AS EXPERIÊNCIAS DAS MULHERES CUIDADORAS FAMILIARES E A ÉTICA DO CUIDADO: UM ESTUDO ENTRE BRASIL E ESPANHA.

Publicado em 19/12/2018 - ISBN: 978-85-5722-166-6

Título do Trabalho
AS EXPERIÊNCIAS DAS MULHERES CUIDADORAS FAMILIARES E A ÉTICA DO CUIDADO: UM ESTUDO ENTRE BRASIL E ESPANHA.
Autores
  • Ana Sílvia Juliatto Bordini
  • VALQUIRIA ELITA RENK
Modalidade
Cronograma e Instruções de Apresentação
Área temática
GT3: Gênero, Raça e o Pensamento Decolonial
Data de Publicação
19/12/2018
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/humanitaspucprdh/120696-as-experiencias-das-mulheres-cuidadoras-familiares-e-a-etica-do-cuidado--um-estudo-entre-brasil-e-espanha
ISBN
978-85-5722-166-6
Palavras-Chave
Mulheres. Familiar cuidador. Ética do cuidado.
Resumo
O presente estudo aborda as experiências vivenciadas por mulheres no cuidado para com um membro da família, não sendo exercido como vínculo empregatício e sem qualquer auxílio do Estado. São consideradas cuidadoras familiares as mulheres que desprendem do seu tempo e cuidam de familiares idosos, ou que estão em situação de doença ou de necessidade de cuidados. O objetivo é analisar como o processo de cuidar do outro interfere na vida e na dignidade dessas mulheres cuidadoras familiares e como elas expressam estes sentimentos. O percurso metodológico foi realizado através de pesquisa qualitativa de caráter autobiográfico, tendo como instrumento a entrevista semiestruturada, realizada com 6 mulheres, sendo 3 do sul do Brasil e 3 da cidade de Sevilha na Espanha. O processo de envelhecimento da população mundial é um fenômeno recente para a humanidade que indica a melhora na qualidade de vida. Segundo as Nações Unidas uma em cada nove pessoas do mundo tem mais de 60 anos, mas a tendência é de aumento, sendo que as projeções indicam que em 2050, será de um quinto da população global, mais de dois bilhões de habitantes, invertendo a pirâmide etária, e a perspectiva é que existam mais idosos no mundo que crianças menores de 15 anos. O envelhecimento traz problemas crônicos de saúde a este segmento de população e torna necessário que governos tenham políticas públicas e que a sociedade garanta aos idosos uma vida digna. No Brasil, apesar de existir políticas para idosos, ainda, os cuidados dispensados aos familiares em sua maioria são realizados pelas mulheres que não recebem benefícios sociais ou remuneração para realizar tal trabalho. A análise das respostas da pesquisa foi feita sob a perspectiva da análise do discurso, e possibilitou apreender quais são as percepções das participantes que cuidam de seus familiares em situações de envelhecimento ou enfermidades. Os resultados apresentados mostram que, em ambos os países, as mulheres entrevistadas relataram excesso de responsabilidade, sobrecarga de trabalho, abandono da vida própria e muitas vezes ausência de apoio dos outros membros da família para exercer o cuidado. A ética do cuidado orientou a discussão desses resultados apontando para uma naturalização desta atividade como algo próprio da mulher e sem seu devido reconhecimento pela sociedade. No Brasil, considerando-se as grandes desigualdades sociais, as famílias com maiores rendimentos pagam um cuidador formal, enquanto nas famílias de média e baixa renda os cuidados recaem primeiramente à família e ao sistema informal e domiciliar (amigos, parentes, vizinhos). De cada cinco casos de cuidadores do meio familiar, quatro são mulheres, que realizam um trabalho que é invisível socialmente, mas, que permite àquele que é cuidado ter uma vida digna. O cuidado existe enquanto experiência familiar como um processo de solidariedade, pois a família permanece como matriz do processo civilizatório, como condição de humanização e socialização. As mulheres, há tempos atuam mais no espaço doméstico, executando os trabalhos como os de cuidar, limpar e ensinar, que são socialmente desqualificados e invisíveis, possibilitando ao ‘outro’ ter uma vida digna. O cuidado também pode ser visto através de uma ética feminina, baseada na receptividade, na relação e no recordar o cuidado recebido. O modo feminino de pensar a ética leva as mulheres a se sentirem responsáveis pela manutenção da ligação que mantém com os que lhe são próximos, e sentem no ato de cuidar do outro a concretização de suas responsabilidades. O cuidar vai além de elos estabelecidos no convívio, é uma responsabilidade de homens e mulheres, pautado em solidariedade e que objetiva a garantia da dignidade da pessoa humana.
Título do Evento
Congresso Humanitas | Direitos Humanos
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
III Congresso Internacional de Direitos Humanos e Políticas Públicas: Democracias, desigualdades e lutas sociais
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BORDINI, Ana Sílvia Juliatto; RENK, VALQUIRIA ELITA. AS EXPERIÊNCIAS DAS MULHERES CUIDADORAS FAMILIARES E A ÉTICA DO CUIDADO: UM ESTUDO ENTRE BRASIL E ESPANHA... In: III Congresso Internacional de Direitos Humanos e Políticas Públicas: Democracias, desigualdades e lutas sociais. Anais...Curitiba(PR) PUCPR, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/humanitaspucprdh/120696-AS-EXPERIENCIAS-DAS-MULHERES-CUIDADORAS-FAMILIARES-E-A-ETICA-DO-CUIDADO--UM-ESTUDO-ENTRE-BRASIL-E-ESPANHA. Acesso em: 12/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes