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Apresentação
Transver o Audiovisual: Imagens que escutam, corpos que resistem
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê...
É preciso transver o mundo.”
— Manoel de Barros
Transver é o verbo da invenção e da ruptura. Inspirados em Manoel de Barros, queremos transver o audiovisual como campo expandido de presença, escuta, afeto e conflito.
A Extracampo se renovou durante a pandemia de COVID-19 como uma Jornada Discente que propôs um movimento contraditório necessário: pensar “dentro de casa e fora da casinha”.
A metáfora virou norte — crítica, abrigo e provocação para a comissão realizadora. Porque para nós, Extracampo é o gesto dos que desviam, mas não se perdem no caminho. Que desaceleram, sem se omitir. Que pesquisam, mas também deixam fluir o que sentem. Que se permitem não saber de tudo, tendo sempre em mente a necessidade de aprender e de partilhar o conhecimento.
Apresentamos a 4ª edição da Jornada Discente Extracampo na travessia de outro momento que pede atenção e certa urgência: a de restabelecer o convívio acadêmico - os reencontros presenciais não substituem, mas ampliam, o que as redes possibilitam. Por isso, neste ano de 2025, abrimos as janelas reais e virtuais para que, no espaço de convívio, coexistem dois mundos - o da tela e o do toque, o da presença física e da presença sentida à distância.Porque se aprendemos alguma coisa desde que iniciamos nessa jornada foi que pensar junto é possível, mesmo quando a geografia separa - e mais ainda, quando a escuta aproxima.
Entendendo as vicissitudes do momento tornamos essa edição híbrida — por escolha, mas também por cuidado. Um cuidado com as distâncias geográficas, com os limites dos corpos e com os afetos que aprenderam a se fazer presentes também pelas telas. Assim, combinando a amplitude do digital com a vivência presencial seguimos dentro de casa e fora da casinha.
Como lembra Denilson Lopes, é na delicadeza e no fragmento que a experiência se reinventa.
Logo, transver o audiovisual é habitar o extracampo: aquilo que escapa ao centro da imagem, mas pulsa nas laterais da cena, na grade de programação, na timeline, na tela do celular. É ver com os poros e escutar com o corpo. É abrir lacunas nos enquadramentos fixos.
É reconhecer que a imagem, por si só, não é completa: ela se reconfigura na escuta, no olhar que a atravessa, no diálogo com o público que a interpreta, tenciona, transforma. Transver torna-se exercício da vida, maneira que encontramos para transcender o mundo que habitamos. O audiovisual é o campo dos encontros — com o mundo, com o outro, com aquilo que resiste à normatização dos sentidos.
Imagens que escutam. Aquelas que se deixam atravessar pelo ruído do mundo: as falas entrecortadas dos vídeos populares, o depoimento de quem filma com o celular tremendo, o som ambiente de um documentário. Em diferentes formatos e intensidades, essas imagens acolhem o outro, o acaso, a quebra de padrões. Estar em diálogo com essas imagens é um modo de habitar o outro sem apagá-lo.
Corpos que resistem. Aqueles que não pedem licença para entrar em cena: falam, expõem, reimaginam, disputam. Ocupam as telonas e as telinhas, protagonizam suas narrativas plurais e dissidentes que des-ori-entam fronteiras geográficas e de pensamento do mainstream, mas também das performances, do vídeo, nas salas de aula, nos reels e nas artes sonoras.
A proposta curatorial do ExtraCampo 2025 assume o deslocamento como gesto. Buscamos experiências audiovisuais em sua pluralidade: cinema, telenovelas, arquivos, instalações, registros comunitários, mídias móveis, formas insurgentes, memes que denunciam, vídeos que curam.
Nossa temática propõe uma escuta expandida: a convocação a transver o audiovisual se abre também ao dissenso e à presença de pesquisas que trilham rotas paralelas.
Assim como para Trinh T. Minh-ha, escutar pode ser um convite a uma outra forma de ver, para bell hooks, a margem é lugar de radicalidade, não de ausência.
Transver o audiovisual é deixar que a imagem transborde, que o som reverbere, que o corpo ocupe. É cartografar o corpo enquanto matéria viva, como nos ensina Jesús Martín-Barbero: dobra, ruído, invenção.
Trata-se de inventar sentidos, reimaginar futuros e ocupar o campo e o extracampo como espaço de criação e presença.
Marcella Ferrari Boscolo e Davi T. F. Ponce
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Responsável
E-mail: marcellaferrari.jor@gmail.com
E-mail: isac.chateauneuf@outlook.com
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