RELAÇÃO DOS COMERCIANTES DE HORTIFRUTI COM AGRICULTURA FAMILIAR NO CENTRO DE ABASTECIMENTO EDMUNDO FLORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA

Publicado em 06/07/2026 - ISBN: 978-65-272-2556-0

Título do Trabalho
RELAÇÃO DOS COMERCIANTES DE HORTIFRUTI COM AGRICULTURA FAMILIAR NO CENTRO DE ABASTECIMENTO EDMUNDO FLORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA
Autores
  • Jamile Silva
  • Joí dos Santos Nascimento
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Sustentabilidade e meio ambiente
Data de Publicação
06/07/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598200-relacao-dos-comerciantes-de-hortifruti-com-agricultura-familiar-no-centro-de-abastecimento-edmundo-flores-em-vit
ISBN
978-65-272-2556-0
Palavras-Chave
Ceasa; Hortifruti; Agricultura familiar.
Resumo
RELAÇÃO DOS COMERCIANTES DE HORTIFRUTI COM AGRICULTURA FAMILIAR NO CENTRO DE ABASTECIMENTO EDMUNDO FLORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA Jamile Silva Pereira¹; Joí dos Santos Nascimento2. ¹Graduanda em Agronomia, Bacharelado, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, 202410365@uesb.edu.br 2Engenheiro Agrônomo, Pós-Graduando em Fertilidade, Manejo de Solos e Nutrição de Plantas pela FAVENI, jsn.consultoriaagronomica@gmail.com. Área Temática: Sustentabilidade e Meio Ambiente. 1 Introdução. A distribuição de hortaliças, frutas e verduras no Brasil é realizada principalmente no atacado através das Centrais de Abastecimento CEASAs e no varejo principalmente grandes redes varejistas (Lourenzani, 2005). A comercialização via varejos, muitas vezes ocorrem em locais como: feiras livres, vias públicas, grandes centros em praças urbanas (Lourenzani, 2005), além de outros pontos como sacolões, quitandas, mercearias, mercadinhos e supermercados regionais (Sato et al., 2008). Estudos apontam, que apesar desse destaque aos produtos como as hortaliças, legumes e verduras, há muitos problemas que permeiam esta cadeia: o setor é desorganizado; os atacadistas das Centrais de Abastecimento, são resistentes em fazer novas mudanças e investir, tornando o setor meio ultrapassado. As grandes redes varejistas dominam o mercado de abastecimento, ofertando produtos de maior qualidade para a população que tem um poder aquisitivo maior, e as perdas e desperdícios em todo o setor ainda são grandes. A escassez de investimentos em sistemas de padronização, classificação, embalagem e rastreabilidade, além de não existir muito espaço para iniciativas mercadológicas. A maioria dos comerciantes são de pequeno porte, com baixo nível técnico, (Mendes et al., 2009; Mendes et al., 2008) e como agravante, pequenos produtores são os que tem menos acesso aos principais canais de comercialização, devido à dificuldade de se cumprir exigências das grandes redes de supermercado (Tanaca; Bonfim; Souza Filho, 2010). Essas redes, podem aumentar seu poder de comercialização devido a união de vários produtores (Yokoyama; Silva; Lourenzani, 2006). O sistema de comercialização compreende as estratégias, o desempenho e o desenvolvimento de estruturas de controles condizentes com a comercialização dos produtos, como os acordos formais e informais, que permeiam a maioria das transações neste ambiente. Já que além de outras são essas estratégias que permeiam a competitividade (Farina, 2002). 2 Referencial Teórico A criação das Centrais de Abastecimento no Brasil, surgiram a partir da busca por modelos organizacionais presentes em outros países, como referência o mercado de abastecimento na Espanha que possuía uma natureza publicada gestão do sistema, no entanto, a operacionalização comercial sendo privada (DAMBORIARENA, 2001). Nas centrais de abastecimento o governo não interfere na negociação de preço, sendo responsável pelo gerenciamento do espaço e das atividades (LOURENZANI; SILVA, 2004). As feiras livres se destacam pelo comércio direto dos produtos ao consumidor, proveniente principalmente da agricultura familiar (PIERRI, 2010). Por meio deste local os agricultores possuem maior facilidade de comercialização, pois a liquidez é imediata, o que favorece a geração de renda, entretanto, permite um intercâmbio entre vendedor e consumidor (MAZOYER; ROUDART, 2010). Por meio da feira livre, muitas famílias obtêm sua fonte de sustento e garantem a comercialização de sua produção. A disponibilização de produtos frescos e de boa qualidade destaca-se como uma das principais características desse setor, proporcionando maior confiança aos consumidores no momento da compra. Entretanto, a feira livre não deve ser compreendida apenas como um espaço de abastecimento alimentar, ela também desempenha importante função na geração de ocupações e no fortalecimento das relações sociais entre os participantes. A feira livre constitui, de maneira evidente, uma alternativa para atenuar os impactos do desemprego, essa atividade favorece a absorção de inúmeras pessoas no setor informal, as quais, por diferentes razões não conseguiram ingressar no mercado de trabalho formal (GOMES DE SÁ, 2010). Com base nessas considerações, é possível apontar o desemprego como um dos principais fatores responsáveis pela expansão significativa desse segmento. Contudo, aspectos como escolaridade, nível de renda e desigualdades regionais também exercem forte influência sobre o crescimento da informalidade. A fruticultura e a olericultura no Brasil são altamente lucrativas. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) o país assume o terceiro lugar de produção mundial de frutas. Com cerca de 41 milhões de toneladas, perdendo apenas para China e Índia, sendo que a fruticultura gera em torno de 6 milhões de empregos diretos, ou 27% dos empregos gerados pela produção agrícola nacional. A Bahia é o segundo maior produtor nacional de frutas, visto que, os municípios de Mucugê-Ibicoara possuem destaques na horticultura do estado, com área responsável pela geração de mais de cinco mil empregos diretos. Sua produção anual em média é de 500 mil toneladas de hortaliças, produzindo cerca de 50% da batata-inglesa, além de tomate, cebola, repolho, abóbora e pimentão. (CENÁRIO HORTIFRUTI BRASIL, 2018). O presente trabalho, teve como objetivo conhecer a diversidade de produtos comercializados no Centro de Abastecimento Edmundo Flores, bem como relacionar os produtos comercializados neste espaço com os provenientes da agricultura familiar regional, além de caracterizar o perfil socioeconômico e alguns aspectos administrativos dos comerciantes de hortifruti. 3 Material e métodos O trabalho foi desenvolvido em maio de 2019, no Centro de Abastecimento Edmundo Flores, no município de Vitória da Conquista- BA. Para a aquisição dos dados a serem avaliados, aplicou-se 40 questionários estruturados com perguntas dicotômicas e subjetivas. Os questionários constaram com perguntas como: idade, sexo, estado civil, local onde reside, maternidade ou paternidade, nível de escolaridade, familiares com nível superior, e dados das propriedades referentes ao tamanho da área cultivada, produtos comercializados, familiar inserido na atividade e perguntas subjetivas acerca da importância do espaço de comercialização, se adquiri produtos diretamente com o agricultor familiar, tempo de permanência nesta atividade, procedências dos produtos. Para avaliar o perfil socioeconômico, dividiu-se em classes de idade 18-33, 34-49, 50-65 e de 66-81 anos. 4 Resultados e Discussão Gráfico 1. Aspectos sociais dos comerciantes de hortifruti Aspectos sociais dos comerciantes de hortifruti no Centro de Abastecimento Edmundo Flores em Vitória da Conquista- Ba, conforme gráfico acima os resultados são expressos dentro das faixas etárias de 18-33; 34-49; 50-65 e 66-81, em cada faixa foram coletadas informações quanto ao sexo, estado civil, se residem em Vitória da Conquista, se tem filhos, níveis de escolaridade do primeiro grau até a Graduação e também se na unidade familiar há pessoa com graduação. Segundo gráfico acima dos entrevistados 40 % possui idade de 18 a 33 anos, 25% para 34 a 49 e respectivamente para a faixa etária de 50 a 65 e somente 10% deste público possui idade acima de 66 anos. Quanto ao sexo dos entrevistados, 45% na faixa de 18- 33 anos é do sexo masculino, 50% na faixa de 34- 49 anos, 50-65 o percentual foi de 40% e 35% para os de 66-81 anos. Em trabalhos realizados em feiras livres por Tavares, 2019 os resultados mostraram que a maioria dos feirantes são do gênero masculino representando 65,99% do resultado, enquanto o gênero feminino atingiu um percentual de 34,01%, estes dados diferem do encontrado neste trabalho onde na faixa etária de 34-49 anos maior percentual é de individuo do gênero feminino. Quanto ao estado civil, 60% dos entrevistados nesta faixa etária 18-33 são casados, 50% para os de 34-49, 80% para os de 50-65 e 60% os de 66-81 anos. Quanto aos aspectos que possui residência em vitória da conquista, somente os de faixa etária de 50 a 65 anos que foi de 90%, já as demais apresentaram 100%. Quanto possui filhos, 60% dos entrevistados de 18-33 possuem filhos; 80% para as faixas etárias de 34 a 65 anos e 100% para os de 66-81 anos. Sobre nível de escolaridade 1° grau, segundo as faixas etárias de 18-33; 34-49; 50-65 e 66-81 os resultados foram respectivamente: 50%, 60%, 90%, 100%. Quanto ao segundo Grau o resultado foi 20%, 35% 8% e 0%. Em relação a possui ensino superior somente 23% dos entrevistados na faixa etária de 18 a 33 anos possui. Quanto a familiares com graduação, há em toda as faixas com os seguintes resultados 20%, 19%, 19% e 78%. Segundo (FERREIRA; VELOSO, 2003), em contrapartida, observa-se um cenário distinto entre os filhos de pais analfabetos, sobretudo na região Nordeste do Brasil, onde aproximadamente 54% dos indivíduos permanecem no mesmo nível de escolaridade de seus genitores. Tal fenômeno pode ser explicado por fatores relacionados à reduzida dinâmica econômica regional, bem como por condicionantes socioculturais que contribuem para a reprodução intergeracional da baixa escolaridade no contexto familiar. Nesse sentido, o capital educacional dos pais exerce influência significativa sobre a trajetória educacional dos filhos, especialmente em regiões marcadas por limitações estruturais no sistema de ensino e por desafios relacionados à efetividade das políticas voltadas à educação pública. Gráfico 2. Aspectos administrativo dos comerciantes de hortifruti 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Possui propriedade Cultiva os produtos Compras produtos da agricultura familiar Comercializa diariamente Participação familiar Quantos aos aspectos administrativos 37,5% dos entrevistados possuem propriedade, 22,5% cultivam os produtos, 35% compra da agricultura familiar, 35% comercializam diariamente e 35% têm a participação familiar na comercialização. Gráfico 3. Grupo dos produtos Fruticultura Olerícolas Dentre os grupos comercializados a fruticultura corresponde a 52% enquanto a olerícolas apresentou 48% dos produtos comercializados. Gráfico 4. Olerícolas mais comercializadas 30 25 20 15 10 5 0 Conforme a tabela 4, dentre as olerícolas, observa-se que as hortaliças de frutas, respondem por 26%, seguido pelos bulbos com 19 %, raízes 15%, tubérculo 11%. 6 Discussão Conforme os dados da tabela 1, a maior porcentagem dos comerciantes é de Vitória da Conquista, casados, possuem filhos, sendo que na faixa de 66-81 anos, 100% possuem o primeiro grau de escolaridade, de 50-65 foi de 91%, já os mais jovens, que possuem menos de 33 anos 54% possuem primeiro grau. Os dados deste trabalho corroboram com o de Lima et al (2013), onde foi observado que 36,7% dos comerciantes não chegaram a concluir o ensino fundamental e 23% possuem ensino superior, uma porcentagem maior que a descrita onde 2,75% possuem ensino superior incompleto e apenas 3,67% dos comerciantes possuíam o ensino superior completo. Ainda, 80% dos comerciantes na faixa de 66-81, possuem familiares graduados. O maior percentual de comerciantes é do gênero masculino na faixa de 34-48 anos, onde foi relatado que 77,98% são vendedores do sexo masculino. Conforme a tabela 2, a maioria dos comerciantes trabalham diariamente, dificultando que o vendedor desempenhe uma atividade fora do comércio. Entretanto, alguns ainda se arriscam a desempenhar outras atividades agrícolas e destes, 37,5% possuem propriedade rural, 22,5% cultivam seus produtos e uma boa porcentagem é aposentado. Assim como nos estudos de Lima et al. (2013), 35% são denominados puxadores, ou seja, compram produtos diretamente da agricultura familiar e 35% dos comerciantes, contam com a participação familiar em seus trabalhos. A tabela 3. demonstra que dentre os grupos abordados, as olerícolas correspondem a 58% dos produtos comercializados, enquanto itens correspondentes ao grupo da fruticultura, respondem a 42%. Conforme a tabela 4, dentre as olerícolas, observa-se que as hortaliças de frutas, respondem por 26%, seguido pelos bulbos com 19 %, raízes 15%, tubérculo 11%. 7 Considerações Finais Percebe-se que há uma pequena parcela de agricultores familiar que comercializa seus próprios produtos ou disponibilizando para terceiros, além disso, o Centro de Abastecimento Edmundo Flores, exerce um papel de grande importância no desenvolvimento socioeconômica da população de Vitoria da Conquista, sendo este espaço a única fonte de renda de muitas famílias. 8 Referências CENÁRIO HORTIFRUTI BRASIL. Cenário Hortifruti Brasil. 2018. DAMBORIARENA, E. Certificação e rotulagem na cadeia dos hortigranjeiros no estado do Rio Grande do Sul: um estudo de caso – CEASA/RS. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001. FARINA, E. M. M. Q. Consolidation, multinationalisation, and competition in Brazil: impacts on horticulture and dairy products systems. Development Policy Review, v. 20, n. 4, p. 441- 457, 2002. FERREIRA, S. G.; VELOSO, F. A. Mobilidade intergeracional de educação no Brasil. Pesquisa e Planejamento Econômico, v. 33, n. 3, 2003. GOMES DE SÁ, M. Feirantes: quem são? Como administram seus negócios? Rio de Janeiro, 2010. LIMA, J. S.; AMARAL, R. F.; BRITO, A. V. C.; LIMA, P. V. P. S.; MAYORGA, R. D. Caracterização dos comerciantes da CEASA-Ceará. Sociedade e Desenvolvimento Rural Online, v. 7, n. 4, 2013. LOURENZANI, A. E. B. S. Condicionantes para inserção de pequenos produtores em canais de distribuição: uma análise das ações coletivas. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 2005. LOURENZANI, A. E. B. S.; SILVA, A. L. Um estudo da competitividade dos diferentes canais de distribuição de hortaliças. Gestão e Produção, v. 11, n. 3, p. 385-398, 2004. MAZOYER, M.; ROUDART, L. História das agriculturas no mundo: do neolítico à crise contemporânea. São Paulo: Editora UNESP; Brasília: NEAD, 2010. MENDES, J. T. G. et al. 2008. MENDES, J. T. G. et al. 2009. PIERRI, M. C. Q. Um recorte em território artificializado: agricultura familiar e comercialização na Feira dos Goianos – Gama/DF. Brasília: Universidade de Brasília, 2010. SATO, G. S. et al. Uma abordagem sobre a comercialização de hortaliças produzidas na região do Alto Tietê. Informações Econômicas, São Paulo, v. 38, n. 1, 2008. TANACA, E. K. T. T.; BONFIM, R. M.; SOUZA FILHO, H. M. Arranjos organizacionais de fornecedores de hortaliças: caso de uma grande rede varejista. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 30., 2010. Anais… São Carlos, 2010. TAVARES, M. P. N. Uma análise do perfil socioeconômico dos feirantes de Senador Rui Palmeira – AL. 2019. YOKOYAMA, M. H.; SILVA, A. L.; LOURENZANI, A. E. B. S. Os desafios gerenciais e o acesso de produtores a canais de distribuição de FLV no Brasil. In: SIMPÓSIO DE ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNACIONAIS, 9., 2006. Anais… São Paulo: FGV, 2
Título do Evento
I CONAGAC – Congresso Nacional Agregando Conhecimento - IMS-CAT-UFBA
Título dos Anais do Evento
Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Jamile; NASCIMENTO, Joí dos Santos. RELAÇÃO DOS COMERCIANTES DE HORTIFRUTI COM AGRICULTURA FAMILIAR NO CENTRO DE ABASTECIMENTO EDMUNDO FLORES EM VITÓRIA DA CONQUISTA- BA.. In: Anais do CONAGAC: Congresso Nacional Agregando Conhecimento: UFBA: IMS: CAT. Anais...Vitória da Conquista(BA) UFBA - IMS - CAT, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/i-conagac-congresso-nacional-agregando-conhecimento-697414/1598200-RELACAO-DOS-COMERCIANTES-DE-HORTIFRUTI-COM-AGRICULTURA-FAMILIAR-NO-CENTRO-DE-ABASTECIMENTO-EDMUNDO-FLORES-EM-VIT. Acesso em: 09/07/2026

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