O COMPORTAMENTO SUICIDA E DE LESÕES AUTOPROVOCADAS EM ADOLESCENTES: UMA ESTUDO SOBRE EVIDÊNCIAS PUBLICADAS NO BRASIL

Publicado em 21/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2604-8

Título do Trabalho
O COMPORTAMENTO SUICIDA E DE LESÕES AUTOPROVOCADAS EM ADOLESCENTES: UMA ESTUDO SOBRE EVIDÊNCIAS PUBLICADAS NO BRASIL
Autores
  • Samilli Nayra Silva Vasconcelos
  • Israel Coutinho Sampaio Lima
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
TEMAS LIVRES: A submissão de temas livres abrange uma ampla diversidade de abordagens, incluindo estudos clínicos, relatos de experiência, revisões de literatura e pesquisas experimentais, contemplando diferentes áreas da enfermagem, como atenção básica, urgência e emergência, saúde coletiva, gestão em saúde, enfermagem hospitalar, saúde mental, entre outras. Além de estudos envolvendo relatórios técnicos, culturais e de extensão universitária.
Data de Publicação
21/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1552077-o-comportamento-suicida-e-de-lesoes-autoprovocadas-em-adolescentes--uma-estudo-sobre-evidencias-publicadas-no-br
ISBN
978-65-272-2604-8
Palavras-Chave
Saúde Mental; Comportamento Autodestrutivo; Saúde do Adolescente.
Resumo
INTRODUÇÃO O comportamento suicida é compreendido como um fenômeno complexo que abrange desde a ideação e o planeamento até à tentativa e o ato consumado. Este comportamento está frequentemente associado a quadros de depressão, sentimentos de solidão e conflitos familiares. Para crianças e adolescentes, este fenómeno manifesta-se de formas variadas, sendo que a "intenção suicida, pensamento de morte, ideação suicida, plano suicida, tentativa de suicídio" são expressões distintas de um mesmo sofrimento que exige atenção especializada (Reis, Teixeira & Viana, 2024). No que concerne à lesão autoprovocada, esta define-se como um ato de violência contra si mesmo, podendo ou não ter intenção letal consciente. Avanci, Assis e Pinto (2021) destacam que as autolesões são indicadores críticos de vulnerabilidade, muitas vezes servindo como um mecanismo disfuncional para lidar com um "sofrimento mental insuportável". A lesão autoprovocada consiste em um tipo de agressão contra si mesmo que está intrinsecamente relacionada às tentativas de suicídio, funcionando como um importante preditor de comportamentos de risco futuro. Oliveira et al. (2024), sinaliza que a variação dos índices de lesões entre adolescentes revela a necessidade de compreender as particularidades regionais para a formulação de estratégias de prevenção eficazes. Estudar esta temática é urgente, pois a adolescência é uma fase de transição marcada por transformações que, sem o devido suporte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), podem culminar em desfechos trágicos. Diante do conteúdo exposto, este estudo busca responder a seguinte questão norteadora: quais são as evidências científicas já publicadas no Brasil, que apresentam a forma sobre o comportamento suicida e de lesões autoprovocadas em adolescentes? OBJETIVO GERAL Contextualizar o comportamento suicida e as lesões autoprovocadas em adolescentes, no contexto brasileiro. MÉTODO Trata-se de um estudo do tipo revisão de literatura narrativa, com abordagem qualitativa. Segundo Ogassavara et al., (2025), este tipo de método busca o desenvolvimento descritivo e interpretativo do fenômeno investigado, com base em arcabouço literário disponível, na forma de delineamento experimental teórico simples. O mesmo pode seguir a seguinte estrutura proposta por Ogassavara et al., (2025), onde os autores dividem o processo em três etapas: primeira etapa - estruturação e planejamento; segunda etapa - leitura e análise dos materiais; e, a última fase descrita como relato e síntese dos conteúdos. Foram selecionados artigos que os autores julgaram ser relevantes e atuais para a discussão do tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos através da análise dos artigos revelam que o comportamento suicida e as lesões autoprovocadas em adolescentes no Brasil apresentam uma tendência de crescimento sustentado. De acordo com Avanci, Assis e Pinto (2021), houve um aumento significativo nas notificações de autolesões na última década, o que pode ser atribuído tanto ao aumento real dos casos quanto à melhoria nos sistemas de vigilância epidemiológica. Este aumento é particularmente visível na faixa etária dos 10 aos 19 anos, onde a vulnerabilidade psicossocial e a impulsividade características da fase potencializam o risco. No que diz respeito ao perfil e fatores associados, a ideação suicida está fortemente correlacionada com transtornos mentais, especialmente a depressão e fatores contextuais como o uso de substâncias e a violência intrafamiliar. Reis, Teixeira e Viana (2024) observaram na sua investigação em serviços de saúde mental (CAPSi) que a maioria dos adolescentes que chega ao serviço com histórico de tentativa de suicídio, já apresentava episódios prévios de autolesão sem intenção letal, sugerindo que o manejo precoce da lesão autoprovocada, como sendo a estratégia mais eficaz para evitar o desfecho fatal. A variação regional desses índices