O DIREITO E A INFORMAÇÃO EFETIVA E QUALIFICADA: A MULHER E O PARTO DOMICILIAR PLANEJADO

Publicado em 18/04/2023 - ISBN: 978-85-5722-708-8

DOI
10.29327/1208818.1-2  
Título do Trabalho
O DIREITO E A INFORMAÇÃO EFETIVA E QUALIFICADA: A MULHER E O PARTO DOMICILIAR PLANEJADO
Autores
  • Jannaina Campos Bevilaqua
  • Laena Costa Dos Reis
  • Diego Pereira Rodrigues
  • Leila Fernanda Silva De Oliveira
  • Paula Fabiane da Rocha Nobre
Modalidade
2. Resumo Expandido
Área temática
Avanços no processo de formação e produção científica da Enfermagem Obstétrica e Neonatal.
Data de Publicação
18/04/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-regional-de-enfermagem-obstetrica-e-neonatal-276973/601889-o-direito-e-a-informacao-efetiva-e-qualificada--a-mulher-e-o-parto-domiciliar-planejado
ISBN
978-85-5722-708-8
Palavras-Chave
PALAVRA-CHAVE: Parto domiciliar; Enfermagem Obstétrica; Acesso à informação.
Resumo
INTRODUÇÃO: Com o desenvolvimento da ciência e a revolução tecnológica, houve, ao longo dos anos, uma mudança no cuidado obstétrico brasileiro, que deixou o cenário domiciliar e gradualmente foi transferido para o ambiente hospitalar. Assim, o modelo predominante de atenção ao parto no Brasil é caracterizado pelo atendimento institucionalizado, medicalizado, intervencionista e resulta em elevados índices de cirurgias eletivas de cesarianas. Atrelado a essa realidade, esse modelo de assistência favorece a incidência de diversas formas de violência durante o cuidado obstétrico, que incluem maus-tratos físicos, psicológicos e verbais, assim como ocorrências iatrogênicas¹. Portanto, o parto domiciliar planejado surge como uma ruptura a esse modelo, ganhando cada vez mais adeptos, sobretudo com a crescente busca pela temática e a popularização do acesso à internet, promovendo baixas taxas de intervenções e liberdade à mulher para parir de forma livre e respeitosa. O domicílio, por ser um cenário familiar para a mulher, favorece seus vínculos afetivos, em contrapartida ao ambiente hospitalar que é impessoal, com alta rotatividade de profissionais, o que dificulta a criação de vínculos, e pode se caracterizar como um ambiente de solidão e insegurança, fatores que podem refletir negativamente no processo do trabalho de parto4. Nesse sentido, a informação efetiva e qualificada, acessada pelas gestantes, têm desempenhado relevante papel no panorama da disseminação do parto domiciliar planejado, incentivando mulheres a buscarem mais detalhamentos sobre essa alternativa que subsidiarão essa escolha². OBJETIVO: desvelar a informação efetiva e qualificada como fator para o direito e escolha do parto domiciliar planejado. METODOLOGIA: Estudo descritivo, com abordagem qualitativa do tipo exploratória, realizada com 20 (vinte) mulheres que tiveram parto domiciliar planejado na região Metropolitana do Estado do Pará, acompanhadas pela equipe de enfermeiras obstétricas Naiá. Foram estabelecidos como critérios de inclusão, mulheres com idade acima de 18 anos, mulheres que optaram pelo PDP, ainda que tenham sido transferidas para unidade hospitalar, e partos realizados entre 2017 a 2022. Como critérios de exclusão foram suprimidos os partos domiciliares realizados por médico obstetra ou obstetriz e partos domiciliares não planejados. A coleta de dados foi realizada por roteiro de entrevista semiestruturada, com perguntas abertas e fechadas e a análise dos dados foi estruturada a partir de técnica de Análise de Conteúdo de Bardin, sendo desenvolvida em três fases: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos dados, inferência e interpretação. Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará, sob o protocolo nº 4.463.291/2020, e as entrevistas realizadas mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. RESULTADOS: O compartilhamento de informação efetiva e qualificada se mostrou um importante instrumento de empoderamento das mulheres, principalmente por meio dos grupos educativos, que possibilitam o estabelecimento de uma rede de apoio, tornando essas mulheres mais fortalecidas e encorajadas a apoderar-se de sua autonomia. As plataformas e mídias como sites, filmes e redes sociais também foram citados como veículos relevantes de informação, que atuam na quebra de paradigmas que cercam o parto domiciliar, ajudando a preparação para o parto e puerpério, reduzindo os receios e medos e promovendo maior