CAMINHOS DO CUIDADO: A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO ACOLHIMENTO DE POVOS E POPULAÇÕES TRADICIONAIS NO VER-SUS ITAPIPOCA-CE

Publicado em 21/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2604-8

Título do Trabalho
CAMINHOS DO CUIDADO: A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO ACOLHIMENTO DE POVOS E POPULAÇÕES TRADICIONAIS NO VER-SUS ITAPIPOCA-CE
Autores
  • ANA CAMILA DE SOUSA FREITAS
  • Glícia Mesquita Martiniano Mendonça
  • Ana Larissa Braga Chaves
  • Carlos Vitor Sales De Sousa
  • Flavia Roberta Do Nascimento Da Silva
  • Kaillane Nascimento Teixeira
  • Leticia Carvalho Cajaty
  • Maria Isadora Nunes Freire
  • Maria Yasmim Santos Sousa
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
TEMAS LIVRES: A submissão de temas livres abrange uma ampla diversidade de abordagens, incluindo estudos clínicos, relatos de experiência, revisões de literatura e pesquisas experimentais, contemplando diferentes áreas da enfermagem, como atenção básica, urgência e emergência, saúde coletiva, gestão em saúde, enfermagem hospitalar, saúde mental, entre outras. Além de estudos envolvendo relatórios técnicos, culturais e de extensão universitária.
Data de Publicação
21/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1570040-caminhos-do-cuidado--a-atencao-primaria-a-saude-no-acolhimento-de-povos-e-populacoes-tradicionais-no-ver-sus-ita
ISBN
978-65-272-2604-8
Palavras-Chave
Atenção Primária à Saúde, Populações Tradicionais, Saúde Pública
Resumo
RESUMO A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui eixo ordenador do Sistema Único de Saúde (SUS), por articular acesso, vínculo, integralidade, territorialização e coordenação do cuidado. Em territórios marcados por diversidade cultural, ruralidade e presença de povos e populações tradicionais, a atuação da APS exige práticas sensíveis aos modos de vida, aos saberes locais e às necessidades concretas das comunidades. Este resumo expandido tem como objetivo relatar a experiência vivenciada durante o programa Vivências e Estágios na Realidade do SUS (VER-SUS), no município de Itapipoca, Ceará, com ênfase na compreensão do papel da APS no acolhimento de povos e populações tradicionais. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e descritiva, desenvolvido a partir de imersão formativa realizada em março de 2026, por meio de visitas a equipamentos de saúde, observação da organização dos serviços, escuta de profissionais e usuários, rodas de conversa e reflexões coletivas. A vivência evidenciou que o cuidado em saúde ultrapassa a execução de procedimentos e depende do reconhecimento do território, da escuta qualificada, do respeito às diferenças culturais e da construção de vínculo entre equipe e comunidade. Conclui-se que o VER-SUS contribuiu para ampliar a formação crítica em Enfermagem, aproximando a estudante dos princípios do SUS e fortalecendo a compreensão de que a equidade se concretiza quando o cuidado considera as singularidades de cada povo e território. Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. Sistema Único de Saúde. Populações tradicionais. Equidade em saúde. Educação em Enfermagem. INTRODUÇÃO A Atenção Primária à Saúde representa a principal porta de entrada preferencial do SUS e um dos espaços mais potentes para a produção de cuidado integral, contínuo e territorializado . Desde a Constituição Federal de 1988, a saúde passou a ser reconhecida como direito de todos e dever do Estado, orientada por políticas sociais e econômicas voltadas à redução de riscos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços (BRASIL, 1988). Nesse sentido, o SUS organiza-se a partir de princípios doutrinários como universalidade, integralidade e equidade, os quais devem orientar não apenas a oferta de serviços, mas também o modo como profissionais e gestores compreendem as necessidades da população. A Declaração de Alma-Ata já afirmava a Atenção Primária como estratégia essencial para alcançar melhores níveis de saúde, defendendo cuidados próximos da realidade das pessoas e construídos com participação comunitária (OMS; UNICEF, 1978). No Brasil, a Política Nacional de Atenção Básica reforça que a APS