MONITORIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZADO

Publicado em 06/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2556-0

Título do Trabalho
MONITORIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZADO
Autores
  • Esther Lima Viana
  • Emanuelle Souza Pires
  • Rita de Cássia Souza Alves
  • ISIS FERREIRA RABÊLO DE MELO AQUINO
  • NADJA FERREIRA RABELO DE MELO
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Educação
Data de Publicação
06/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598496-monitoria--relato-de-experiencia-como-estrategia-de-aprendizado
ISBN
978-65-272-2556-0
Palavras-Chave
monitoria acadêmica; ensino de bioquímica; prática laboratorial; formação docente; ensino superior.
Resumo
Esther Lima Viana Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) E-mail: 202511507@uesb.edu.br Emanuelle Souza Pires Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) E-mail: 202510631@uesb.br Rita de Cássia Souza Alves Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) E-mail: 202511725@uesb.edu.br Isis Ferreira Rabelo de Melo Aquino Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Departamento de Ciências Naturais, DCN E-mail: isisrabelo@uesb.edu.br Nadja Ferreira Rabelo de Melo (Orientadora) Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Departamento de Ciências Naturais, DCN E-mail: nadja.rabelo@uesb.edu.br Área Temática: Educação Resumo A monitoria acadêmica constitui uma modalidade de apoio pedagógico relevante no ensino superior, especialmente em disciplinas de natureza experimental. O presente trabalho é um relato de experiência que tem por objetivo sistematizar e refletir sobre a atuação de monitoras no laboratório de Bioquímica Metabólica (DCN0105) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), analisando as contribuições dessa prática tanto para o processo de ensino-aprendizagem dos graduandos do curso de Agronomia quanto para a formação técnica e pedagógica das próprias monitoras. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo e descritivo-reflexivo, desenvolvido durante o período letivo de 2026.1, com base na vivência acumulada no ambiente laboratorial e na reflexão coletiva entre monitoras e professora orientadora. As atividades desenvolvidas compreenderam o acompanhamento de aulas práticas, orientação de estudantes durante experimentos, auxílio no manuseio de equipamentos e mediação entre teoria e prática de bancada, sempre observando os protocolos de biossegurança. Os resultados evidenciam que a monitoria favoreceu o desenvolvimento de habilidades técnicas nos graduandos e contribuiu para a formação de competências pedagógicas nas monitoras, como comunicação, organização e didática. Conclui-se que a monitoria laboratorial se consolida como estratégia formativa indispensável, promovendo a integração entre ensino e extensão e fortalecendo o vínculo entre os estudantes e a cultura científica. 1 Introdução A monitoria acadêmica constitui uma modalidade de apoio pedagógico amplamente reconhecida no ensino superior brasileiro, caracterizada pela atuação de estudantes como mediadores entre os conteúdos disciplinares e seus pares em processo de formação (DE FREITAS; ALVES, 2020). No contexto das ciências biológicas, da saúde e agrárias, essa prática assume relevância particular nas disciplinas de natureza experimental, como a Bioquímica, nas quais a articulação entre teoria e prática laboratorial é determinante para a formação técnica e científica dos graduandos (FONTES et al., 2019). No Brasil, a monitoria acadêmica é regulamentada pela Lei n.º 5.540/1968 e reafirmada no contexto da curricularização da extensão pela Resolução CNE/CES n.º 7/2018, que orienta a integração entre ensino, pesquisa e extensão na formação universitária. Estudos recentes evidenciam que programas de monitoria contribuem significativamente para a aprendizagem ativa, o desenvolvimento de competências docentes e o fortalecimento do vínculo entre graduandos e a cultura científica (GONÇALVES et al., 2021; OLIVEIRA et al., 2020). Apesar da crescente valorização da monitoria no ensino superior, há escassez de relatos sistematizados sobre sua operacionalização em laboratórios de Bioquímica voltados a cursos como Agronomia, nos quais os estudantes frequentemente apresentam menor familiaridade com práticas experimentais de química e biologia molecular. Essa lacuna justifica a necessidade de registros reflexivos que documentem e analisem criticamente essa experiência formativa. Diante desse cenário, o presente relato é orientado pela seguinte questão: de que forma a atuação da monitoria de Bioquímica no suporte laboratorial contribui para o fortalecimento do ensino de graduação na UESB e para a formação técnica e pedagógica do próprio monitor? Com o objetivo de responder a essa questão, este trabalho relata e reflete sobre a experiência de monitoria em laboratório na UESB, analisando o papel do monitor no auxílio aos discentes da graduação nas aulas práticas. 