VIVÊNCIAS NO PROJETO AGRICULTURA URBANA E PERIURBANA APOIADO NA AGROECOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA E O FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA EM COMUNIDADES PERIFÉRICAS

Publicado em 24/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1552-3

Título do Trabalho
VIVÊNCIAS NO PROJETO AGRICULTURA URBANA E PERIURBANA APOIADO NA AGROECOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA E O FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA EM COMUNIDADES PERIFÉRICAS
Autores
  • JOAO NETO
  • Glória Maria da Silva Gomes
  • Filipe Silva de Lima
  • Caroline Tertulino da Silva
  • Maria Eduarda Santos Silva
  • Helenice Alexsandra Ferreira
  • Julia Mariane Januario de Souza
  • Vitória Vivian Cardoso da Silva Aragão
  • Irruá Kevem Nascimento da Silva
  • Glaucia Lavinia Oliveira Xavier
  • Fernanda Soares Alves
  • Maria Luiza Santos Nascimento
  • Lívia Maria Silva Coutinho
  • Roberto Marinho Alves da Silva
  • Ilena Felipe Barros
Modalidade
Resumo Expandido - Relatos de experiências
Área temática
Tecnologia Social, Economia Solidária e Educação: desafios e perspectivas no nordeste
Data de Publicação
24/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/etsnordeste/1147630-vivencias-no-projeto-agricultura-urbana-e-periurbana-apoiado-na-agroecologia-e-economia-solidaria-e-o-fortalecim
ISBN
978-65-272-1552-3
Palavras-Chave
Agroecologia; Agricultura Urbana e Periurbana; Economia Solidária
Resumo
O Projeto Agricultura Urbana e Periurbana Apoiado na Agroecologia e Economia Solidária (AUP) surge como uma resposta à insegurança alimentar e à necessidade de geração de renda em comunidades periféricas. Nesse contexto, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vem realizando projetos de ensino, pesquisa e extensão buscando contribuir na expansão e consolidação da AUP, mobilizando o potencial da instituição em parceria com órgãos governamentais e com organizações da sociedade civil no desenvolvimento de tecnologias sociais. Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar e uma rede de pesquisadoras e pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa, a UFRN está desenvolvendo um projeto de AUP apoiada na agroecologia e na economia popular solidária com abrangência em nove Unidades da Federação (AM, PA, MA, CE, RN, PB, PE, SE e DF) para implantação de 22 projetos de horticultura comunitária. Neste trabalho será relatado a experiência que está sendo desenvolvida no estado do Rio Grande do Norte, que busca promover a implantação de hortas urbanas e periurbanas junto à população em situação de vulnerabilidade social. A proposta envolve a universidade pública como parceira da comunidade, através de uma equipe multidisciplinar composta por um engenheiro agrônomo e dois bolsistas do projeto. Utilizando da metodologia da Educação Popular definida por Cunha; Montrone; Costa (2020) como uma possibilidade de enfrentar as estruturas de opressão e de cultivar relações de solidariedade como força de transformação, as atividades desenvolvidas pelo projeto caracterizam-se como um processo de troca de saberes entre a comunidade e a universidade. Nesse sentido, partimos da compreensão que a extensão deve utilizar-se da educação popular como base para o desenvolvimento de suas ações, sendo essa reconhecida como um caminho político-pedagógico o qual pleiteia o envolvimento e a co-responsabilização dos indivíduos no processo de construção, apropriação e disseminação do conhecimento (Daron, 2011). A principal potencialidade do projeto está na articulação entre universidade e comunidade, entre o saber acadêmico e o saber popular. Além disso, o projeto tem capacidade de multiplicação, pois outras comunidades têm demonstrado interesse em implantar hortas. A resistência à organização coletiva e a necessidade de fortalecer a confiança mútua entre os membros do grupo também foram obstáculos significativos, mas que vêm sendo superados com