto os objetos quanto às práticas são dotadas de signos e ao utilizá-los são tidos como linguagens passíveis de análises (Hall, 2016). As análises realizadas ao longo da pesquisa foram fundamentadas em alguns dos conceitos semióticos desenvolvidos pelo filósofo Charles Sanders Peirce (1839-1914). São eles a concepção de signos e fenômenos, as categorias do pensamento humano - Primeiridade, Secundidade e Terceiridade - e a tricotomia dos signos relacionadas ao objeto - Ícone, Índice e Símbolo. Essa escolha ocorreu por se considerar que sua abordagem apresenta maior coerência com o contexto do estudo. Para Peirce, os pensamentos que surgem na mente humana se dão por uma progressão de três estágios e estão relacionados ao modo como ocorrem os processos de pensamento e compreensão de um signo (Santaella, 1983). A Primeiridade trata-se da reação inicial a algo; a Secundidade tem relação com a sensação transmitida por este fenômeno; e, por fim, a Terceiridade está relacionada com sua interpretação (Rodrigues, 1991; Santaella, 1983). No contexto da relação entre signo e objeto, esta categoria pode ser classificada em Ícone - noção associada às características de um signo -, Índice - quando um signo se liga a outro signo - e Símbolo - quando um signo está associado a representação de uma ideia (Peirce, 2005; Santaella, 1983). As linguagens dos objetos materiais podem ser comparadas à escrita de um texto, em que o autor comunica seu pensamento por meio das palavras. No contexto dos artefatos, essa comunicação se dá pelo desenho do objeto. As mensagens visuais que os objetos carregam estão relacionadas não só com os elementos básicos de sua composição, mas também com a forma como é percebido pelo organismo humano. O design de um produto se dá a partir de texturas, cores, tons, formas e proporções dotadas de significados (Dondis, 2003; Maximo, 2023). Dos aspectos que tangem as considerações e conclusões acerca da pesquisa, foi possível perceber que uma mesma tipologia de artefato pode expressar diferentes linguagens, influenciadas pelo seu formato, materiais, texturas, acabamentos e o contexto utilizado. Constatou-se, também, que essas expressões variam de acordo com a forma como esses aspectos são combinados, uma vez que cada arranjo pode configurar expressões visuais distintas dotadas de diferentes linguagens. Ao retomar o problema de pesquisa proposto, é possível identificar linguagens diversas a respeito da aplicação e ambiência dos Cobogós nas obras analisadas. Do ponto de vista da Primeiridade associada à noção de Ícone e da Secundidade associada ao Índice, percebe-se que as leituras do artefato tendem a ser mais objetivas e associadas às suas características físicas, como a conformação de barreiras, a configuração vazada do bloco, sua coloração e alguns de seus aspectos funcionais. Já no campo da Terceiridade, vinculado aos conceitos de Símbolo, verifica-se que as leituras do artefato e de suas composições tendem a assumir um caráter experiencial, baseadas em aspectos subjetivos. Das linguagens identificadas percebe-se que elas tendem a estarem relacionadas à percepção de valor, funcionalidade, estética, percepção do artefato como bem culturalmente tradicional, símbolos representativos das obras e símbolos da arquitetura modernista. Neste contexto, entende-se que as linguagens identificadas não esgotam as possibilidades de leituras das composições analisadas e que elas podem representar, em maior, menor ou nenhum grau, a percepção de outras pessoas diante das mesmas conformações. A partir dessa percepção, é possível indicar caminhos para estudos futuros, como verificar em que grau as linguagens identificadas são compartilhadas por outras pessoas e identificar interpretações outras acerca das composições estudadas, a fim de ampliar as discussões sobre o tema. É possível indicar também a possibilidade de estudo das linguagens do artefato em outras edificações e contextos construtivos, bem como analisar, de forma específica, os simbolismos e significados atribuídos a ele no modernismo brasileiro. Entende-se que esta pesquisa permite um olhar subjetivo para um artefato tão presente em nossa cultura material. Possibilitando olhá-lo não só como elemento construtivo, mas como um objeto cultural, capaz de comunicar modos de pensar, intenções, subjetividades e traços sociais e culturais, estabelecendo, assim, relações com a proposta do encontro. Acredita-se que os pontos abordados na pesquisa vão de encontro com o contexto abordado no evento, por estarem relacionados ao contexto das subjetividades humanas associadas ao design, dialogando, assim, com os conceitos antropológicos e de design propostos.
Título do Evento
I Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Cidade do Evento
São Luís
Título dos Anais do Evento
Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

GUIMARÃES, Lucas; ALMEIDA, Marcelina das Graças de. COBOGÓS EM BELO HORIZONTE - MG: ANÁLISES SOBRE O DESIGN E AS LINGUAGENS DO ARTEFATO EM QUATRO EDIFICAÇÕES DA CAPITAL MINEIRA.. In: Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina. Anais...São Luís(MA) ENES-Morelia / UNAM, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1290952-COBOGOS-EM-BELO-HORIZONTE---MG--ANALISES-SOBRE-O-DESIGN-E-AS-LINGUAGENS-DO-ARTEFATO-EM-QUATRO-EDIFICACOES-DA-CAP. Acesso em: 22/05/2026

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