deve desenvolver ações individuais e coletivas de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos e vigilância em saúde, considerando um território definido e a responsabilidade sanitária das equipes (BRASIL, 2017). Assim, o território não pode ser entendido apenas como espaço geográfico, mas como lugar onde se expressam histórias, vínculos, desigualdades, práticas culturais, relações sociais e formas próprias de compreender saúde e doença. No município de Itapipoca, localizado no Ceará, a diversidade territorial e sociocultural torna ainda mais relevante discutir a atuação da APS junto a povos e populações tradicionais. Comunidades rurais, litorâneas, indígenas, quilombolas e demais grupos historicamente atravessados por vulnerabilidades exigem um cuidado que reconheça diferenças e combata desigualdades. A equidade, nesse contexto, não significa tratar todos da mesma forma, mas oferecer respostas proporcionais às necessidades específicas de cada grupo. É nesse cenário que o VER-SUS se apresenta como experiência formativa relevante, pois aproxima estudantes da realidade concreta do SUS e favorece uma compreensão crítica, sensível e comprometida com a defesa da saúde como direito social. OBJETIVO Relatar a experiência vivenciada durante o programa VER-SUS em Itapipoca-CE, destacando a atuação da Atenção Primária à Saúde no acolhimento, no reconhecimento territorial e no cuidado prestado a comunidades, povos e populações tradicionais da região. METODOLOGIA Trata-se de um relato de experiência, de natureza qualitativa e descritiva, elaborado a partir da participação no programa VER-SUS, realizado no município de Itapipoca-CE, em março de 2026. O VER-SUS constitui estratégia de formação que aproxima estudantes da realidade do sistema público de saúde, possibilitando o contato direto com serviços, trabalhadores, usuários, territórios e práticas de cuidado. A vivência ocorreu em formato de imersão, durante uma semana, contemplando visitas a equipamentos da rede de saúde, com ênfase na Atenção Primária, além de momentos de escuta, observação, estudo e debate coletivo. As atividades envolveram aproximação com unidades e profissionais da APS, observação da organização dos fluxos de atendimento, compreensão das formas de acolhimento, diálogo com trabalhadores e reflexão sobre os desafios enfrentados na produção do cuidado em territórios diversos. Não foram realizadas intervenções assistenciais ou procedimentos técnicos pelos participantes, uma vez que a proposta teve caráter educativo, observacional e reflexivo. O registro da experiência foi construído a partir da memória reflexiva da vivência, das discussões coletivas e da articulação com referenciais sobre SUS, APS, territorialização, equidade e formação em saúde. RESULTADOS A experiência permitiu compreender que a Atenção Primária é muito mais do que o primeiro atendimento oferecido à população. Ela constitui um espaço estratégico de vínculo, acompanhamento contínuo, identificação de necessidades e construção compartilhada de respostas em saúde. Durante a vivência, observou-se que o trabalho das equipes depende do conhecimento do território e da capacidade de reconhecer as singularidades das famílias, das comunidades e dos grupos sociais atendidos. Um dos principais aprendizados foi a percepção de que o acolhimento aos povos e populações tradicionais exige sensibilidade cultural. O cuidado torna-se mais efetivo quando profissionais compreendem a forma como cada comunidade vive, trabalha, se organiza, adoece, busca ajuda e interpreta o processo saúde-doença. Essa compreensão fortalece o vínculo e amplia a confiança entre usuários e equipe, favorecendo adesão ao acompanhamento e maior resolutividade das ações. A territorialização apareceu como elemento central da prática da APS. Ao conhecer o território, a equipe pode identificar vulnerabilidades, mapear riscos, reconhecer lideranças comunitárias, planejar ações educativas e organizar estratégias adequadas à realidade local. Essa perspectiva dialoga com Paim (2009), ao compreender o SUS como uma política pública que deve responder às necessidades sociais de saúde, e com Campos (2000), ao defender práticas de