VALIDAÇÃO DE UMA CARTILHA EDUCATIVA PARA CUIDADOS PALIATIVOS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL

Publicado em 21/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2604-8

Título do Trabalho
VALIDAÇÃO DE UMA CARTILHA EDUCATIVA PARA CUIDADOS PALIATIVOS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL
Autores
  • Sávio Selton de Castro Mesquita
  • Keila Martins
  • Crisonele Marques Carneiro
  • Líllian David Sousa
  • Vanessa Cavalcante Colares De Freitas
  • Antônia Siomara Rodrigues Silva
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
INOVAÇÃO, EMPREENDEDORISMO E ENFERMAGEM: integra a aplicação de novas ideias, métodos ou tecnologias (Inovação) à capacidade de criar e gerir soluções de valor (Empreendedorismo) dentro do campo da Enfermagem. A inovação pode ocorrer no processo de cuidado, desenvolvendo protocolos mais eficazes, ou em produtos e serviços, como aplicativos de saúde ou dispositivos assistivos. O empreendedorismo em Enfermagem transforma essas inovações em negócios sustentáveis ou novas práticas assistenciais, visando solucionar problemas de saúde e otimizar a gestão nos setores privado e público. Isso capacita o enfermeiro a atuar além do ambiente hospitalar tradicional, criando clínicas especializadas, consultórios de enfermagem ou startups de saúde, contribuindo para a expansão do mercado e para a melhoria do acesso e da qualidade da saúde.
Data de Publicação
21/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1555680-validacao-de-uma-cartilha-educativa-para-cuidados-paliativos-em-uma-unidade-de-terapia-intensiva-neonatal
ISBN
978-65-272-2604-8
Palavras-Chave
Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, Cuidados Paliativos, Equipe de Enfermagem
Resumo
Introdução: O cuidado ao ser humano constitui a essência da enfermagem desde seus primórdios, sendo uma prática voltada à promoção, recuperação e manutenção da vida (ALVES, FRANÇA, MELO; 2018). No entanto, no exercício profissional, os enfermeiros também se deparam com situações de morte, exigindo não apenas habilidades técnicas, mas também preparo emocional e compreensão da morte como parte natural do ciclo da vida (SALES, et al 2009). Esse contexto torna-se ainda mais delicado quando envolve o período neonatal, em que a perda de um recém-nascido representa uma ruptura significativa do processo esperado da vida, trazendo sofrimento intenso para familiares e profissionais de saúde (SILVA, et al 2017). Nesse cenário, destacam-se os cuidados paliativos, cuja origem remonta aos antigos “hospices”, instituições mantidas por organizações religiosas que ofereciam acolhimento a doentes e viajantes (HERMES, LAMARCA; 2013). O conceito moderno de cuidados paliativos foi consolidado a partir do movimento iniciado por Cecily Saunders, em 1967, na Inglaterra, ao propor uma abordagem que prioriza não apenas o alívio do sofrimento no fim da vida, mas também a valorização da vida até o seu último momento (NICKEL, 2016). Posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, em 1990, os cuidados paliativos como uma abordagem voltada à melhoria da qualidade de vida de pacientes com doenças ameaçadoras da vida e de seus familiares (WHO, 1990). Em 2002, essa definição foi ampliada, enfatizando a prevenção e o alívio do sofrimento em suas múltiplas dimensões: física, psicológica, social e espiritual. No Brasil, a implementação dos cuidados paliativos no sistema de saúde ganhou impulso com a criação do Programa Nacional de Assistência à Dor e Cuidados Paliativos, por meio da Portaria nº 19 de 2002. Essa iniciativa buscou estruturar diretrizes que possibilitem uma assistência adequada a pacientes fora de possibilidades terapêuticas curativas, incluindo o contexto neonatal (BRASIL, 2002). No âmbito da prática em saúde, destaca-se a utilização de tecnologias como ferramentas de apoio ao cuidado. Segundo Merhy (1997) essas tecnologias podem ser classificadas em três tipos: tecnologias duras (equipamentos e estruturas organizacionais), tecnologias leve-duras (saberes técnicos e científicos) e tecnologias leves (relações, comunicação e vínculo). Nos cuidados paliativos, as tecnologias leves assumem papel central, pois promovem a humanização do cuidado e fortalecem as relações entre profissionais, pacientes e familiares. Objetivo: validar uma cartilha educativa sobre cuidados paliativos direcionada aos profissionais de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de um hospital de referência no norte do Ceará. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa metodológica, descritiva, com abordagem qualitativa, voltada à avaliação da qualidade e aplicabilidade de um instrumento educativo. O estudo foi realizado na Santa Casa de Misericórdia de Sobral, instituição de referência em saúde que atende casos de alta complexidade. A pesquisa contou com a participação de 25 profissionais de saúde, divididos em três grupos: juízes de conteúdo (especialistas na área), juízes técnicos (enfermeiros assistenciais) e juízes de design e marketing. A seleção desses participantes seguiu critérios específicos de experiência e qualificação, garantindo a confiabilidade do processo avaliativo. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários enviados eletronicamente, utilizando a técnica Delphi, que permite a obtenção de consenso entre especialistas por meio de rodadas de avaliação. Os instrumentos analisaram diferentes domínios da cartilha, incluindo objetivos, conteúdo, funcionalidade, usabilidade, linguagem, organização, ilustrações e motivação. A presente pesquisa foi submetida à Comissão Científica da Santa Casa e depois encaminhada ao Comitê de Ética e Pesquisa da referida instituição sobre o CAAE 38897620.0.0000.8109, onde recebeu parecer favorável sob o N 4.379.023. A pesquisa respeitou os princípios bio éticos preconizados pela Resolução 466/12, de 12 de Dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde, sendo adotados os quatro princípios da bioética: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça (BRASIL, 2012). Resultados e Discussões: De modo geral, a cartilha foi bem avaliada pelos participantes, com predominância de respostas classificadas como “adequado” e “muito adequado” em todos os domínios analisados. No domínio dos objetivos, a maioria dos juízes considerou que a cartilha apresenta coerência com a prática de enfermagem e com os propósitos da pesquisa. No entanto, foram sugeridas melhorias quanto à especificidade do conteúdo voltado para a enfermagem neonatal. No domínio do conteúdo, observou-se que as informações são claras, corretas e compatíveis com o nível de conhecimento dos profissionais. Ainda assim, os avaliadores apontaram a necessidade de maior aprofundamento em aspectos específicos, como manejo da dor, espiritualidade e cuidados direcionados ao contexto da UTIN. Também foi sugerido o uso de linguagem mais objetiva e a inclusão de evidências científicas que fortaleçam o material. Quanto à funcionalidade, a cartilha foi considerada capaz de contribuir positivamente para a prática dos cuidados paliativos, embora alguns participantes tenham destacado a importância de incluir exemplos práticos e orientações mais específicas para o manejo clínico. Já no domínio da usabilidade, a maioria dos juízes avaliou a cartilha como de fácil compreensão e aplicação, mas ressaltou a necessidade de reduzir o volume de texto e tornar o material mais dinâmico e atrativo. No que se refere à linguagem, os resultados indicaram boa aceitação, com destaque para a clareza e facilidade de entendimento das informações. O domínio da motivação também apresentou resultados positivos, demonstrando que o material desperta interesse e estimula a reflexão sobre os cuidados paliativos na neonatologia. A avaliação realizada pelos profissionais de design e marketing reforçou a adequação da organização visual da cartilha, bem como a qualidade das ilustrações. Ainda assim, foram sugeridas melhorias na atratividade visual e na utilização de recursos gráficos que facilitem a compreensão do conteúdo. As discussões do estudo ressaltam a importância da validação de tecnologias educativas como estratégia para qualificar a assistência em saúde. A participação de especialistas de diferentes áreas contribui para a construção de materiais mais completos, seguros e alinhados às necessidades da prática profissional. Além disso, destaca-se a relevância da educação permanente como ferramenta essencial para a implementação efetiva dessas tecnologias nos serviços de saúde. Outro ponto importante refere-se à necessidade de humanização do cuidado em situações de fim de vida, especialmente no contexto neonatal. Os cuidados paliativos não devem ser compreendidos apenas como assistência no momento da morte, mas como uma abordagem integral que busca promover conforto, dignidade e qualidade de vida ao paciente e sua família desde o diagnóstico de uma condição ameaçadora da vida. O estudo também evidencia desafios relacionados à escassez de literatura nacional sobre cuidados paliativos em neonatologia, indicando a necessidade de maior investimento em pesquisas nessa área. Além disso, reforça a importância da atuação multiprofissional, uma vez que o cuidado paliativo envolve dimensões complexas que vão além do aspecto clínico. Considerações Finais: Conclui-se que a cartilha educativa validada apresenta-se como uma ferramenta relevante para a prática dos cuidados paliativos na UTIN, contribuindo para a qualificação da assistência prestada aos recém-nascidos e suas famílias. A incorporação das sugestões dos avaliadores permitirá aprimorar ainda mais o material, tornando-o mais específico, objetivo e aplicável à realidade dos serviços de saúde. Por fim, destaca-se que a implementação de tecnologias educativas, aliada à capacitação contínua dos profissionais, pode promover mudanças significativas na prática assistencial, favorecendo um cuidado mais humanizado, seguro e eficaz. Espera-se que este estudo contribua para o fortalecimento dos cuidados paliativos na neonatologia e incentive o desenvolvimento de novas pesquisas e estratégias voltadas à melhoria da qualidade de vida dos pacientes em fase terminal e de seus familiares. Referências: ALVES, A.M.; FRANÇA, M.L.R.; MELO, A.K. Entre o nascer e o morrer: cuidados paliativos na experiência dos profissionais de saúde. Rev Bras Promoç Saúde. v. 31, n. 1, p. 1-10, 2018. SALES, S. A. et al . Cuidados paliativos: relato de experiência de sua aplicabilidade em um projeto de extensão. Cienc Cuid Saude. v.8, p.125-129, 2009. SILVA, I.N. et al. Conhecendo as práticas de cuidado da equipe de enfermagem em relação ao cuidado na situação de final de vida de recém-nascidos. Esc Anna Nery. v.21, n. 4, p. 1-8, 2017. WHO. World Health Organization. Cancer Pain Relief and Palliative Care: Report of a WHO Expert Committee. Geneva, Switzerland: World Health Organization; 1990 BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. RESOLUÇÃO No 466, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
Título do Evento
I CONGRESSO DE ENFERMAGEM DO UNINTA ITAPIPOCA - ICOENF
Cidade do Evento
Itapipoca
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MESQUITA, Sávio Selton de Castro et al.. VALIDAÇÃO DE UMA CARTILHA EDUCATIVA PARA CUIDADOS PALIATIVOS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL.. In: Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca. Anais...Itapipoca(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1555680-VALIDACAO-DE-UMA-CARTILHA-EDUCATIVA-PARA-CUIDADOS-PALIATIVOS-EM-UMA-UNIDADE-DE-TERAPIA-INTENSIVA-NEONATAL. Acesso em: 24/10/2026

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