segurança e autonomia por meio de uma informação qualificada. A informação compartilhada em âmbito familiar e círculos sociais também se mostrou relevante, uma vez que as mulheres grávidas demonstraram valorizar o conhecimento e a partilha da vida real e confiar no conhecimento que deriva diretamente da experiência, assumindo a responsabilidade de discernir e validar as próprias fontes. Assim, ficou evidente as singularidades do processo de escolha pelo parto domiciliar planejado, compreendendo que as particularidades de cada mulher devem ser respeitadas, considerando suas questões psicossociais e respeitando seu direito de escolha. CONCLUSÃO: Conclui-se que a informação qualificada, compartilhada através dos grupos educativos, assim como a utilização de ferramentas como a internet e redes sociais, e o apoio no âmbito familiar, mostraram-se como estratégias de motivação para a escolha do parto domiciliar, evidenciando a importância das mulheres receberem informações seguras e cientificamente embasadas. O planejamento e a escolha pelo parto em casa apresentaram-se como importante exercício da autonomia feminina, favorecendo o sentimento de empoderamento e liberdade. A construção dessa decisão parte de uma escolha ativa, e ao tomarem conhecimento dessa possibilidade, as mulheres buscam se aprofundar na pesquisa de informações sobre essa modalidade, assim como seus benefícios e riscos associados³. Essa busca por informações revela a necessidade de um novo modelo de atenção obstétrica, centrado nas suas individualidades e mostra que o interesse no retorno do parto ao domicílio perpassa pela importância da ambiência e pela fuga às práticas institucionalizadas. Dessa forma, as mulheres tendem a buscar um parto centrado nelas, assistido por um profissional de saúde capacitado e que haja respeito nas suas decisões e expectativas, a partir de um parto mais natural e com base nas evidências científicas. A garantia de autonomia se estabelece na busca dessas informações e permite a construção de um canal de informação. Assim, mostrou-se importante que as mulheres tenham acesso às informações de diversas fontes, fazendo valer seu direito à escolha informada e permitindo que essa mulher tenha instrumentos necessários para escolher o local onde parir5. CONTRIBUIÇÕES E/OU IMPLICAÇÕES PARA A ENFERMAGEM OBSTÉTRICA: O trabalho revela uma mudança na dinâmica da assistência obstétrica vigente, uma vez que a busca ativa por informação qualificada, promove a auto responsabilidade da mulher no contexto do parto e nascimento. Indica também, a necessidade de uma reformulação acadêmica dos profissionais de saúde, findando com práticas que fortalecem o modelo tecnocrático e intervencionista, e as que reforçam o crescimento da própria violência obstétrica. Em uma realidade em que o parto domiciliar planejado ainda não é uma política pública, faz-se importante compreender que a escolha por parir no domicílio é construída sobretudo a partir das motivações pessoais e construções sociais e o apoio das instâncias gestoras do Sistema Único de Saúde, assim como dos profissionais na Atenção Primária à Saúde, é imprescindível, no intuito de garantir o direito de uma escolha segura e informada. Este estudo fortalece também, o modelo de atenção multiprofissional, elevando a importância da enfermagem obstétrica na mudança desses paradigmas, onde o enfermeiro obstétrico atua como um facilitador desse processo de parturição, e age na redução de intervenções não oportunas, priorizando uma assistência humanizada e proporciona uma experiência respeitosa à mulher e sua família.
Título do Evento
I CONGRESSO REGIONAL DE ENFERMAGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL
Cidade do Evento
Belém
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Regional de Enfermagem Obstétrica e Neonatal
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

BEVILAQUA, Jannaina Campos et al.. O DIREITO E A INFORMAÇÃO EFETIVA E QUALIFICADA: A MULHER E O PARTO DOMICILIAR PLANEJADO.. In: Anais do Congresso Regional de Enfermagem Obstétrica e Neonatal. Anais...Belém(PA) ICJ - UFPA, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-regional-de-enfermagem-obstetrica-e-neonatal-276973/601889-O-DIREITO-E-A-INFORMACAO-EFETIVA-E-QUALIFICADA--A-MULHER-E-O-PARTO-DOMICILIAR-PLANEJADO. Acesso em: 09/05/2026

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