EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM SAÚDE METABÓLICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA APAE

Publicado em 06/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2556-0

Título do Trabalho
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM SAÚDE METABÓLICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA APAE
Autores
  • Ravi Borges Vieira
  • Michaelle dos Santos Porto
  • NADJA FERREIRA RABELO DE MELO
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Ciências da saúde
Data de Publicação
06/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598657-extensao-universitaria-em-saude-metabolica-e-educacao-inclusiva-na-apae
ISBN
978-65-272-2556-0
Palavras-Chave
Inclusão. Obesidade. Diabetes mellitus. Prevenção. Saúde.
Resumo
INTRODUÇÃO A obesidade e o diabetes mellitus configuram-se como tipos de síndrome metabólica, por definição, a obesidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o acúmulo excessivo ou anormal de gordura corporal que pode trazer prejuízos à saúde. Por sua vez, o diabetes mellitus, segundo Brasil (2013, p. 19), o diabetes mellitus refere-se a um transtorno metabólico de etiologias heterogêneas, caracterizado por hiperglicemia e distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, resultantes de defeitos da secreção e/ou da ação da insulina. O quadro atual da saúde aponta que esses obstáculos tendem a crescer, revelando a importância do tema, em especial para os menos favorecidos. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) (2025, p. 10), cerca de 11% da população brasileira convive com a doença e supõe que em 2050 o número de diabéticos aumente para mais de 852,5 milhões de pessoas no mundo. Diante da complexidade dessas patologias, a Educação em Saúde inclusiva emerge como uma estratégia vital para a promoção do autocuidado. Nesse cenário, instituições como a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) servem como um local adequado para mediar a transposição desse conhecimento científico para alunos com deficiência, através de atividades extensionistas, garantindo que a informação em saúde seja acessível e funcional. A utilização de atividades adaptadas para o letramento em saúde faz-se necessária para uma melhor inclusão do público alvo. Segundo Santos et al. (2022, p. 419), para tanto, os processos de aprendizado e ensino devem ser adequados e dinâmicos, muitas vezes exigindo métodos inovadores. As tecnologias educacionais são ferramentas úteis e importantes a serem utilizadas no ensino que cerceiam o trabalho de profissionais de diversas áreas. Entretanto, atualmente é comum evidenciar o despreparo profissional diante das particularidades de cada aluno, este despreparo decorre principalmente de formações que carecem em unir a proposta educacional com a realidade da educação especial prática. (Graf, 2025 p. 870). Diante disso, emerge o seguinte questionamento: como podemos ensinar conceitos da bioquímica, por vezes abstratos e de difícil compreensão, ligados à obesidade e ao diabetes, para os integrantes da APAE? Este trabalho teve como objetivo investigar as percepções de alunos da APAE acerca da diabetes e da obesidade, utilizando atividades de pintura e tracejado como instrumentos de mediação pedagógica e de obtenção de dados qualitativos, no contexto de uma ação extensionista multidisciplinar. Fundamentação teórica Pessoas com deficiência intelectual apresentam prevalência elevada de sobrepeso, obesidade e diabetes mellitus tipo 2, condição associada não apenas a fatores fisiológicos, mas às barreiras historicamente impostas ao seu acesso à informação em saúde e à educação alimentar (RIMMER; YAMAKI, 2006). A diabetes mellitus tipo 2 resulta da insuficiência da ação insulínica, gerando hiperglicemia e distúrbios no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras; quando associada à obesidade, marcada pelo acúmulo de tecido adiposo visceral e resistência periférica à insulina, o risco de complicações metabólicas crônicas multiplica-se significativamente (GUYTON; HALL, 2017). Nesse cenário, a escolha de cultivares com menor índice glicêmico e o consumo de alimentos minimamente processados integram a produção agrícola ao equilíbrio bioquímico humano, tornando relevante a interface entre Biologia e Agronomia na promoção da saúde (FOSTER-POWELL; HOLT; BRAND-MILLER, 2002). A transmissão desse conhecimento ao público com deficiência intelectual, contudo, exige mediação pedagógica capaz de contornar a abstração conceitual. Piaget (2010) demonstrou a continuidade funcional entre o sensório-motor e o representativo, de modo que atividades de pintura e tracejado não se reduzem a exercícios motores, constituindo vias de expressão simbólica pelas quais o aluno manifesta sua compreensão de mundo. A grafomotricidade, compreendida como o conjunto de habilidades motoras finas envolvidas na produção gráfica, funciona simultaneamente como estímulo ao desenvolvimento neuropsicomotor e como canal de sondagem de conhecimentos prévios. O uso de reforço positivo ancora-se nos princípios do condicionamento operante (SKINNER, 2003), aumentando a probabilidade de engajamento continuado nas tarefas de aprendizagem. É por meio dessas estratégias combinadas que conceitos como índice glicêmico e alimentação saudável tornam-se acessíveis a esse público, convertendo uma desigualdade no acesso ao conhecimento em objeto de intervenção pedagógica situada. A extensão universitária constitui o espaço institucional adequado para essa intervenção. Respaldada pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei n.º 13.146/2015), que garante o direito à saúde e à educação inclusiva, e pela Política Nacional de Extensão Universitária, que define a extensão como mecanismo de interação transformadora entre universidade e sociedade voltada aos interesses da maioria da população (FORPROEX, 2012, p. 35), a ação extensionista em contextos de educação especial cumpre simultaneamente uma função social e uma função formativa, ao aproximar o graduando de realidades que a formação estritamente acadêmica raramente alcança. Metodologia Trata-se de um relato de experiência de abordagem qualitativa e caráter exploratório, desenvolvido no âmbito do projeto de extensão multidisciplinar "Prevenção Inclusiva" (Biologia e Agronomia/UESB), realizado na APAE de Vitória da Conquista (BA), com um grupo de jovens e adultos com deficiência intelectual e múltipla, totalizando nove participantes ao longo das etapas da ação. A intervenção organizou-se em três momentos: observação e aproximação inicial; aplicação de sondagem lúdica com folhetos de tracejado e pintura; e suporte individualizado à escrita dos nomes, com técnica de exemplo sobreposto quando necessário. Os dados foram obtidos por observação participante com registro em diário de campo, análise documental das produções artísticas e roda de conversa final para verificação da retenção de conceitos. Realizou-se ainda reunião reflexiva com os extensionistas para análise crítica da experiência. A análise qualitativa orientou-se por três critérios: (a) Reconhecimento Simbólico; (b) Coordenação e Intencionalidade; e (c) Retenção de Conceitos, verificada pelas falas e associações verbais dos participantes. A ação foi autorizada formalmente pela presidência e coordenação pedagógica da APAE. Em consonância com a Resolução CNS n.o 510/2016, art. 1.o, parágrafo único, inciso VIII, que dispensa de submissão ao CEP/CONEP atividades com propósito exclusivo de educação e ensino, respeitaram-se os princípios éticos de dignidade, autonomia e confidencialidade, sem identificação nominal dos participantes nos registros. Resultados e discussão Durante o tracejado, a habilidade motora fina variou consideravelmente entre os participantes; no entanto, independentemente da precisão do traço, a associação verbal com o tema saúde foi frequente. Alunos com maior dificuldade motora demonstraram, pela oralidade, compreensão da maçã como contraponto ao "ficar doente", referência indireta às condições metabólicas abordadas. A introdução do conceito de origem dos alimentos (eixo Agronomia) durante a pintura gerou reação positiva à conexão entre "plantar" e "não ter diabetes". O suporte pedagógico individualizado, incluindo a intervenção direta para guiar o traçado em casos de dificuldade motora severa, não invalidou a percepção do aluno, mas funcionou como mediador para a conclusão do raciocínio preventivo proposto. Esses achados corroboram a premissa piagetiana de continuidade funcional entre o sensório-motor e o representativo (PIAGET, 2010): o ato de traçar o contorno de uma fruta funcionou como mediador simbólico da abstração nutricional, permitindo que conceitos bioquímicos complexos fossem acessados por vias não verbais. O engajamento unânime ao reforço dos adesivos confirma os princípios do condicionamento operante (SKINNER, 2003): o estímulo reforçador aumentou a frequência de participação nas tarefas subsequentes, transformando o aprendizado em experiência afetiva e motivadora. A sinergia entre grafomotricidade, mediação individualizada e reforço positivo demonstra que a democratização do saber preventivo é viável quando as metodologias respeitam a singularidade cognitiva do sujeito, em consonância com a missão transformadora da extensão universitária (FORPROEX, 2012). Considerações finais O presente estudo investigou as percepções de jovens e adultos com deficiência intelectual e múltipla da APAE de Vitória da Conquista (BA) sobre a prevenção do diabetes mellitus e da obesidade, confirmando que atividades de pintura e tracejado constituem instrumentos eficazes de mediação pedagógica e sondagem de conhecimentos prévios em educação especial. A capacidade dos participantes de decodificar conceitos bioquímicos por associações visuais e orais, independentemente da precisão motora, sustenta a premissa de que o acesso ao saber preventivo é determinado pela adequação metodológica, não pela capacidade cognitiva abstrata do sujeito. Devido à natureza qualitativa e à amostra restrita de nove participantes, os resultados deste relato não permitem generalizações estatísticas. A ausência de parâmetros bioquímicos longitudinais e de um grupo controle constitui uma limitação metodológica, evidenciando a necessidade de estudos mais amplos para avaliar o impacto duradouro do projeto 'Prevenção Inclusiva'. O valor central deste trabalho reside no papel social da extensão universitária em democratizar o saber preventivo para grupos em vulnerabilidade. Ao atuar no contexto da APAE, o projeto estabelece um modelo de educação não-formal replicável, transformando o conhecimento acadêmico em uma ferramenta de inclusão e saúde pública. Palavras-chave: Inclusão. Obesidade. Diabetes mellitus. Prevenção. Saúde. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. FORPROEX. Política Nacional de Extensão Universitária. Manaus: FORPROEX, 2012. GUYTON, A.C.; HALL, J.E. Tratado de Fisiologia Médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. https://diabetes.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Dados-Epidemiologicos- SBD_2025_25junho25-1.pdf SANTOS, L. L. W. et al. Educação em saúde à pessoa com deficiência visual – experiência de acadêmicos apoiada nas classificações de enfermagem. REVISA, [S. l.], v. 11, n. 3, p. 417–434, 2022. Disponível em: https://rdcsa.emnuvens.com.br/revista/article/view/280. Acesso em: 25 maio 2026. GRAF, L. Formação de professores da educação especial: desafios contemporâneos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 869–876, 2025. DOI: 10.51891/rease.v11i2.18082. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/18082. Acesso em: 26 maio 2026. Foster-Powell, K., Holt, S. H., & Brand-Miller, J. C. (2002). International table of glycemic index and glycemic load values: 2002. The American journal of clinical nutrition, 76(1), 5–56. https://doi.org/10.1093/ajcn/76.1.5. SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
Título do Evento
I CONAGAC – Congresso Nacional Agregando Conhecimento - IMS-CAT-UFBA
Título dos Anais do Evento
Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VIEIRA, Ravi Borges; PORTO, Michaelle dos Santos; MELO, NADJA FERREIRA RABELO DE. EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM SAÚDE METABÓLICA E EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA APAE.. In: Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT. Anais...Vitória da Conquista(BA) UFBA - IMS - CAT, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598657-EXTENSAO-UNIVERSITARIA-EM-SAUDE-METABOLICA-E-EDUCACAO-INCLUSIVA-NA-APAE. Acesso em: 09/07/2026

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