2 Fundamentação teórica A monitoria acadêmica define-se como uma modalidade de apoio pedagógico que posiciona o estudante monitor como agente ativo no processo de ensino-aprendizagem, favorecendo simultaneamente o desenvolvimento de habilidades docentes no monitor e a consolidação de conteúdos pelos alunos atendidos (GONÇALVES et al., 2021), inserindo-se no contexto da curricularização da extensão universitária brasileira (BRASIL, 2018). Esse processo ultrapassa a ideia de domínio técnico da disciplina, pois reorganiza a relação do monitor com o saber, com os colegas e com sua própria identidade acadêmica e profissional (ALMEIDA, 2019). Ao assumir a responsabilidade de orientar outros estudantes, o monitor desenvolve maior autonomia, autorregulação e participação ativa no processo educativo, além de aprofundar continuamente os conhecimentos teóricos e práticos necessários ao exercício da função (KERCIA et al., 2023). A experiência também favorece o pensamento crítico, a capacidade de problematização e a segurança na resolução de demandas acadêmicas e práticas, repercutindo positivamente no desempenho e na maturidade intelectual (GALVÃO, 2025). Paralelamente, fortalece competências interpessoais, como comunicação, empatia, escuta ativa, liderança e trabalho colaborativo, contribuindo para relações de aprendizagem mais horizontais e acolhedoras (BARROS, 2025). Nesse contexto, a monitoria consolida-se como espaço de iniciação à docência e de construção identitária, permitindo que o estudante passe a compreender-se como facilitador da aprendizagem e multiplicador do conhecimento, ao mesmo tempo em que qualifica o ambiente educativo para todos os envolvidos (FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES E O TRABALHO DE MONITORIA, 2020). No ensino de Bioquímica, essa prática assume relevância particular no espaço laboratorial, compreendido como locus privilegiado de construção do conhecimento científico, no qual a experimentação promove o desenvolvimento do pensamento crítico e a interpretação de resultados (HOFSTEIN; LUNETTA, 2004). É nesse contexto que a formação docente do monitor se desenvolve: ao orientar colegas e mediar a relação entre teoria e prática, o monitor constrói competências pedagógicas fundamentais, comunicação, planejamento e reflexão sobre a própria prática, que integram a base da docência universitária (PIMENTA; LIMA, 2004; OLIVEIRA et al., 2020). Essa função de reelaborar o conhecimento técnico-científico em linguagem acessível ao graduando iniciante guarda aproximação com o conceito de divulgação científica de Bueno (2009), entendido como recodificação do saber especializado. Embora o público da monitoria seja acadêmico, e não leigo, o esforço de tornar o conteúdo bioquímico inteligível e aplicável aproxima funcionalmente essas duas práticas, configurando o que se pode denominar mediação pedagógica situada. A base do trabalho de monitoria é a experimentação. A experimentação no laboratório de Bioquímica segue a lógica de Hofstein e Lunetta (2004), focando no desenvolvimento do pensamento crítico. Ao acompanhar os alunos em testes como a reação de Biureto ou análises enzimáticas, o papel do monitor é estimular a entender as variáveis, os possíveis erros de pipetagem e a interpretação dos resultados, fundamentando a prática laboratorial como um exercício intelectual necessário. 3 Metodologia Trata-se de um relato de experiência de caráter qualitativo e descritivo-reflexivo, desenvolvido a partir da vivência de monitoria voluntária no laboratório de Química II – Bioquímica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), durante o período letivo de 2026.1, junto aos graduandos do curso de Agronomia matriculados na disciplina de Bioquímica Metabólica (DCN0105). As atividades desenvolvidas compreenderam o acompanhamento das aulas práticas laboratoriais, a orientação dos estudantes durante os experimentos, o auxílio no manuseio de equipamentos e a mediação entre os conteúdos teóricos e as práticas de bancada. Previamente à realização de cada aula, os experimentos eram testados pelas monitoras sob supervisão da docente responsável, assegurando maior efetividade das atividades e a adoção de protocolos de biossegurança. A sistematização da experiência ocorreu por meio de reflexão coletiva entre as monitoras e a professora orientadora ao longo do semestre, tendo como base as vivências acumuladas no ambiente laboratorial. 4 Resultados e discussão A experiência da monitoria em Bioquímica Metabólica evidenciou que grande parte dos graduandos de Agronomia apresentava dificuldades iniciais no manuseio de equipamentos laboratoriais e na interpretação de protocolos experimentais, o que corrobora a perspectiva de Hofstein e Lunetta (2004), para quem o laboratório de ciências demanda não apenas habilidade técnica, mas desenvolvimento do pensamento crítico, processo que não ocorre espontaneamente e requer mediação pedagógica qualificada. A atuação das monitoras configurou-se precisamente como essa mediação, ao orientar os estudantes nas técnicas de pipetagem, nas normas de biossegurança e na interpretação dos resultados obtidos nos experimentos de identificação de proteínas e reações enzimáticas, tornando o ambiente laboratorial mais dinâmico e participativo. A realização prévia dos experimentos pelas monitoras, sob supervisão da docente responsável, mostrou-se estratégia eficaz para antecipar dificuldades nos protocolos e qualificar as orientações oferecidas. Simultaneamente, essa vivência proporcionou às monitoras o desenvolvimento de competências pedagógicas, comunicação, organização e didática, confirmando o que Pimenta e Lima (2004) afirmam sobre a docência como prática que exige reflexão constante e que se desenvolve no exercício cotidiano do ensino. Ademais, o esforço das monitoras em traduzir os protocolos e manuais em linguagem acessível aos graduandos iniciantes aproxima-se do conceito de divulgação científica proposto por Bueno (2009), configurando uma prática de mediação pedagógica situada no contexto laboratorial. 5 Considerações finais O presente relato permitiu sistematizar e analisar criticamente a experiência de monitoria em Bioquímica Metabólica na UESB, evidenciando que a prática laboratorial mediada por monitores contribui tanto para o desenvolvimento de habilidades técnicas nos graduandos quanto para a formação pedagógica e científica das próprias monitoras. Recomenda-se que estudos futuros ampliem essa investigação por meio de pesquisas com abordagem mista, incluindo a percepção dos estudantes atendidos pela monitoria mediante aplicação de questionários ou entrevistas. Sugere-se ainda a comparação entre turmas com e sem monitoria ativa, a fim de mensurar os efeitos dessa prática sobre o desempenho acadêmico e a retenção de conteúdos em Bioquímica Metabólica. Conclui-se que a monitoria se consolida como ferramenta indispensável no ensino superior, influenciando significativamente a formação acadêmica e o desenvolvimento docente. 6 Referências ALMEIDA, Ricardo Santos de. A monitoria no ensino superior: revisão integrativa de literatura com ênfase para a preparação docente. Diversitas Journal, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 143-158, 2019. DOI: 10.17648/diversitas-journal-v4i1.746. Disponível em: https://diversitasjournal.com.br/diversitas_journal/article/view/746. Acesso em: 21 maio 2026. BARROS, Lucas Felipe de et al. A importância da monitoria acadêmica no ensino superior: um instrumento de aprendizagem colaborativa. Gestus Multidisciplinar, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 91-95, 2025. DOI: 10.5281/zenodo.16650017. 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São Paulo: Cortez, 2004.
Título do Evento
I CONAGAC – Congresso Nacional Agregando Conhecimento - IMS-CAT-UFBA
Título dos Anais do Evento
Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT
Nome da Editora
Even3
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Como citar

VIANA, Esther Lima et al.. MONITORIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZADO.. In: Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT. Anais...Vitória da Conquista(BA) UFBA - IMS - CAT, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598496-MONITORIA--RELATO-DE-EXPERIENCIA-COMO-ESTRATEGIA-DE-APRENDIZADO. Acesso em: 09/07/2026

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