DESIGNANTROPOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA: PRÁTICAS DE RELACIONALIDADE PARA IMAGINAR FUTUROS POSSÍVEIS

Publicado em 13/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2216-3

DOI
10.29327/1767853.1-19  
Título do Trabalho
DESIGNANTROPOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA: PRÁTICAS DE RELACIONALIDADE PARA IMAGINAR FUTUROS POSSÍVEIS
Autores
  • Luiz Lagares Izidio
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Artesanía y Economía Solidaria
Data de Publicação
13/03/2026
País da Publicação
Brasil | Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1275534-designantropologia-e-economia-solidaria--praticas-de-relacionalidade-para-imaginar-futuros-possiveis
ISBN
978-65-272-2216-3
Palavras-Chave
Designantropologia, Economia solidária, Centralidade da vida, Futuros possíveis
Resumo
Resumo O artigo reflete sobre o design como prática ontológica diante das urgências contemporâneas, deslocando-o da racionalidade moderna, patriarcal e colonial para uma abordagem centrada na vida. Com base em autores como Escobar (2016), Ingold (2012), Haraway (2023), Nêgo Bispo (2023) e Noronha(2023), defende-se uma perspectiva biocêntrica e relacional, em que o design se constrói com outros saberes e cosmovisões. Ainda, a pesquisa articula-se com a economia solidária — modelo pautado na autogestão, cooperação e sustentabilidade — e uma abordagem a partir de designantropologia, práticas de correspondência e co-criação. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa e exploratória, com ênfase em estudos de caso desenvolvidos em campo de forma colaborativa com os grupos envolvidos. Utiliza-se o Sistema Produto-Serviço (PSS) como ferramenta de prototipação, possibilitando a materialização das aspirações e necessidades do grupo. Os resultados apontam para um fazer design horizontal, participativo e democratizante, que fortalece a autonomia, dilui hierarquias e abre caminhos para imaginação de futuros. RESUMO EXPANDIDO O tempo da urgência coloca em disputa a narrativa e o aparato epistemológico também no campo do design. Nesse sentido, acionamos o pensamento de Arturo Escobar (2016) sobre o potencial ontológico do design como caminho para relacionar o design à agencia de construção de mundos, sendo capaz de moldar a forma material do mundo e criar significações em uma dimensão política e social. E assim, a partir das urgências política, climática, econômica, ética e da negação da humanidade e do design em se reconhecer como parte dos impactos no mundo, propomos pensarmos outras maneiras de fazer design a partir da centralidade da vida (Noronha, 2023) e sua potência (Pelbart, 2011). Nessa busca de reconexão do fazer design com os outros (Borrero, 2020) temos reivindicado uma prática de design mais horizontal e democratizante (<omitido para revisão cega> , 2022), com participação efetiva das pessoas no processo de criação (Noronha, 2022), a partir de uma perspectiva biocêntrica (Cavalcante, 2015) e que articule as intersubjetividades dos envolvidos a partir de uma perspectiva orientada por designantropologia (<omitido para revisão cega> , Farias, Noronha, 2022). Além disso, buscamos uma prática de design que não reflita uma herança patriarcal-colonial-capitalista (Rolnik, 2018), mas que gere autonomia. Nesse sentido, faz algum tempo que temos nos aproximado de grupos que trabalham com a Economia Solidária. Este é um modelo econômico baseado na autogestão, cooperação e solidariedade, onde as atividades econômicas são organizadas de forma coletiva, com foco na valorização do trabalho humano, igualdade, sustentabilidade e tendo as potencialidades das pessoas e do território como foco e meios para o pertencimento. Além disso, ao invés de priorizar o lucro individual, a economia solidária busca a distribuição justa dos resultados e o bem viver (Dubeux, 2018). Pensar a centralidade da vida como valor e potência implica romper com o paradigma moderno e a racionalidade que restringe formas de ver e pensar o mundo fora do cânone dominante. A racionalidade moderna muitas vezes relega o design a um campo de segunda ordem — por ser estar relacionado ao fazer e não, necessariamente, ao pensar (Buchanan, 2001), ou por criar mundos de segunda mão (Mills, 2009), refletindo estruturas dicotômicas e racistas (Noronha, 2018). Romper com essas instituições nos leva a uma mudança epistemológica que afeta também o design. Nesse sentido, recorremos a Tim Ingold (2012), que propõe um processo intersubjetivo na relação com o ambiente, onde criamos espaços de vida e comunicação, as correspondências, onde não há separação entre o universo “exterior” e o sujeito isolado, mas uma consciência subjetiva que une tudo. Ter a vida como centro na criação em design requer uma relacionalidade radical (Escobar, 2024) para reconexão e regeneração ontológica. Exige abertura ao dissenso, à negociação, ao possível dentro do inegociável (Noronha, 2023). Diante da urgência por respostas rápidas para as questões contemporâneas, escolhemos seguir o conselho de Donna Haraway (2023), e ficar com o problema e seguir instigados por ele a busca por novas conexões e interações com outros seres e outras cosmologias pra sairmos do impasse de uma narrativa única de aniquilamento, seja do mundo ou de um salvador que vem aniquilar o inimigo. Haraway (2023) nos convida a pensar em aprofundar e criar alianças com aqueles que sempre guardaram o planeta: povos originários, fauna, flora, ou seja incluir outras cosmovisões como prática e modo de vida. Seguir uma nova lógica de pensar o fluxo da vida como nos ensina Nêgo Bispo (2023), ser começo - meio - começo. O objetivo do artigo é apresentar uma das experiências que unem design, economia solidária a