o tempo e a prática da convivência. Também enfrentamos limitações de recursos como água, ferramentas e insumos, além de dificuldades logísticas e estruturais dos espaços. Além disso, há o problema da falta de reconhecimento institucional. Em diversas cidades, a AUP ainda não é tratada como uma política pública permanente, o que resulta na ausência de apoio técnico, financeiro e logístico por parte do poder público local. Mesmo com os desafios, temos muitas conquistas. Já foram implantadas hortas em cinco comunidades, com envolvimento direto de dezenas de famílias. É importante mencionar que as hortas elas têm se tornado espaços de aprendizagem e troca de saberes. A criação de comissões locais para gestão das hortas mostra que o sentimento de pertencimento e a capacidade de autogestão estão sendo construídos de forma sólida. Como limites, destaca-se a fragilidade da política pública de apoio continuado à agricultura urbana, a burocracia institucional e o tempo restrito dos projetos de extensão, que muitas vezes não acompanham o tempo da comunidade. Essa experiência reforça que fazer extensão popular é praticar a escuta, a paciência e o respeito aos tempos e saberes do povo. Aprendemos que é na convivência e no fazer junto que se constroi democracia de verdade. Além do mais, a existência de uma equipe multiprofissional no projeto tem sido fundamental para trabalhar os vínculos comunitários, articular as lideranças e fortalecer o protagonismo das mulheres. O projeto AUP nasce como uma resposta concreta aos desafios da insegurança alimentar e da exclusão socioeconômica enfrentados por comunidades em situação de vulnerabilidade. Por meio da implantação de hortas urbanas e periurbanas, fundamentadas nos princípios da agroecologia e da economia solidária, o projeto busca promover a soberania alimentar, a melhoria da qualidade de vida e a geração de renda. Além de fomentar práticas sustentáveis de cultivo, o AUP incentiva a organização coletiva, o protagonismo comunitário e o fortalecimento de redes locais de cooperação, contribuindo para a construção de territórios mais justos, saudáveis e resilientes. Os principais sujeitos envolvidos no projeto são os moradores das comunidades atendidas, como mulheres chefes de família, lideranças comunitárias, idosos e jovens. Destaca-se que o protagonismo feminino tem sido uma das marcas da atuação, já que são as mulheres que, muitas vezes, lideram os processos de organização, cultivo e cuidado coletivo. Já a equipe técnica exerce o papel de facilitadora, buscando sempre atuar com escuta sensível e em diálogo com os saberes locais. Por fim, a agricultura urbana e periurbana ainda sofre com pressões urbanas, como especulação imobiliária, poluição, violência nos territórios e descarte irregular de resíduos, o que compromete a qualidade e a segurança das áreas produtivas. A organização da horta comunitária deve ser um processo coletivo, que leve o grupo a refletir sobre seus territórios, seus problemas e suas potencialidades. Para isso, a metodologia de ação deve ser levada em conta os saberes produzidos e elaborados da comunidade, as práticas agrícolas desenvolvidas, a relação com a terra e com os recursos naturais.
Título do Evento
I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste
Cidade do Evento
Maceió
Título dos Anais do Evento
Anais do I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETO, JOAO et al.. VIVÊNCIAS NO PROJETO AGRICULTURA URBANA E PERIURBANA APOIADO NA AGROECOLOGIA E ECONOMIA SOLIDÁRIA E O FORTALECIMENTO DA DEMOCRACIA EM COMUNIDADES PERIFÉRICAS.. In: Anais do I Encontro de Tecnologia Social do Nordeste. Anais...Maceió(AL) UFAL - Universidade Federal de Alagoas, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ETSNordeste/1147630-VIVENCIAS-NO-PROJETO-AGRICULTURA-URBANA-E-PERIURBANA-APOIADO-NA-AGROECOLOGIA-E-ECONOMIA-SOLIDARIA-E-O-FORTALECIM. Acesso em: 03/06/2026

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