RELAÇÃO ENTRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SINTOMAS DA MENOPAUSA EM MULHERES DE UMA CIDADE DO INTERIOR DO CEARÁ

Publicado em 21/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2604-8

Título do Trabalho
RELAÇÃO ENTRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SINTOMAS DA MENOPAUSA EM MULHERES DE UMA CIDADE DO INTERIOR DO CEARÁ
Autores
  • Carlos Vitor Sales De Sousa
  • Glícia Mesquita Martiniano Mendonça
  • Antonio Rodrigues Ferreira Júnior
  • Adriano da Costa Belarmino
  • Terená Juliana Maros de Oliveira
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
TEMAS LIVRES: A submissão de temas livres abrange uma ampla diversidade de abordagens, incluindo estudos clínicos, relatos de experiência, revisões de literatura e pesquisas experimentais, contemplando diferentes áreas da enfermagem, como atenção básica, urgência e emergência, saúde coletiva, gestão em saúde, enfermagem hospitalar, saúde mental, entre outras. Além de estudos envolvendo relatórios técnicos, culturais e de extensão universitária.
Data de Publicação
21/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1559373-relacao-entre-mudancas-climaticas-e-sintomas-da-menopausa-em-mulheres-de-uma-cidade-do-interior-do-ceara
ISBN
978-65-272-2604-8
Palavras-Chave
Mudanças Climáticas, Menopausa, Saúde da Mulhre
Resumo
INTRODUÇÃO: As mudanças climáticas têm se consolidado como uma das principais ameaças à saúde pública no século XXI, devido à intensificação de fenômenos como o aquecimento global, o aumento das temperaturas extremas, secas prolongadas, enchentes e eventos climáticos intensos. Essas alterações ambientais exercem efeitos diretos e indiretos sobre a saúde humana, influenciando desde agravos agudos até condições crônicas, além de comprometerem o bem-estar e a qualidade de vida das populações (Pinto; Ferreira, 2024). Os impactos das mudanças climáticas não ocorrem de forma homogênea, atingindo de maneira mais expressiva grupos populacionais em situação de vulnerabilidade. Fatores socioeconômicos, ambientais e estruturais influenciam a capacidade de adaptação dos indivíduos, tornando mais suscetíveis aqueles que vivem em regiões menos desenvolvidas, bem como idosos, crianças e gestantes (Pinto; Ferreira, 2024). No âmbito da saúde da mulher, observa-se que as mudanças climáticas podem acentuar vulnerabilidades já existentes, especialmente em cenários marcados por desigualdade de gênero. Em muitas realidades, as mulheres estão mais expostas a fatores ambientais adversos, seja pelo desempenho de atividades laborais como agricultura e pecuária, seja pela sobrecarga de responsabilidades domésticas. (Van Daalen et al., 2020). Essas condições tornam a saúde da mulher particularmente sensível às alterações ambientais, uma vez que fatores biológicos, sociais e culturais interagem e potencializam riscos. Nesse sentido, eventos climáticos extremos podem agravar condições de saúde já existentes e contribuindo para o aumento de problemas na saúde (Alvero; Ruben, 2024). Dentre as especificidades da saúde feminina, destaca-se a menopausa, fase caracterizada pela interrupção definitiva da menstruação, geralmente entre os 48 e 50 anos. Esse período é marcado por alterações hormonais que podem desencadear sintomas físicos e emocionais, como ondas de calor, distúrbios do sono, irritabilidade e alterações de humor, interferindo significativamente na qualidade de vida das mulheres (Andrade et al., 2024). Estudos apontam que fatores ambientais associados às mudanças climáticas, como o aumento das temperaturas e a poluição atmosférica, podem intensificar os sintomas do climatério, especialmente os vasomotores. O calor excessivo pode agravar a sensação térmica e aumentar a frequência das ondas de calor, enquanto a poluição pode estar relacionada a alterações no período da menopausa e ao agravamento de condições metabólicas e cardiovasculares (Cucinella et al., 2023). Diante desse cenário, torna-se essencial ampliar as discussões sobre a relação entre mudanças climáticas e saúde da mulher, especialmente no contexto da menopausa. Apesar da relevância do tema, ainda são escassos estudos que abordem essa interface em contextos locais, como municípios do interior brasileiro, o que reforça a importância de investigações que contribuam para a compreensão dessa problemática e para o desenvolvimento de estratégias de cuidado mais direcionadas (OPAS, 2009). OBJETIVO: Identificar a relação dos impactos das mudanças climáticas na saúde de mulheres na menopausa. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de campo, de caráter descritivo, com abordagem qualitativa, realizado no período de setembro de 2025 a abril de 2026, no município de Itapipoca, Ceará, Brasil. A pesquisa foi desenvolvida em áreas vinculadas às Unidades Básicas de Saúde, contemplando diferentes regiões climáticas do município, incluindo a Serra, Praia e Sertão, com o intuito de compreender os impactos das mudanças climáticas na saúde de mulheres no período da menopausa. Participaram do estudo 20 mulheres residentes do município, vinculadas aos serviços de saúde da atenção básica e em período da menopausa. A seleção das participantes buscou contemplar mulheres de diferentes regiões climáticas do município, especialmente aquelas mais expostas às variações ambientais. Como critérios de inclusão, consideraram-se mulheres com idade entre 40 e 60 anos, residentes no município e usuárias dos serviços de saúde. Foram excluídas aquelas que se recusaram a participar ou que apresentaram condições de saúde que inviabilizassem sua participação. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, utilizando um questionário semiestruturado previamente elaborado e impresso, composto por 21 questões. O instrumento contemplou a caracterização sociodemográfica das participantes e aspectos relacionados às repercussões das mudanças climáticas nos sintomas da menopausa. As entrevistas foram realizadas em ambiente reservado, com linguagem acessível, visando garantir a compreensão das participantes. As entrevistas foram gravadas em dispositivo digital, mediante autorização das participantes, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Posteriormente, foram transcritas com auxílio de ferramenta de inteligência artificial. A análise dos dados ocorreu por meio da interpretação das narrativas, buscando identificar padrões e compreender a relação entre os fatores climáticos e os sintomas da menopausa. Essa pesquisa trata-se de um recorte de um projeto de conclusão de curso (TCC) que foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário INTA (UNINTA), sob parecer nº 7.937.023, respeitando os princípios éticos conforme as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO: A partir das entrevistas individuais realizadas com 20 mulheres, foi conduzida uma análise sociodemográfica com o objetivo de aprofundar a compreensão do perfil das participantes incluídas no estudo. A (Figura 1) mostra a distribuição das participantes nos biomas sertão, praia e serra, seguida do perfil sociodemográfico das participantes juntamente com a porcentagem de mulheres na menopausa (Figura 2). Figura 1. Distribuição Geográfica das participantes nos biomas: Sertão, Praia e Serra. Observou-se predominância de mulheres residentes na região do sertão, correspondendo a 50%, seguidas por 30% da região litorânea e 20% da serra. Destaca-se como um aspecto relevante do estudo a maior participação de mulheres do sertão, região caracterizada por clima semiárido e elevadas temperaturas, o que favorece a análise dos impactos do clima na saúde. Figura 2. Características sociodemográficas das participantes do estudo e mulheres no período da menopausa. Em relação à raça/cor, a maioria das mulheres se autodeclarou parda 75%, seguida por 15% que se declararam pretas e 10% brancas. Quanto ao estado civil, houve predominância de mulheres solteiras, correspondendo a 80% das entrevistadas. No que se refere à faixa etária, identificou-se que 90% das participantes tinham entre 21 e 58 anos, enquanto 10% apresentavam idade superior a 60 anos. Em relação à escolaridade, 55% haviam concluído o ensino médio, 25% o ensino fundamental e 20% o ensino superior. Ademais, durante a coleta de informações, identificou-se que 40% das participantes encontravam-se no período da menopausa, constituindo o subgrupo de interesse para análise dos resultados relacionados a essa condição. As participantes relataram, de forma recorrente, a percepção de intensificação do calor e sua associação com maior frequência de ondas de calor, fadiga e desconforto físico, evidenciando impacto direto no bem-estar e nas atividades diárias. A análise das narrativas revelou uma categoria central relacionada à influência do calor na intensificação dos sintomas menopausa, demonstrando que, apesar das diferentes realidades, houve um padrão comum de piora dos sintomas em períodos de altas temperaturas. Esse achado pode ser compreendido à luz da literatura, que aponta que, durante a menopausa, há maior instabilidade dos mecanismos de termorregulação devido à redução dos níveis de estrogênio, tornando as mulheres mais sensíveis às variações térmicas do ambiente (Andrade et al., 2024). Nesse sentido, conforme descrito por Cucinella et al. (2023), o aumento das temperaturas médias e a maior exposição ao calor podem atuar como fatores desencadeantes ou intensificadores dos sintomas vasomotores, como fogachos e suores noturnos. Essa relação ajuda a explicar os achados deste estudo, nos quais o calor ambiental foi percebido não apenas como desconforto, mas como elemento que potencializa respostas fisiológicas já alteradas no período da menopausa. Vale ressaltar ainda, que no estudo de Cucinella et al. (2023) aponta que a elevação da temperatura pode impactar negativamente o sono, a disposição e a qualidade de vida, o que também foi observado nas falas das participantes, que relataram limitações no cotidiano e necessidade de adaptações constantes para lidar com o desconforto térmico. Desse modo, tal cenário evidencia que os efeitos das mudanças climáticas não se restringem ao aspecto ambiental, mas interagem diretamente com condições biológicas específicas, ampliando vulnerabilidades já existentes na saúde da mulher. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo evidenciou que as mudanças climáticas, especialmente o aumento das temperaturas, exercem influência direta na intensificação dos sintomas da menopausa entre as mulheres participantes. Todas aquelas que se encontravam nesse período relataram agravamento de manifestações como ondas de calor, fadiga, desconforto físico e prejuízos no sono, destacando o calor como um fator desencadeante relevante no cotidiano. Esses resultados reforçam a relação entre ambiente e saúde, mostrando que as alterações climáticas não atuam de forma isolada, mas potencializam condições fisiológicas já sensíveis, impactando negativamente a qualidade de vida dessas mulheres. Diante desse cenário, observou-se uma importante lacuna na literatura no que diz respeito à interface entre mudanças climáticas e saúde da mulher, especialmente no contexto da menopausa e em cenários locais do interior brasileiro. Nesse sentido, reforça-se a importância de investigações sobre o tema, bem como incorporar essa discussão na prática dos serviços de saúde.
Título do Evento
I CONGRESSO DE ENFERMAGEM DO UNINTA ITAPIPOCA - ICOENF
Cidade do Evento
Itapipoca
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Carlos Vitor Sales De et al.. RELAÇÃO ENTRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SINTOMAS DA MENOPAUSA EM MULHERES DE UMA CIDADE DO INTERIOR DO CEARÁ.. In: Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca. Anais...Itapipoca(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1559373-RELACAO-ENTRE-MUDANCAS-CLIMATICAS-E-SINTOMAS-DA-MENOPAUSA-EM-MULHERES-DE-UMA-CIDADE-DO-INTERIOR-DO-CEARA. Acesso em: 27/10/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes