HANS JONAS: DA BIOÉTICA À ÉTICA DA RESPONSABILIDADE

Publicado em 05/12/2018 - ISSN: 2176-3968

Título do Trabalho
HANS JONAS: DA BIOÉTICA À ÉTICA DA RESPONSABILIDADE
Autores
  • Anor Sganzerla
Modalidade
Prorrogado envio de Resumo até dia 09/10/2018
Área temática
Ética e Filosofia Política
Data de Publicação
05/12/2018
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/humanitaspucprfilo/122861-hans-jonas--da-bioetica-a-etica-da-responsabilidade
ISSN
2176-3968
Palavras-Chave
Hans Jonas; Bioética; Ética; Responsabilidade;
Resumo
Introdução: O convite para ministrar uma conferência pela American academy of arts and sciences, de Boston (1967) intitulada Reflexões filosóficas sobre os experimentos com sujeitos humanos deu grande notoriedade ao pensamento de Hans Jonas. Esse reconhecimento, no entanto, não esteve isento de críticas, principalmente por parte dos médicos, em relação à posição do filósofo quanto à retirada de órgãos dos pacientes em estado de morte cerebral definido pela comissão. A conferência e sua posterior publicação também promoveu uma significativa mudança na forma de Jonas fazer sua filosofia. Passou a fazer filosofia prática. Essa mudança no modo e fazer filosofia deu a Jonas uma inesperada notoriedade, e sua presença em congressos que tratavam de questões éticas em relação á prática médica e a ética em pesquisa, tornou-se uma constante, a exemplo do congresso de ética na medicina em Heidelberg. Mas a experiência mais marcante após o seu posicionamento na conferência veio a partir de um convite de um grupo de médicos de San Francisco que buscou em Jonas, como afirma o pensador a “benção filosófica” para a definição de morte cerebral. Tratava-se de um grupo de médicos que muito havia refletido sobre a ética médica e o conceito de morte cerebral, e que estavam preocupados e comprometidos com o seu trabalho, pois queriam que fosse moralmente correto. As críticas proferidas por Jonas às teses por eles defendidas, representaram um verdadeiro golpe ao grupo, pois acreditavam que sua posição estaria de acordo com os parâmetros éticos. Com intuito de tentar convencer o filósofo de que seus conceitos estavam em sintonia com a ética, e, portanto, eram nobres, o grupo de médicos convidou Jonas para participar durante uma semana das atividades no Centro Médico da Universidade da Califórnia. Afirma Jonas que não somente esteve presente nas entrevistas com médicos e pacientes, e dos médicos com os doadores de órgãos, mas que, após vestir-se adequadamente para o centro cirúrgico, presenciou uma operação de um cérebro aberto, sendo essa uma experiência fantástica. O convite feito por Samuel Kountz, médico especialista em transplante de rim, para que Jonas acompanhasse um transplante completo de rins também foi impactante para o filósofo. Afirma Jonas que em um momento do transplante, o médico pegou em minha mão e a introduziu na cavidade do estômago do paciente, e me deixou tocar a conexão entre o rim e a bexiga e exclamou: veja, agora funciona. Método: Essa pesquisa será essencialmente teórica filosófica, utilizando-se para tanto dos textos clássicos do autor. Resultados: No entanto, o filósofo, apesar de reconhecer esforço e a ética desses profissionais em sua atividade, manteve intacta a sua posição de que somente os interesses do paciente é que devem ser levados em conta, e não os possíveis benefícios que possam trazer a terceiros no caso da doação e do transplante de órgãos. Esse reconhecimento público de Jonas a partir da conferência e das atividades no centro cirúrgico, fez com que o filósofo fosse convidado a trabalhar no renomado centro de pesquisas médicas norte-americano intitulado Hasting Center. No ano de 1969 o centro criou o Instituto de bioética no qual Jonas desempenhou um papel importante, e sua atuação por mais de vinte anos rendeu-lhe o título de sócio-fundador do centro. A distinta formação acadêmica de seus integrantes dava ao grupo um forte caráter interdisciplinar. Conclusões: O trabalho realizado no Hasting Center, direcionou o pensamento de Jonas para os problemas éticos da tecnologia moderna, e da necessidade de uma ética da responsabilidade para orientar o progresso da tecnociência. Desse modo, é a partir da reflexão sobre temas de bioética, como a ameaça a vida e a dignidade humana promovidas pela técnica, a responsabilidade nos experimentos dos seres humanos, a clonagem de humanos, o direito de viver e o direito de morrer, o transplante de órgãos, a eugenia genética, o melhoramento humano, morte cerebral, técnicas de adiamento da morte, os avanços das biotecnologias que Jonas fundamento a sua ética da responsabilidade. Referências: JONAS, H. O princípio responsabilidade: ensaios de uma ética para a civilização tecnológica. RJ: Contraponto/Editora da PUC-Rio, 2006. ________ . Técnica, medicina e ética: sobre a prática do princípio responsabilidade. SP: Editora Paulus, 2013. ________ . Ensaios filosóficos: da crença antiga ao homem tecnológico. SP: Paulus, 2017.
Título do Evento
Congresso Humanitas | Filosofia
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
XVI Congresso de Filosofia Contemporânea da PUCPR: O Futuro das Humanidades
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SGANZERLA, Anor. HANS JONAS: DA BIOÉTICA À ÉTICA DA RESPONSABILIDADE.. In: XVI CONGRESSO DE FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA DA PUCPR - O FUTURO DAS HUMANIDADES. Anais...Curitiba(PR) pucpr, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/humanitaspucprfilo/122861-HANS-JONAS--DA-BIOETICA-A-ETICA-DA-RESPONSABILIDADE. Acesso em: 02/04/2026

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