PERSPECTIVA IMAGÉTICA DAS MENINAS/MULHERES NEGRAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA: O QUE MOSTRA A AUSÊNCIA?

Publicado em 17/01/2025 - ISBN: 978-65-272-1121-1

Título do Trabalho
PERSPECTIVA IMAGÉTICA DAS MENINAS/MULHERES NEGRAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA: O QUE MOSTRA A AUSÊNCIA?
Autores
  • Joelma dos Santos Rocha Trancoso
  • Célio Moacir dos Santos
Modalidade
Resumo
Área temática
Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Data de Publicação
17/01/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/e2gsem/848164-perspectiva-imagetica-das-meninasmulheres-negras-nos-livros-didaticos-de-matematica--o-que-mostra-a-ausencia
ISBN
978-65-272-1121-1
Palavras-Chave
Livro Didático, Educação Matemática, Gênero e Raça, Matemática e Cultura.
Resumo
A pesquisa em análise lança luz sobre a representatividade racial e de gênero em livros didáticos de matemática, sublinhando a marginalização de contribuições de afrodescendentes e a sub-representação do gênero feminino, com especial atenção às meninas/mulheres negras. Buscamos examinar as representações de gênero e seu impacto na percepção de identidade e capacidade matemática, através da análise qualitativa de quatro obras do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD/MEC) adotados nas décadas de 1990, 2000, 2010 e 2020 pela rede municipal de educação da Serra no Espírito Santo. Esse estudo se justifica pois, como já denunciado por Lélia Gonzalez (1979), na sociedade brasileira gênero e raça são objetos de manipulação para manutenção do poder. Assim a investigação adota teorias críticas, perpassando pela epistemologia afrocentrada, para analisar como o currículo e os livros didáticos representam ou omitem a contribuição africana e afro-brasileira na matemática. Os dados do campo imagético são reveladores: na década de 1990, das 220 representações humanas, apenas 38% eram femininas; na década de 2000, a representação feminina caiu para 36,38%; seguida de um leve aumento para 38,98% na década de 2010, e 37,85% na década de 2020. Quanto à representação de mulheres negras, os números nos mostram dados preocupantes, essas representam a média de 21% do universo feminino já sub-representado ao longo das quatro décadas. Do total de imagens humanas dos livros analisados os números referentes ao gênero feminino negro são ainda mais desoladores. Entre as décadas de 90 a 2010 se mantiveram entre 6% a 7% tendo aumento para 13,04% na década de 2020. Uma disparidade evidente ao se levar em conta as informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE (2022) que retrata as mulheres negras como o maior grupo populacional, 60,6 milhões correspondendo por mais de 28% da população total. Os achados destacam a omissão da imagem feminina negra e a prevalência de imagens e narrativas que perpetuam estereótipos raciais e de gênero limitando o reconhecimento das meninas negras como sujeitos capazes na matemática. Observa-se a manutenção do imaginário social daquele que pode aprender e/ou ter domínio dessa ciência como predominantemente corpos masculinos e brancos. Esta representação eurocêntrica reforça normas sociais e atributos como racionalidade e inteligência, solidificando o privilégio dessas figuras e padrões que marginalizam outras vozes e perspectivas. A análise evidenciou não apenas um desequilíbrio na representação visual, mas também uma significativa omissão das contribuições matemáticas de africanos, sem distinção de gênero. Assim o estudo destaca a urgência de promover uma educação matemática verdadeiramente inclusiva, que espelhe a riqueza da diversidade cultural e de identidades. Ressalta-se a importância de incluir modelos femininos negros em contextos matemáticos, para ampliar sua visibilidade e relevância, combatendo assim as barreiras de racismo e sexismo. A pesquisa conclama por materiais educativos que valorizem a diversidade e assegurem igualdade de oportunidades para todos/todas os/as estudantes, como uma das estratégias para superar as disparidades educacionais.
Título do Evento
Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática - E²GSEM - 1ª Edição
Título dos Anais do Evento
Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TRANCOSO, Joelma dos Santos Rocha; SANTOS, Célio Moacir dos. PERSPECTIVA IMAGÉTICA DAS MENINAS/MULHERES NEGRAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE MATEMÁTICA: O QUE MOSTRA A AUSÊNCIA?.. In: Anais da Escola de Estudos de Gênero e Sexualidades em Educação Matemática. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/e2gsem/848164-PERSPECTIVA-IMAGETICA-DAS-MENINASMULHERES-NEGRAS-NOS-LIVROS-DIDATICOS-DE-MATEMATICA--O-QUE-MOSTRA-A-AUSENCIA. Acesso em: 10/05/2026

Trabalho

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