partir da relação com abordagem de designatropologia estabelecendo um diálogo capaz de promover maneiras de fazer design que corresponda a ideia de ter a vida como centro, apontando quais aproximações e deslocamentos de designatropologia são possíveis no fazer design com participação radical e assim abrir possibilidades para outros modos de imaginação de futuros. Como resultados temos uma prática que privilegia propicia a diluição das relações de poder, privilegia a colaboração, o fazer junto como meio para uma prática em designantropologia. Metodologicamente partimos de uma abordagem e posicionamento em campo a partir do designantropologia (<omitido para revisão cega> Farias, Noronha, 2022), modo de pesquisar e se posicionar no mundo relacionalmente, de modo que o encontro e as trocas realizadas entre copesquisadores se tornam espaços possíveis para que as realidades sejam alteradas concretamente. Esta abordagem se alinha com a visão de uma pesquisa de natureza qualitativa (Gil, 1999) e de objetivos exploratórios (Gil, 1999; Lakatos, Marconi, 2001). Como método de investigação, neste artigo, abordaremos os estudos de caso. Yin (2018) entende o caso como determinado “fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claros e o pesquisador tem pouco controle sobre o fenômeno e o contexto” (Yin, 2018, p. 13). A proposta não é simplesmente mostrar o trabalho em campo, mas a partir desse trabalho criar um diálogo entre o fazer de designantropologia indicando contribuições dessa abordagem para o processo de participação e relacionalidade. A partir dessas perspectivas, abordaremos experiências de campo realizadas no âmbito de projetos desenvolvidos pelo Grupo de Estudos <omitido para revisão cega>, projetos estes que seguem em uma perspectiva radical do que é pesquisar com, no laço estabelecido com copesquisadores, que aqui não são considerados informantes, mas sujeitos ativos na realização da pesquisa. Buscando alinhar nossas práticas ao discurso, como caminho para um processo de relacionalidade, para uma prática de design alinhado a uma proposta ontológica de construção de mundos, inclusão de novas cosmovisões e alternativas aos processos instituídos, traçamos relações entre a metodologia de design escolhida para trabalhar com os grupos, Sistema Produto + Serviço - PPS (Vezolli, 2018), os princípios da Economia Solidária, aspectos relacionados ao Design participativo e a proposta de posicionamento de designantropologia. A partir do pensamento de Tunstall (2013) buscou-se alinhar as pautas do projeto ao contexto das comunidades a partir do entendimento da dinamicidade de criar e implementar os sistemas de produtos e serviços que considerem as práticas, aspirações, história, cultura e necessidades da comunidade que a pesquisa está inserida. Assim, a prototipação de PSS permite a tangibilização das cosmologias pessoais de cada grupo, bem como suas vivências, agregando valor e promovendo a autonomia. O Sistema Produto - Serviço - PPS, pode ser definido como uma estratégia de inovação que desloca o centro do negócio da venda física de produtos para a venda de um sistema de produtos e serviços que causam um baixo impacto ambiental (Vezzoli, 2018). Já a Economia Solidária age a partir de uma outra matriz de formação diferente da colonial-capitalista, que inclui princípios como autogestão, cooperação, solidariedade e respeito ao meio ambiente. Estes norteiam as atividades econômicas que buscam promover a justiça social, a inclusão a partir da equidade e o bem viver. O Design Participativo pressupõem uma participação efetiva nos processos de design que como vimos requer uma abertura deste processo aos nossos copesquisadores para que se tenha autonomia criativa, entre outras coisas. Por fim, designantropologia está sendo pensado aqui como uma ação que se dá a partir das práticas de correspondência, que tem como princípios: o hábito, como uma prática de convivência onde se é afetado e também afetamos a partir da experiência e vivência no habitar o mundo do outro e onde exercitamos o processo de antecipação; A comunhão (commonig) um processo de proximidade tal que permite uma convivência em comunhão a partir de um processo de autopoiese e controle entre contar e conter; Conhecimento narrativo como fonte de saber fazer; Atencionalidade o estar atento e presente de corpo inteiro; Uma resposta responsável (Response-ability) que surge a partir do fluxo dos materiais, do processo de improvisação e prototipação; e por fim, o Agenciamento ou Agencia (agencing) que é o processo de ter ação sobre as coisas e de não passividade, fazer com por um processo de simpoiese. Os resultados surgem a partir do diálogo que pretendemos fazer é como os princípios das práticas de correspondências presentes no designantropologia favorecem a uma prática de design em conjunto com a Economia Solidária a fim de estabelecer novas maneiras das pessoas participantes imaginarium o futuro a partir de ações práticas de design no presente.
Título do Evento
I Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Cidade do Evento
São Luís
Título dos Anais do Evento
Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

IZIDIO, Luiz Lagares. DESIGNANTROPOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA: PRÁTICAS DE RELACIONALIDADE PARA IMAGINAR FUTUROS POSSÍVEIS.. In: Cuaderno de Resúmenes del Encuentro de Antropología y Diseño en América Latina. Anais...São Luís(MA) ENES-Morelia / UNAM, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-encuentro-diseno-y-antropologia-america-latina/1275534-DESIGNANTROPOLOGIA-E-ECONOMIA-SOLIDARIA--PRATICAS-DE-RELACIONALIDADE-PARA-IMAGINAR-FUTUROS-POSSIVEIS. Acesso em: 22/05/2026

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