também é um ponto de destaque nos resultados. Oliveira et al. (2024) demonstram que estados das regiões Sul e Sudeste apresentam volumes maiores de notificação, porém, as regiões Norte e Nordeste têm demonstrado um crescimento percentual mais acelerado nos últimos anos. Esta disparidade sugere que as desigualdades socioeconómicas e o acesso limitado à Rede de Atenção Psicossocial influenciam diretamente a forma como o fenómeno se manifesta e é registado no território brasileiro. Na discussão destes achados, percebe-se que o comportamento suicida não pode ser visto como um evento isolado, mas como o ápice de uma série de sofrimentos não mediados. A literatura analisada converge para a ideia de que a escola e a atenção primária à saúde, são os locais privilegiados para a identificação precoce. Contudo, como apontado por Pimenta et al. (2024), ainda existe um despreparo significativo dos profissionais de saúde em lidar com o tabu do suicídio, o que muitas vezes resulta em acolhimentos frágeis que não interrompem o ciclo da violência autoprovocada. Portanto, os resultados reforçam a urgência de políticas de prevenção que considerem a subjetividade do adolescente e a capacitação contínua das redes de apoio. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise das evidências científicas publicadas no Brasil demonstra que o comportamento suicida e as lesões autoprovocadas em adolescentes constituem um desafio crescente e urgente para a saúde coletiva nacional. Este estudo permitiu constatar que tais fenômenos não são eventos isolados, mas sim o resultado de uma complexa interação entre fatores psicopatológicos, como a depressão, e determinantes sociais, incluindo a violência familiar e as dificuldades de relacionamento. Ficou evidente que a lesão autoprovocada atua como um sinalizador crítico de sofrimento psíquico, muitas vezes precedendo a ideação e a tentativa de suicídio. A literatura reforça que a identificação precoce desses sinais, seja no ambiente escolar ou na Atenção Primária à Saúde, é determinante para a eficácia das estratégias de prevenção. Contudo, observou-se que ainda persiste uma lacuna significativa na formação dos profissionais de saúde, que frequentemente enfrentam dificuldades no manejo clínico e no acolhimento de adolescentes em crise, evidenciando a necessidade de capacitação contínua e da desestigmatização do tema. Por fim, ressalta-se a importância do fortalecimento da RAPS e da implementação de políticas públicas que considerem as disparidades regionais brasileiras. Este trabalho contribui para o campo científico ao sintetizar achados que apontam para a necessidade de abordagens multidisciplinares e intersetoriais. Como recomendação para estudos futuros, sugere-se a investigação do impacto das redes sociais e do ambiente digital no comportamento autodestrutivo dos jovens, visando a construção de estratégias de cuidado mais adaptadas à realidade contemporânea da adolescência. REFERÊNCIAS AVANCI, J. Q.; PINTO, L. W.; ASSIS, S. G. DE .. Notificações, internações e mortes por lesões autoprovocadas em crianças nos sistemas nacionais de saúde do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p. 4895–4908, out. 2021. Ogassavara, D. et al., Trilhas metodológicas para a revisão narrativa: orientações pragmáticas para sua elaboração. Ensino & Pesquisa, União da Vitória, v. 23, n.03, p. 308-318, ago./dez., 2025. DOI: https://doi.org/10.33871/23594381.2025.23.3.10317 OLIVEIRA, Clara Renata Monteiro de; MENEGUETTI, Gabriela Ricci; LESSA, Carolina de Oliveira; FERNANDES, Erick da Silva; SIERRA, Caroline Vargas. Estudo da variação dos índices de lesões autoprovocadas por estado brasileiro – 2017 a 2022. BEPA. Boletim Epidemiológico Paulista , São Paulo, v. 21, p. e40495, 2024. DOI: 10.57148/bepa.2024.v.21.40945. PIMENTA, Luzia Fernanda de Andrade et al. Prevenção ao suicídio na Atenção Primária, na percepção de profissionais de saúde. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 22, 2024. REIS, Andreza de Jesus; TEIXEIRA, Bethania Serrão Peres; VIANA, Dayse Cristina Pereira. Manejo do comportamento suicida de crianças e adolescentes: percepção dos profissionais da saúde mental infantojuvenil de um CAPSi do Distrito Federal. Health Residencies Journal (HRJ), Brasília, v. 5, n. 24, p. 77-87, jan./jun. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.51723/hrj.v5i24.887.
Título do Evento
I CONGRESSO DE ENFERMAGEM DO UNINTA ITAPIPOCA - ICOENF
Cidade do Evento
Itapipoca
Título dos Anais do Evento
Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VASCONCELOS, Samilli Nayra Silva; LIMA, Israel Coutinho Sampaio. O COMPORTAMENTO SUICIDA E DE LESÕES AUTOPROVOCADAS EM ADOLESCENTES: UMA ESTUDO SOBRE EVIDÊNCIAS PUBLICADAS NO BRASIL.. In: Anais do I Congresso de Enfermagem do UNINTA, Campus Itapipoca. Anais...Itapipoca(CE) UNINTA, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-congresso-de-enfermagem-do-uninta-itapipoca-icoenf-698097/1552077-O-COMPORTAMENTO-SUICIDA-E-DE-LESOES-AUTOPROVOCADAS-EM-ADOLESCENTES--UMA-ESTUDO-SOBRE-EVIDENCIAS-PUBLICADAS-NO-BR. Acesso em: 21/10/2026

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