A ESCREVIVÊNCIA NA TRADUÇÃO ECFRÁSTICA EM LIBRAS: (RE)CRIANDO NARRATIVAS E PROTAGONISMOS DE MINORIAS

Publicado em 15/05/2026 - ISBN: 978-65-272-2448-8

Título do Trabalho
A ESCREVIVÊNCIA NA TRADUÇÃO ECFRÁSTICA EM LIBRAS: (RE)CRIANDO NARRATIVAS E PROTAGONISMOS DE MINORIAS
Autores
  • FLAVIA CONSTANTINI DE SOUZA ALMEIDA
Modalidade
Resumo para Comunicação (Oral/Sinalizada)
Área temática
Estudos da Tradução
Data de Publicação
15/05/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/contrin2025/1139379-a-escrevivencia-na-traducao-ecfrastica-em-libras--(re)criando-narrativas-e-protagonismos-de-minorias
ISBN
978-65-272-2448-8
Palavras-Chave
Palavras-chave: Tradução Ecfrástica; Libras; Escrevivência; Normas Surdas de Tradução; Xilogravura.
Resumo
Este estudo de caso investiga a tradução ecfrástica de uma xilogravura para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como prática de escrevivência (Evaristo, 2017), explorando seu papel na ressignificação de narrativas e na representação de grupos historicamente marginalizados, em especial as comunidades surda e preta. A pesquisa parte da compreensão de que a tradução, nesse contexto, vai além da transposição linguística: pensando na tradução como um gesto político e estético de resistência, capaz de gerar novas formas de expressão e de reconfiguração simbólica. A imagem de origem — uma xilogravura que retrata uma figura histórica africana — é utilizada como estímulo visual e narrativo para a criação de poemas em Libras, que compõem o corpus desta análise. A fundamentação teórica articula três eixos principais: (1) a écfrase como forma de tradução intersemiótica e poética (Sutton-Spence; Machado, 2023), na qual uma imagem é recriada em linguagem visual-cinética; (2) as Normas Surdas de Tradução (Stone, 2009), que valorizam a agência do tradutor surdo na construção de sentidos culturais próprios; e (3) o conceito de escrevivência (Evaristo, 2017), que une experiência vivida e escrita como forma de resistência narrativa e legitimação de subjetividades negras e periféricas. A metodologia adotada é de base colaborativa e participativa, com um processo tradutório prolongado, conduzido por tradutores surdos segundo o método de pensamento compartilhado (West; Sutton-Spence, 2012), o que favoreceu a construção coletiva de significados e decisões tradutórias. A tradução foi registrada em vídeo e analisada sob uma perspectiva discursiva e intersemiótica, permitindo identificar as estratégias linguísticas, espaciais e poéticas mobilizadas na recriação da narrativa visual em Libras. Os resultados indicam que a tradução ecfrástica não apenas reinterpreta a obra de origem, mas a transforma em um espaço de autoria e criação estética, no qual os tradutores surdos projetam suas experiências sensoriais, culturais e identitárias — independentemente de outros marcadores sociais, como gênero ou classe. A obra traduzida em Libras passa a conter não só o eco da imagem original, mas também camadas de sentido oriundas das vivências surdas, convertendo-se em um produto artístico autônomo e inovador. Conclui-se que a prática da tradução ecfrástica em Libras promove a ampliação do repertório literário e artístico da comunidade surda, fortalecendo sua visibilidade e reconhecimento social. Além disso, contribui para a preservação e afirmação de culturas negras e surdas como partes indissociáveis do patrimônio simbólico brasileiro. A écfrase, nesse contexto, consolida-se como uma ferramenta potente de empoderamento, memória coletiva e reconstrução de histórias silenciadas, abrindo caminho para novas epistemologias visuais e práticas tradutórias contra-hegemônicas no campo das artes, da literatura e da tradução.
Título do Evento
I Congresso Acadêmico Online de Pesquisas em Tradução e Interpretação | ConTRIn
Título dos Anais do Evento
Perspectivas Acadêmicas sobre a Tradução e a Interpretação
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

ALMEIDA, FLAVIA CONSTANTINI DE SOUZA. A ESCREVIVÊNCIA NA TRADUÇÃO ECFRÁSTICA EM LIBRAS: (RE)CRIANDO NARRATIVAS E PROTAGONISMOS DE MINORIAS.. In: Perspectivas Acadêmicas sobre a Tradução e a Interpretação. Anais...Belo Horizonte(MG) Site Oficial, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/contrin2025/1139379-A-ESCREVIVENCIA-NA-TRADUCAO-ECFRASTICA-EM-LIBRAS--(RE)CRIANDO-NARRATIVAS-E-PROTAGONISMOS-DE-MINORIAS. Acesso em: 27/05/2026

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