cuidado que considerem sujeitos concretos, saberes e contextos de vida. Também se destacou a importância da equidade como princípio orientador. Em comunidades tradicionais, garantir equidade significa reconhecer barreiras históricas, geográficas, econômicas e culturais que dificultam o acesso aos serviços. Portanto, a atuação da APS deve ser planejada de modo a reduzir desigualdades, respeitar identidades e adaptar estratégias de cuidado às especificidades de cada população. Nessa perspectiva, a escuta qualificada, a visita domiciliar, o trabalho dos agentes comunitários de saúde, a educação em saúde e a articulação intersetorial assumem papel fundamental. DISCUSSÃO Os achados da vivência reforçam que a formação em Enfermagem precisa ir além da aprendizagem técnica e incorporar a compreensão crítica dos determinantes sociais da saúde. O contato com a realidade do SUS permite ao estudante perceber que as necessidades da população não se restringem à presença de doenças, mas envolvem condições de moradia, trabalho, renda, alimentação, transporte, cultura, pertencimento comunitário e acesso a direitos. A PNAB define a Atenção Básica como conjunto de ações desenvolvidas no âmbito individual e coletivo, orientadas por território, vínculo, cuidado longitudinal e responsabilidade sanitária (BRASIL, 2017). Na prática observada, esses elementos mostraram-se essenciais para o atendimento de comunidades tradicionais, pois a equipe precisa construir respostas que respeitem os modos de vida locais. A Declaração de Alma-Ata também permanece atual ao defender cuidados primários próximos da comunidade, socialmente acessíveis e baseados na participação das pessoas (OMS; UNICEF, 1978). Dessa forma, o VER-SUS contribuiu para deslocar a visão da estudante de uma compreensão limitada do serviço de saúde para uma leitura ampliada do SUS como projeto social, democrático e civilizatório. A vivência mostrou que a Enfermagem tem papel estratégico na APS, por estar diretamente vinculada ao acolhimento, à educação em saúde, ao acompanhamento das famílias, à coordenação do cuidado e à defesa da equidade. Ao reconhecer os povos tradicionais como sujeitos de direitos, e não apenas como grupos vulneráveis, a prática profissional torna-se mais ética, humanizada e transformadora. CONCLUSÃO A vivência no VER-SUS Itapipoca -CE evidenciou que a Atenção Primária à Saúde é fundamental para garantir cuidado integral, territorializado e culturalmente sensível às comunidades, povos e populações tradicionais. A experiência demonstrou que acolher não é apenas receber o usuário no serviço, mas escutar, reconhecer sua história, compreender seu território e respeitar seus modos de vida. Conclui-se que o conhecimento do território, a valorização da cultura local, a construção de vínculo e a prática da equidade são elementos indispensáveis para a efetivação dos princípios do SUS. Para a formação em Enfermagem, a vivência representou um marco de aprendizagem, pois possibilitou compreender que cuidar em saúde exige competência técnica, compromisso social, sensibilidade humana e defesa permanente do direito à saúde. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Um método para análise e cogestão de coletivos. São Paulo: Hucitec, 2000. OMS; UNICEF. Declaração de Alma-Ata: Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde. Alma-Ata: Organização Mundial da Saúde; Fundo das Nações Unidas para a Infância, 1978. PAIM, Jairnilson Silva. O que é o SUS. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.
Título do Evento
I CONGRESSO DE ENFERMAGEM DO UNINTA ITAPIPOCA - ICOENF
Cidade do Evento
Itapipoca
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FREITAS, ANA CAMILA DE SOUSA et al.. CAMINHOS DO CUIDADO: A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO ACOLHIMENTO DE POVOS E POPULAÇÕES TRADICIONAIS NO VER-SUS ITAPIPOCA-CE.. In: Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca. Anais...Itapipoca(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1570040-CAMINHOS-DO-CUIDADO--A-ATENCAO-PRIMARIA-A-SAUDE-NO-ACOLHIMENTO-DE-POVOS-E-POPULACOES-TRADICIONAIS-NO-VER-SUS-ITA. Acesso em: 01/11/2026

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