PSICOLOGIA E O INCÊNDIO DA BOATE KISS: ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL A PARTIR DA CLÍNICA AMPLIADA

Publicado em 31/05/2019 - ISBN: 978-85-5722-221-2

Título do Trabalho
PSICOLOGIA E O INCÊNDIO DA BOATE KISS: ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL A PARTIR DA CLÍNICA AMPLIADA
Autores
  • Letícia Bortolotto Flores
  • Caroline Rubin Rossato Pereira
  • Lucas Lazzarotto Vasconcelos Costa
  • Mônica Sperb Machado
  • Bruna Fragoso Cousseau
  • Marcos Adegas de Azambuja
  • Morgana Ieda Vanelli
Modalidade
Resumo expandido - apresentação oral e poster - Submission Guidelines
Área temática
EIXO B - Incidências de novas abordagens em saúde mental nos territórios: concepções e práticas
Data de Publicação
31/05/2019
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/encontrointernacionalgam/137697-psicologia-e-o-incendio-da-boate-kiss--estrategias-de-intervencao-em-saude-mental-a-partir-da-clinica-ampliada
ISBN
978-85-5722-221-2
Palavras-Chave
Clínica ampliada, Intervenção na Crise, Intervenção Psicossocial, Saúde Mental
Resumo
INTRODUÇÃO A cidade de Santa Maria, passou a ser reconhecida nacionalmente após o incêndio na Boate Kiss, ocorrido em janeiro de 2013, em que morreram 242 pessoas e feriram-se 680. A partir do ocorrido, foi articulada uma força tarefa, que contou com a ajuda de profissionais-voluntários e contratados para (re)organizar a rede de apoio e cuidados em saúde. No que tange à saúde mental, um dos compromissos da psicologia era articular ferramentas que correspondessem à demanda dos sujeitos envolvidos, de modo que a atuação precisou ser pensada a partir da ótica da clínica ampliada, caracterizada por Campos (2001) como a clínica do sujeito. Essa compreensão retira o sujeito da posição de objeto passivo do adoecimento, e passa a entendê-lo como biológico, social e subjetivo, agente histórico e temporal, que detém valores e desejos criados a partir de necessidades e demandas. Neste sentido, a clínica ampliada torna-se uma ferramenta importante para fundamentar a atuação em contextos de crise, oferecendo alternativas de cuidado e promoção de saúde. OBJETIVO Este estudo é um parte de uma pesquisa maior, intitulada "Concepções de Psicólogos sobre a Rede Municipal de Saúde Mental a partir do Incêndio da Boate Kiss", vinculada ao Programa de Cooperação Acadêmica (PROCAD), se tratando de um convênio de cooperação acadêmico-científica do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSM com o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e com o Programa de Pós-Graduação em Processos de Desenvolvimento e Saúde da Universidade de Brasília. A pesquisa foi realizada com psicólogas(os) que trabalharam e trabalham nos serviços de saúde mental que tomaram estrutura a partir do incêndio na Boate Kiss, objetivando analisar suas concepções e práticas sobre a rede de Saúde Mental na cidade de Santa Maria/RS. No recorte apresentado neste estudo, tem-se como objetivo, com base nos conceitos da clínica ampliada, analisar as estratégias de intervenção desenvolvidas pelos psicólogos a fim de atender aos envolvidos no incêndio da Boate Kiss (sobreviventes, familiares e outros). METODOLOGIA Os dados foram coletados a partir de sete entrevistas semiestruturadas audiogravadas, que foram transcritas e submetidas a análise de conteúdo qualitativa (BARDIN, 2006). Participaram do estudo profissionais que atuaram em políticas públicas de saúde mental do município voltadas para o atendimento de pessoas afetadas pelo incêndio. DESENVOLVIMENTO Em situações de desastre, a articulação de uma rede interdisciplinar e multiprofissional torna-se ainda mais relevante, pois garante uma perspectiva