O ESTRESSE OCUPACIONAL NA DOCÊNCIA EM ENFERMAGEM: DETERMINANTES E IMPLICAÇÕES

Publicado em 21/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2604-8

Título do Trabalho
O ESTRESSE OCUPACIONAL NA DOCÊNCIA EM ENFERMAGEM: DETERMINANTES E IMPLICAÇÕES
Autores
  • Alana Lopes Teixeira
  • Israel Coutinho Sampaio Lima
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
SAÚDE DO TRABALHADOR DE ENFERMAGEM: refere-se ao campo que estuda e intervém nas relações entre o processo de trabalho da enfermagem e o processo saúde-doença de seus profissionais, bem como da relação deste com o objeto do cuidado em diversos campos de atuação. Considerando a exposição contínua a diversas cargas de trabalho (biológicas, ergonômicas, químicas, físicas e psicossociais), o conceito foca na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. Isso inclui desde Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT) e acidentes com material biológico, até o estresse e a Síndrome de Burnout, agravados por longas jornadas e falta de recursos. Ações que promovam um ambiente de trabalho seguro, saudável e humanizado, garantindo o bem-estar físico e mental da categoria para que possam prestar um cuidado de qualidade.
Data de Publicação
21/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1561724-o-estresse-ocupacional-na-docencia-em-enfermagem--determinantes-e-implicacoes
ISBN
978-65-272-2604-8
Palavras-Chave
Enfermagem, Docência, Saúde Mental.
Resumo
INTRODUÇÃO A Enfermagem configura-se como uma profissão essencial no campo da saúde, caracterizada pelo cuidado integral ao ser humano e pela articulação entre saberes técnicos, científicos e humanísticos. Ao longo de sua evolução, ampliou seu campo de atuação, abrangendo não apenas a assistência direta, mas também áreas como gestão, pesquisa e docência (Silva et al., 2023). O enfermeiro docente assume papel estratégico na formação de novos profissionais, sendo responsável pela construção de competências técnicas, éticas e críticas necessárias à atuação no sistema de saúde. No âmbito do ensino superior, o processo de ensino-aprendizagem tem passado por transformações significativas, exigindo dos docentes novas competências pedagógicas e metodológicas, como a adoção de metodologias ativas. No entanto, muitos docentes não possuem formação específica para o ensino, o que pode dificultar o desenvolvimento de práticas pedagógicas eficazes. Essa lacuna formativa, associada à sobrecarga de trabalho e à multiplicidade de funções (ensino, pesquisa e extensão), constitui um dos principais desafios enfrentados pelos professores da área. Diante desse cenário, observa-se que o trabalho docente na Enfermagem está permeado por diversos fatores estressores, como a pressão por produtividade acadêmica e exigências institucionais, que podem contribuir para o desenvolvimento de estresse ocupacional e ansiedade. O adoecimento mental entre docentes tem se tornado recorrente, sendo influenciado por fatores organizacionais e pela falta de suporte institucional (Pinho et al., 2024). A relevância deste estudo se justifica pela a necessidade de compreender os impactos do trabalho na saúde mental desses profissionais, visto que o bem-estar docente está diretamente relacionado à qualidade da formação acadêmica e, consequentemente, à assistência prestada à população e à sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, surge a seguinte questão norteadora: quais são os principais fatores estressores no trabalho docente em enfermagem e de que forma impactam a saúde e o desempenho desses profissionais? O objetivo geral deste estudo é analisar os fatores que podem ser relacionados como estressores, os quais tendem a elevar os níveis de ansiedade no trabalho docente em Enfermagem. MÉTODO Este estudo foi realizado por meio de uma revisão teórica narrativa, onde foram selecionados estudos que atendessem o objetivo de investigação apresentado, os quais conseguissem responder a questão norteadora desta pesquisa. Os artigos selecionados foram extraídos do banco dos bancos de dados online: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e da Scientific Electronic Library (Scielo), entre os anos de 2000 a 2026. Por se tratar de pesquisa com dados secundários publicados e disponíveis nos bancos de dados supracitados, o parecer ético não se faz necessário. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise da literatura evidencia que a docência em Enfermagem é marcada por uma dupla carga de responsabilidade, na qual o profissional precisa articular o domínio da prática assistencial com as complexas exigências do ambiente acadêmico que impacta diretamente na saúde mental do trabalhador, elevando os níveis de ansiedade e o surgimento de fatores estressores. Em estudo quantitativo de Silva et al., (2024) com 127 professores, identificou-se que 42% dos docentes apresentaram níveis de ansiedade acima da normalidade, sendo que 17% foram classificados em um grau considerado muito grave. Além disso, 52% dos professores manifestaram sintomas depressivos, sendo a sintomatologia de maior prevalência. Enquanto 48% dos docentes apresentaram níveis de estresse acima do esperado, com 19% destes em grau moderado. Esses dados correlacionam-se com a precarização do trabalho. Pinho et al., (2024), relacionam o estresse ocupacional ao produtivismo acadêmico e ás condições laborais muitas vezes inadequadas. No caso da Enfermagem, essa realidade se intensifica devido a multiplicidade de funções exercidas pelos docentes, que envolvem ensino, pesquisa, extensão e, muitas das vezes atividades assistenciais. Quantos os impactos na saúde, Leite et al., (2026) destacam a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC), caracterizados por sintomas como fadiga persistente, irritabilidade e sintomas psicossomáticos como insônia e cefaleia. Além disso, as mudanças no regime de trabalho e a pressão por produtividade intensificam quadros de ansiedade e medo, especialmente no contexto pós-pandemia. Conforme observado por Silva et al., (2024), a prevalência de sintomas depressivos e de estresse moderado a grave é uma realidade presente em quase metade do corpo docente pesquisado, evidenciando que o adoecimento não é apenas emocional, mas reflete em queixas psicossomáticas como insônia e cefaleias frequentes. Enquanto Pereira et al., (2025) apontam que, embora os docentes busquem estratégias de lazer, espiritualidade e exercícios físicos, o autocuidado isolado é insuficiente para conter o avanço do Burnout na categoria. Dessa forma, a carência de suporte institucional e de políticas de saúde ocupacional efetivas reforça a necessidade de intervenções organizacionais voltadas à saúde mental dos docentes. Medidas essas que reduzam a sobrecarga de trabalho e ofereçam suporte psicológico podendo contribuir não apenas para o bem-estar desses profissionais, mas também para a qualidade do ensino, especialmente na formação em Enfermagem e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS A elaboração desta pesquisa permitiu compreender que a docência em Enfermagem é uma atividade de alta complexidade, na qual o profissional transita entre a prática clínica e as exigências do ambiente acadêmico. As evidências literárias consultadas e a estruturação metodológica proposta reforçam a hipótese de que o ambiente universitário pode atuar como um cenário de adoecimento mental caso não existam mecanismos de suporte e autocuidado. Espera-se que este estudo evidencie a necessidade de espaços de escuta e suporte institucional, funcionando como um subsídio para a implementação de estratégias de autocuidado e políticas de promoção à saúde mental. Ao cuidar de quem educa, fortalece-se não apenas o bem-estar do docente, mas garante-se a preservação da empatia e da qualidade ética na formação dos futuros profissionais que atuarão no Sistema Único de Saúde (SUS). REFERÊNCIAS Leite, Andréa Pantoja; Vale, Maurício de Araújo; Pinto, Ricardo Lima; Lima, Wanderlei de Carvalho; Moraes, Carlos Herbert Sousa de. Transtornos mentais comuns em professores universitários do curso de enfermagem. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 26, n. 1, e22669, 2026. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/22669 Pereira, Luciana C.; Almeida, Marcos V.; Souza, Fernanda R.; Martins, Paulo H. O adoecimento psíquico de professores e estratégias para a saúde mental no ambiente de trabalho. Revista Foco, v. 18, n. 12, p. e057, 2025. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/10882/7662 Pinho, Paloma de Sousa et al. Estresse ocupacional, saúde mental e gênero entre docentes do ensino superior: revisão integrativa. Saúde e Sociedade, v. 32, p. e210604pt, 2024. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/sausoc/2023.v32n4/e210604pt/ Silva, Jerto Cardoso da et al. Saúde mental, adoecimento e trabalho docente. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p. e242262, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pee/a/pnKjTfs7s9VrzJGMhTsMPSG/?format=html&lang=pt Silva, Bruna Rodrigues da; Lima, Carlos A.; Rocha, Daniela M.; Mendes, João P. Prevalência de ansiedade, depressão e estresse em docentes de ensino superior na pandemia da COVID-19. Revista Baiana de Enfermagem, v. 38, p. e45678, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/8DKtKHH8xFrMjSjTr7X93Lt/?lang=pt
Título do Evento
I CONGRESSO DE ENFERMAGEM DO UNINTA ITAPIPOCA - ICOENF
Cidade do Evento
Itapipoca
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TEIXEIRA, Alana Lopes; LIMA, Israel Coutinho Sampaio. O ESTRESSE OCUPACIONAL NA DOCÊNCIA EM ENFERMAGEM: DETERMINANTES E IMPLICAÇÕES.. In: Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca. Anais...Itapipoca(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1561724-O-ESTRESSE-OCUPACIONAL-NA-DOCENCIA-EM-ENFERMAGEM--DETERMINANTES-E-IMPLICACOES. Acesso em: 01/11/2026

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