de promoção de saúde, em um momento em que uma situação repentina desestrutura sua vida de forma violenta e traumatizante (PALADINO; THOMÉ, 2011). O acolhimento e a escuta são vivenciados como fatores a potencializar a saúde mental: “Acho que o principal era o acolhimento da dor. O principal era conseguir dar um lugar, um espaço pra todas as pessoas poderem falar, e falar da sua dor” (P2). "Então, era justamente promover a saúde mental e promover a saúde mental não é fazer atendimento psicológico somente" (P6). As vivências e tentativas de aproximação dos psicólogos com os usuários demonstraram a necessidade de articulação de novas práticas e maneiras de criação de vínculos que ultrapassassem o contexto da clínica privada: "No primeiro ano, eles [pais e sobreviventes] conversavam conosco nas atividades externas, mas eles não iam no serviço. Então: 'Ah, se tu fosse na praça, eu queria conversar contigo. Se você fosse no fórum, eu queria ser atendida por você, mas ir lá na salinha eu não queria'" (P2). Nesta situação, as demandas ultrapassam as barreiras do que a epidemiologia tem definido como necessidade, sendo importante atentar para as demandas concretas trazidas pelos usuários (CAMPOS, 2001). O apoio psicológico precisou, então, ultrapassar os muros do saber-fazer tradicional, buscando o contato com os usuários naquilo que era mostrado, por eles próprios, como uma necessidade, possibilitando outros olhares à saúde: "Sempre nos dia 27 de janeiro de cada ano a gente acompanha as homenagens que eram feitas pelos familiares, pela Associação de Vítimas [...] A equipe também fazia acompanhamento das audiências nos fóruns [...] Acompanhamos também as vigílias que são feitas na tenda" (P1). “A nossa tentativa sempre era de produzir algo de vida tanto que a gente fez até alguns, alguns eventos musicais, eram encontros que daí a gente chamava o pessoal vinha tocar que era no sentido de produzir coisas novas” (P7). CONCLUSÃO A realidade em questão, exigiu do profissional respostas humanas organizadas que respondessem à complexidade da situação específica e abordasse a diversidade de aspectos possíveis. A dificuldade de acessar a demanda de forma concreta, e de caracterizar o fazer da psicologia, direciona o profissional para novas formas de atuação e possibilidades de olhar para a saúde. A partir da análise apresentada, identifica-se a clínica ampliada como uma importante ferramenta de aplicação em contextos de crise, oferecendo aos sujeitos alternativas de cuidado e promoção de saúde. REFERÊNCIAS PALADINO, E.; THOMÉ, J. T. Psicologia em tempos de tragédia. Rev Mente e Cérebro, v. 23, n. 1, p. 45-61, 2011. CAMPOS, Rosana O. Clínica: a palavra negada–sobre as práticas clínicas nos serviços substitutivos de saúde mental. Saúde em debate, v. 25, n. 58, p. 98-111, 2001. BARDLN, Lawrence. Análise de conteúdo. Lisboa: edições. Edições 70, 2006.
Título do Evento
Encontro Internacional da Gestão Autônoma da Medicação
Cidade do Evento
Santa Maria
Título dos Anais do Evento
Anais do encontro internacional da Gestão Autônoma da Medicação
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FLORES, Letícia Bortolotto et al.. PSICOLOGIA E O INCÊNDIO DA BOATE KISS: ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM SAÚDE MENTAL A PARTIR DA CLÍNICA AMPLIADA.. In: Anais do encontro internacional da Gestão Autônoma da Medicação. Anais...Santa Maria(RS) UFSM, 2019. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/encontrointernacionalgam/137697-PSICOLOGIA-E-O-INCENDIO-DA-BOATE-KISS--ESTRATEGIAS-DE-INTERVENCAO-EM-SAUDE-MENTAL-A-PARTIR-DA-CLINICA-AMPLIADA. Acesso em: 01/06/2026

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